Arquivo da tag: Literatura

LEMBRA DAQUELA NOSSA FOTO?

POR RAFAEL OLIVEIRA

CASAL FOTO RASGADA

Lembra daquela nossa foto? Sim, aquela que nós tocávamos um ao outro com os lábios. Lembra a história dela? O que fiz pra chegar até você naquele dia?

Não estou falando dos 300 km de distância que tive que percorrer em um ônibus velho, nem dos pneus que furaram duas vezes na estrada, muito menos do dinheiro emprestado que  peguei pra pagar a viajem. Estou falando do close certo, da vida cômoda que deixei pra ter o nosso último beijo registrado.

Mas não se preocupe com essa foto, seu atual não verá, eu à queimei. E as cinzas eu coloquei em cada canto da casa, só pra lembrar que nosso amor virou pó e que com o passar do tempo nem pó existirá.

Não penses que tenho algum rancor pela sua atitude. Pelo contrário, faria tudo novamente do mesmo jeito sem tirar nem acrescentar nada. Pois vivo de amor, onde uns são ingratos outros desprezíveis, alguns iludem e são iludidos. E o seu foi só mais um, intenso e eterno que o vento levou as cinzas. Mas ainda estão queimando em meus pensamentos.

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ERA SÓ MAIS UM CHOPE

POR RAFAEL OLIVEIRA

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Era mais um chope como outro qualquer, uma sexta feira como outra qualquer, só mais uma noite como outra qualquer. Já estava entediado com os bêbados da mesa ao lado falando sobre seus respectivos times de futebol. Infelizmente essas situações me incomodavam, enquanto o governo aprovava projetos que tiraram a mínima dignidade que nós pobres tínhamos, esses asnos discutiam futebol.

Parecia que nada salvaria aquela noite tediosa, pedi a conta e duas garrafas de vinho pra levar pra casa, a companhia dos meus livros e a coletânea de Cartola salvaria. Foi daí que senti um chute em meu calcanhar e ao olhar pra quem me chutava vi uma moça no chão junto das garrafas de cerveja da mesa ao lado, aquelas pernas longas cruzadas acabará de tropeçar em meus pés e a culpa com certeza era minha, nunca seria daquele monumento.

Estendi a mão pedindo desculpas e esperei um belo tapa na cara por tamanho constrangimento, mas a delicadeza e humildade estava enraizada naquela mulher e com os olhos de tigresa ela me perdoou com um simples piscar. Então à levantei do chão e tentei prestar toda assistência devida, mas quem passava constrangimento era eu em fixar meus olhos naquele decote de sua blusa e nos babados que terminava em seu umbigo, foi daí que ela me perguntou se eu iria ficar olhando ou se iria buscar uma toalha pra ela se enxugar. Minhas pernas não obedeciam, estavam fincadas da mesma forma que a voz dela em minha mente. O garçom trouxe a toalha e eu me ofereci a passar em suas costas, onde ela não conseguia com seus braços.

Depois de todo esse acidente, passamos um bom tempo conversando e a cada dez minutos eu pedia desculpas só pra ouvir e ver aquela boca falar que não precisava pedir desculpa.

Já era madrugada e notava que sua blusa não secava de forma alguma, então sugeri que fôssemos para minha residência e lá daria uma camiseta minha, pois estava fazendo frio e a blusa molhada iria resfriar seu corpo, ela educadamente aceitou a proposta. Levei minhas taças de vinho e andamos um quilômetro até chegar, ela escolheu a camiseta que eu mais gostava pra usar e isso me deixou mais apaixonado, foi tipo: Amor a primeira camisa.

Conversamos bastante, lembro que seu cachorro se chamava Marvel, que seu poeta favorito era Sérgio Vaz (aí já tava apaixonado mesmo não fazia mais diferença) e seu gosto musical era do samba ao rock. Já eram três horas da madrugada quando seus bocejos começaram a ser frequentes e os meus olhos também já ardiam de sono quando de repente solto a taça que se quebrou totalmente no chão, pedi novamente desculpas, mas ela já estava em prantos de tanto rir da minha cara de susto e sono.

Sua gargalhada era tão gostosa de ouvir que parei em frente à ela e esperei acabar, perguntei se ela ainda tinha fôlego pra respirar, ela não entendeu então tive que explicar através de um beijo com gosto de vinho, cerveja e álcool, que só veio terminar com os dois nús em minha cama e cada um passou ocupar a língua com outros órgãos.

E o que era só mais uma noite qualquer, foi o início de um amor. Onde não existe dúvidas do que um sente pelo outro, mas até hoje debatemos se aquela blusa era de crochê ou tricô.

Fim.

PRA MIM PARECE ÓBVIO

POR FÁBIO CHAP

​”O quê queremos? 

Reduzir a violência no país. Frear a monstruosidade dos crimes que devastam o Brasil.
Como vamos fazer isso?

“Alimentando o lado monstruoso dos criminosos. Amontoando pessoas até elas não conseguirem respirar. Tratando gente feito bicho, que é pra quando eles saírem da cadeia morderem com ainda mais violência.”

 Sei lá, não é uma questão de lógica que as coisas têm que ser diferentes do comentário dessa mina? 

“- Ah, Chap, mas e as vítimas dessas pessoas?”

Bom, elas não vão voltar porque você vai tratar preso igual bicho. Pelo contrário, o cara quando sair da cadeia não vai conseguir um trampo, nem uma vida normal e vai voltar a roubar. E vai te roubar/matar com ainda mais violência.
 Pra mim parece óbvio que alimentar o monstro dos criminosos faz esse monstro ficar ainda maior. Não consigo entender porque isso não é óbvio pra outras pessoas. 

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VAI LÁ E FAZ AMIZADE COM A DOR

POR FÁBIO CHAP

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A vida nos aperta pelo pescoço. Ameaça nos devorar e engolir em cada sonho mais ousado. ‘Se ponha no seu lugar’, diz a vida. E pra que a gente não dê passos a mais, ela nos afoga.

Minutos sem respirar. Dias sem respirar. Anos sem respirar. Mais mortos do que vivos, aguentamos. Prendemos a respiração e encaramos a porra toda. Dá medo, mas a gente abre mais uma porta e dá mais um passo. Uma porta, um novo passo. Outra porta, mais um novo caminho todo.

O boleto nos preocupa, o amor nos preocupa, a família nos preocupa, a política, então… Mas em meio a todo o caos, eu existo. É preciso que eu me preocupe, também, comigo. Nessa gigantesca jornada, existe você, é preciso que você se preocupe, também, com você.

Não podemos nos anular em nome de boleto, do amor ou da família. Se não dá pra gente saber nosso lugar no mundo, pelo menos dá pra gente saber nosso lugar na nossa própria vida. E não esquecer que ela – a tal vida – aperta o pescoço mesmo. Não se deixe morrer, há muito pra viver, então vai lá e faz amizade com a dor.

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O CONTADOR VIU MILLION YEN WOMEN

POR: IASLAN NASCIMENTO

Olá amigos, hoje vamos falar de Million yen women. Mais uma das séries originais da Netflix. A história dessa série japonesa é a seguinte ” Shin (Yojiro Noda) sempre sonhou em ser um grande romancista, mas quando sua carreira não decolou como ele planejara, o jovem teve que pensar em outros planos para sobreviver. É aí que ele conhece Minami Shirakawa (Rila Fukushima), Hitomi Tsukamoto (Rena Matsui), Yuki Kobayashi (Miwako Wagatsuma), Midori Suzumura (Rena Takeda) e Nanaka Seki (Yuko Araki), cinco mulheres lindas e misteriosas dispostas a lhe pagar uma boa quantia para que ele cuide da casa. A única condição é que o garoto não pergunte nada sobre a história delas”.

A série é distribuída pela Netflix, com 12 episódios com duração média de 24 minutos. Bom vamos as considerações sobre essa obra japonesa. Essa série me pegou no primeiro episódio, uma série cheia de mistérios, com 6 personagens principais (Shin o romancista, e as cinco mulheres misteriosas) com um bom desenvolvimento, e boas histórias é impossível você não ficar empolgado ao final de cada episódio. Uma das coisas que me chamou muito atenção foi a quantidade de personagens na trama, que mesmo com apenas 12 episódios consegue nos mostrar bem cada um deles, não quero me aprofundar muito, quero deixar que vocês se surpreendam.

A cada episódio você descobre uma parte do quebra-cabeça que é essa história, e meus amigos essa série tem muitas revira-voltas e tudo é tão bem construído que você fica de queixo caído quando descobre cada uma delas, e tudo é simplesmente fantástico. Essa é uma das séries que eu estou indicando para todos os meus amigos incluindo vocês leitores do contador, não deixem de assistir. Então é isso amigos essa é minha recomendação de série para vocês!!

FIZ PAPEL DE POSTE

POR FÁBIO CHAP

Na sexta-feira passada eu fui tomar uma cerveja com um amigo que tá com problemas de relacionamento. Ele ficou mais ao celular – tentando resolver seus conflitos – do que com a gente. Na prática, ele não estava fisicamente com ela, nem mentalmente com a gente. Ele tava em lugar nenhum.
4 dias depois a história se repetiu, mas com outro amigo.

Terça-feira eu fui tomar uma cerveja com um amigo que tá com problemas de relacionamento. Ele ficou mais ao celular – tentando resolver seus conflitos – do que trocando ideia. Na prática, ele não estava fisicamente com ela, nem mentalmente comigo.

Como eu me mostrei levemente incomodado com meu papel de poste, ele diminuiu um pouco o uso do celular. Em dado momento ele deu a desculpa mais épica entre as desculpas épicas: 

– Nossa, preciso colocar o celular pra despertar pra amanhã. Melhor colocar agora do que esquecer depois quando eu tiver doidão.

É óbvio que ele só falou isso pra ter licença poética de pegar o celular e ver o que ela tinha respondido.

Nessa hora eu disse a ele que ele não tinha um relacionamento, mas um vício. E que os vícios atrapalham todas as outras áreas da vida. Quando se está viciado, você simplesmente não consegue fazer mais nada direito. E é o que tá acontecendo com ele e com outros amigos que se enfiaram em relacionamentos que fazem mais mal do que bem.

Os celulares criaram algo incrível: você poder estar em vários lugares do mundo ao mesmo tempo ou em nenhum. Nem lá, nem cá, nem em nenhum lugar.

No Domingo eu vou tomar uma cerveja com um 3º amigo que está com problemas graves de relacionamento. Espero que ele leia esse post e não me faça de poste.

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LETÍCIA E RAFAEL

POR FÁBIO CHAP

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Letícia é racista. Dia desses um homem negro chegou nela na pista da balada. Rafael perguntou se ela estava acompanhada.

Letícia não respondeu nada. Só fez cara de desprezo. Rafael não pediu beijo, não invadiu o espaço dela.

– Não rela em mim, cara.

– Mas não encostei em você, moça. Só tô querendo saber seu nome mesmo.

– Sai daqui, macaco, antes que eu faça uma gritaria.

– Como é que é? Do que você me chamou?

– Olha, tô sem banana na bolsa. Já disse pra você sumir daqui ou eu faço um escândalo.

Rafael não suportou o papel de humilhado. Olhou pro lado, ninguém olhava.

– Vadia! É isso que você é. Uma branquela puta que vem aqui só pra chupar Playboy no camarote.

Letícia se chocou. Note o ciclo que se forma. Note a norma da agressão como funciona. A roda começou no racismo e pouco a pouco ambos estavam num abismo de misoginia.

Rafael deu um puta soco no estômago de Letícia que caiu ajoelhada na pista. As amigas correram na direção dela pra ver o que tinha acontecido. Ver o perigo que ela corria. Rafael sabia que seria punido, optou em correr pra pagar a conta e sumir daquela balada.

Letícia, ainda ajoelhada, apontava pra Rafael e dizia:

– Pega esse filho da puta. Ele me bateu. Pegaaaa esse preto desgraçado, pelo amor de Deus!

As pessoas ao redor estavam chocadas. Um soco no estômago literal e outro figurado. O racismo foi que começou o ciclo e esse seguiu descontrolado rumo à violência contra uma mulher.

No meio da pista as pessoas começaram a fazer vídeos da mulher agredida e ajoelhada proferindo xingamentos racistas, gritando: ‘Filma mesmoo, macacada!’

Dias depois caíram os vídeos na internet; que foram parar na TV. Rafael foi preso uma lanchonete enquanto assistia sua agressão no Datena. A garçonete não teve pena e chamou logo a polícia. Os outros clientes seguraram Rafael, que tentou fugir. Em vão.

Letícia levantou do chão. Havia semanas que aconteceu tudo isso. Mas Letícia, mais que nunca, estava à beira do precipício. Uma amiga indignada disse que a história inteira tava errada. Não só a violência de Rafael, mas também a violência de Letícia que chamou um homem de macaco e o ofereceu banana na pista.

Letícia foi trucidada na internet. Caíram vídeos dela fazendo piadas racistas em festas da faculdade. Se liga só no papo da garota:

– Sabe, o saquinho de supermercado? É branco! O de lixo? É preto!

E se tem uma verdade, uma moral nessa história toda é que vez ou outra a vida é clara em nos mostrar como funciona o ciclo de ódio. Mais desenhado que isso, impossível. Mais perturbador que isso, difícil.

Rafael pegou 4 anos de prisão. Letícia 6 meses e 15 dias. A internet entrou numa catarse comemorando a decisão. Bradavam que, às vezes, a justiça funciona, mas só quando vem à tona a história completa.

Uma coisa é certa: Rafael e Letícia são exemplos da torta visão de que devolver ódio com ódio dá em mais ódio. Essa é a pior equação.

Sabe os racistas? Sabe os agressores? Já é século 21 e eles não passarão.

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