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É ASSÉDIO, É FLERTE OU É ESCROTO?

POR FÁBIO CHAP

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Os debates da semana passada nessa distinta Rede Social se concentraram num tema importante: A diferença do flerte para o assédio.

Passei um tempo colhendo exemplos de assédios relatados pelas mulheres e escrevi um tutorial que oriente a nós, homens, a entender melhor essa fronteira entre flerte e assédio.

Nesse tutorial vou pegar exemplos do cotidiano. Dividi as conclusões em 3 categorias:

– É flerte

– É escroto

– É assédio

Vamos lá?

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Exemplo 1:

– Você mandar uma mensagem inbox dizendo:

‘Oi, linda, bela camiseta dos Beatles’

>> É flerte

– Ela ignorar esse seu inbox da camiseta dos Beatles, você ficar puto e mandar outro inbox:

‘Não vai me responder, não? tá se achando, heim?’

>> É escroto.

– Você mandar um mensagem inbox dizendo:

‘Caralho, que delícia esse biquini enfiado nesse rabetão, heim?’

>> É assédio

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Exemplo 2:

– Você vai ao dentista. A recepcionista é linda e você diz:

‘Lindo seu sorriso. Parece que aqui cuidam muito bem dos dentes mesmo. Escolhi o lugar certo.’

>> É flerte

– Você vai ao dentista. A recepcionista é linda e você diz:

‘Que linda você, heim? Não me falta coragem, me falta é sorte’

>> É escroto.

– Você vai ao dentista. A recepcionista é linda e você diz:

‘De calça branca ainda? Assim mata o papai, heim? Me passa seu Whats pra gente marcar de tomar alguma coisa… Tipo um banho’

>> É assédio.

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Exemplo 3:

– Você está no trabalho, a sua estagiária acabou de chegar com roupas de academia e está indo se trocar por roupas mais formais. Antes de ela se trocar você diz:

‘Tem que malhar mesmo. Faz bem pra saúde e a gente fica mais bonito, mais disposto.’

>> É flerte

– Você está no trabalho, a sua estagiária acabou de chegar com roupas de academia e está indo se trocar com roupas mais formais. Antes dela trocar de roupa, você diz:

‘Tem que malhar mesmo. Tá precisando perder uns quilinhos aí de barriga.

>> É escroto.

– Você está no trabalho, a sua estagiária acabou de chegar com roupas de academia e está indo se trocar com roupas mais formais. Antes de ela trocar de roupa, você diz:

‘Caramba. Podia vir assim todo dia, né? A gente nem iria trabalhar. Só ia ficar vendo você desfilar pelo corredor.’

>> É assédio.

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Exemplo 4:

– Você está num bar com os amigos e por você passa um grupo de amigas.

Você pisca pra uma delas, abre um sorriso e levanta seu copo, como se oferecesse um brinde.

>> É flerte

Você está num bar com os amigos e por você passa um grupo de amigas.

Você entorta o pescoço na frente de todo mundo e fica secando a bunda das minas

>> É escroto.

– Você está num bar com os amigos e por você passa um grupo de amigas. Você segura na mão de uma delas e diz:

‘Aí siiim, heim? A gente também tá querendo uma festinha hoje. A gente tá em 3, vocês em 3. Cabe tudo no mesmo quarto.’

>> É assédio.

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Exemplo 5:

– Você trabalha como recepcionista num local em que precisa cadastrar contato de clientes. Uma cliente que te atrai chega, você faz o serviço e pergunta a ela:

‘Posso te mandar um e-mail não relacionado a trabalho depois que eu sair daqui?’

>> É flerte.

– Você trabalha como recepcionista num local em que precisa cadastrar contato de clientes. Uma cliente que te atrai chega, você faz o serviço, ela vai embora. Quando ela chega em casa, tem um e-mail seu pra ela:

‘Oi, linda, eu te atendi hoje. Mandando esse e-mail só pra te dizer que te achei linda.

>> É escroto / Já beirando o assédio.

– Você trabalha como recepcionista num local em que precisa cadastrar contato de clientes. Uma cliente que te atrai chega, você faz o serviço, ela vai embora. Quando ela chega em casa, tem um e-mail seu, um inbox seu, mensagem no Whats:

– Oi, delícia. Vem mais vezes comprar aqui com a gente. Mas vem linda do jeito que você veio hoje, tá?

>> É assédio

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Exemplo 6:

Você é professor de uma faculdade. Há uma aluna pela qual você realmente se interessa e você diz a ela em particular:

‘Se você estiver livre depois da aula da sexta, a gente pode assistir uns amigos tocar lá em São Paulo. Me parece que vc adora o tipo de som que rola lá.’

>> É flerte

Você é professor de uma faculdade. Há uma aluna pela qual você realmente se interessa e você diz pra ela na frente de vários outros alunos:

‘Se você estiver livre depois da aula da sexta, a gente pode assistir uns amigos tocarem lá em São Paulo. Me parece que vc adora o tipo de som que rola lá.’

>> É escroto

Você é professor de uma faculdade. Há uma aluna pela qual você realmente se interessa e você diz a ela:

‘Sei que sua nota tá baixa esse semestre, mas se você for comigo num show que vai rolar essa sexta-feira a gente pode negociar subir essa sua nota.’

>> É assédio

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O assédio poucas vezes tem relação com desejo. Ele é muito mais relacionado com poder.

O homem, cliente de um estabelecimento, sente-se poderoso, então ele acha OK falar coisas indevidas pra uma recepcionista.

O homem, cercado de amigos, sente-se poderoso, então ele acha OK pegar no braço de uma mulher desconhecida.

O homem, gerente numa empresa, sente-se poderoso, então ele acha OK constranger uma funcionária que acabou de chegar da academia.

O homem, professor de faculdade, sente-se poderoso por controlar as notas das pessoas, então ele acha OK ameaçar trocar notas por sexo.

Assédio é sobre poder e não sobre ímpetos masculinos. Numa sociedade em que a mulher equilibra seu poder social com o poder social do homem, a tendência natural é que o assédio diminua gradualmente e constantemente.

A saída para o assédio é apenas uma: mulheres no poder.

Mães e pais, criem suas filhas para serem poderosas.

Mulheres já crescidas: estudem o poder, vivam o poder, sejam o poder. Pois o homem não muda até encontrar alguém maior que ele. Daí ele cala a boca.

Sigam calando a boca de assediadores em todo o planeta. As meninas já nascidas e as que ainda estão por vir certamente serão imensamente grata por vocês no futuro.

E 2018 já é o futuro!

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MEU CARO AMIGO HOMEM, TER FILHO É TIPO UM FURACÃO

POR FÁBIO CHAP

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Meu caro amigo homem, ter filho é tipo um furacão. Não apenas porque filho revira a casa, mas porque filho revira a tua vida.

Filho derruba frango no chão, espalha massinha pela casa e faz você mudar completamente seu estilo de vida; dos gorós aos seus planos de faculdade/pós/estudos em geral.

Sabe aquele churras dos parça às 11 da noite naquela casa que acontecem as maiores putarias? Então, você não vai. Cê vai ficar em casa assistindo o mais novo filme da My Little Pony – lindas garotinhas metade pônei, metade gente que têm uma banda chamada Equestria Girls.

Sabe aquele bacon que você comia todo dia junto com seu arroz e feijão? Então, você vai parar e vai colocar mais verde na sua comida. É a volta do agrião, da rúcula e da cenoura no seu prato. E sem fazer cara feia, mané. Ou acha que a pequena criança não vai – na hora – falar que se você não gosta daquilo, ela também não precisa gostar?

Meu caro amigo homem, filho é furacão. Não apenas porque caga infinitamente nas fraldas e vai depender bons anos de você pra limpar o bumbum, mas porque vai bater de frente com você. Vai te questionar: “Se eu não posso toma refrigerante de dia de semana, por que você pode tomar cerveja de dia de semana?”

Sabe aquela viagem que você fazia com os amigos e as amigas pra ver biquininho pequenininho, fumar todos becks do mundo, chapar de Red Label até cair adormecido num colchonete qualquer pela casa? Então, você, não tão cedo, vai fazer outra dessas.

Sua viagem de verão pode até ser na praia, mas com horário pra ir dormir e com noção do quanto dá pra beber e do quanto não dá. É, as coisas mudaram, meu parça.

Se você abriu mão disso tudo pelos seus filhos, é isso aí mesmo, cara. Você se tornou uma pessoa adulta. Uma pessoa que soube aproveitar ótimas coisas da vida e agora entrou numa outra fase, num outro fluxo.

Agora, se você tem filhos, mas nunca fica com eles, deixa pra mãe da criança – ou pra sua mãe – cuidar e criar enquanto você segue vivendo a adolescência tardia, saiba que a vida vai te cobrar por cada omissão.

Filho é furacão, mas se você é omisso, nunca vai poder sentir a brisa que é ouvir um ‘eu te amo, papai’. Filho é furacão, mas se você é omisso, nunca vai poder sentir a brisa que é ver sua cria gargalhando das coisas mais bobinhas do mundo. Filho é furacão nos primeiros anos de vida, mas a brisa que afaga o coração, aos poucos, ela chega. Eu amo desenhar uma cena daqui 20 anos em que vai estar eu e minha filha tomando uma cerveja a beira-mar falando da vida, da política, do mundo, dos relacionamentos. E sei que só vou conseguir isso tudo aceitando e vivendo o furacão que são os primeiros anos de uma criação.

Por fim, esse texto não é um manifesto pela anulação daquilo que te dá prazer. Mas você vai ter tão poucas chances de manter o antigo estilo de vida que, pouco a pouco, ficar lokasso e pegar geral não serão mais coisas que vão preencher sua alma.

Meu caro amigo homem, aos poucos, você vai deixar de pensar em área vip de baladinha e vai pensar em casa própria. Vai deixar de pensar em caixas e caixas de cerveja e vai pensar em latas de farinha láctea, couve-flor e iogurte. Vai deixar de achar que a vida é uma eterna festa. Vai entender que você colocou um ser humano no mundo. Ser humano esse que, por alguns anos, vai depender totalmente do papai e da mamãe; tanto fisicamente quanto psicologicamente.

Tem homem que ainda não acordou pra vida. A todos que estão bem despertos criando boas pessoas pra esse mundo: meus parabéns!

Você está sendo, de fato, um homem perante as suas obrigações.

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VAMOS FALAR UM POUCO SOBRE A ANITTA

POR FÁBIO CHAP

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Nunca se esqueça: A Anitta foi uma das artistas mais alopradas e desrespeitadas pela mídia e pelos haters da Internet nos últimos anos. A Anitta foi umas das pessoas mais esculachadas pelo site Sensacionalista que, por um bom tempo, foi uma das maiores páginas de Facebook no BR, senão a maior. Ela foi ‘zuada’ pelo Faustão, pelo Willian Waak e por inúmeras outras pessoas públicas. Tudo ao vivo. E tudo isso desde que ela tinha 19 anos.

O respeito, o lance de maior artista do Brasil e da América Latina, o lance de Anitta ser a única instituição que funciona no Brasil, tudo isso é recente. Ouso dizer que o fato que mais pode ter mudado a visão de mundo da Anitta foi o diálogo dela com a Pitty no Altas Horas. A Pitty é mais importante na carreira da Anitta do que muitos percebem.

Anitta, hoje, tem 24 anos. A maior artista do Brasil tem vinte-e-quatro-anos. 1 ano a menos que Neymar. 10 vezes mais consciente do que Neymar (que nem se acha negro).

Anitta começou a bombar aos 19 anos com a música ‘Meiga e Abusada’, logo depois veio ‘Show das Poderosas’ e o bagulho estourou no Brasil inteiro. Toda criança sabia cantar ‘PRE-PARA!’. Diferente da maioria dos artistas pop no BR, Anitta taí mantendo sua música no topo há 5 anos. A maioria não consegue segurar o sucesso nem por 5 meses.

E nunca se esqueça: A Anitta foi uma das artistas mais alopradas e desrespeitadas pela mídia e pelos haters da Internet nos últimos anos.

Há 3 anos ela toma conta da sua própria carreira. Se cansou das pressões da sua ex-empresária para se lançar logo como cantora internacional e decidiu ela própria administrar o trampo. Ela discordava da manager anterior e acreditava que tinha que esperar mais pra se lançar internacionalmente. Estudar mais, se planejar mais e se preparar mais. E foi o que Anitta fez: foi estudar espanhol, melhorar o inglês, gestão, marketing, cultura (pra quem não sabe, ela é uma grande fã de documentários).

Nos últimos anos Anitta tem se associado com os maiores artistas do Brasil e, aos poucos, do mundo. Trabalhou com os melhores roteiristas, diretores, dançarinas; fez parceria com Projota, Simone e Simaria, Nego do Borel, Wesley Safadão, Maluma, lançou Pablo Vittar.

E nunca se esqueça: A Anitta foi uma das artistas mais alopradas e desrespeitadas pela mídia e pelos haters da Internet nos últimos anos.

Nos bastidores Anitta é conhecida não apenas como alguém que cobra, mas como alguém que grita e xinga. Ela mesma admite isso. Vê-la e ouvi-la é ótimo, trabalhar com ela não parece fácil. O nível de exigência é level hardcore.

A polêmica das últimas horas é se Anitta empodera as mulheres – com seus clipes e letras – ou se ela apenas mantém o status quo empinando a bunda e sendo apenas mais uma que serve o que o mundo masculino quer: bundas e biquinis. Essa discussão eu vou deixar pra outras pessoas.

Anitta é a exceção da exceção da exceção. Representa uma forte imagem de resiliência:

– Mulher;
– De origem periférica (não pobre, mas periférica);
– Tem a qualidade da sua voz questionada onde quer que vá;
– Funkeira de origem.

Alcançou o que só Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto alcançaram antes: visibilidade no mercado internacional. Foi desrespeitada, questionada e alvo de piadas por anos e anos e anos.

Não conheço ela pessoalmente, não sei nada sobre a real personalidade dela, mas me parece que Anitta sente dentro dela que tem algo a provar. E sempre vai ser assim. Poucas pessoas quando são tão questionadas e humilhadas conseguem tirar força pra mostrar que são maiores que isso tudo. Ela precisou, precisa e vai sempre precisar provar que é maior que as merdas (ou as sinceridades) que falam sobre ela. E, bom, ela tem dado uma bela prova, né?

Provavelmente Anitta tem dentro dela uma frase dos Racionais: ‘Então mostra pra esses cu como é que se faz’.

O clipe/música lançados ontem ‘Vai, Malandra’ começam com um baita close na bunda de Anitta e no refrão tem essa frase:

“Ê, tá louca, tu brincando com o bumbum
An an, tutudum, an an”

Mas repara uma coisa: enquanto a gente olha a bunda da Anitta passar, a mente criativa e a visão estratégica dela passaram anos antes.

A Anitta não fez sucesso graças à bunda – naturalmente com celulite – dela. A raba é só um artifício que ela tem usado enquanto prepara a fórmula perfeita pra poder te comandar.

Maquiavel estaria orgulhoso de Larissa de Macedo Machado, mais conhecida no mundo todo como Anitta: a mulher mais poderosa do Brasil e que não vai hesitar em se construir a mulher mais poderosa do planeta.

Já dizia uma antiga profecia:

Pre-para que agora é hora
do show da poderosa!

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PRA QUEM CHEGOU AOS 30 

POR FÁBIO CHAP

Nesse 2017 eu fiz 30 anos. Se você está nessa fase da vida é contigo que eu quero conversar.
Lembra quando você tinha seus 11/12 anos de idade e começou a sentir uma mutação enorme no seu corpo e na sua cabeça? Fazer 30 anos é a mesma coisa. Com a diferença que agora os pelos não começam a crescer, começam a cair.

Quando estamos na pré-adolescência, do nada começamos a nos sentir mais do que de fato somos. Nos sentimos mais velhos, mais inteligentes, mais fodões só porque demos o primeiro beijo, entre outras coisas. E, olhando de longe, a gente sabe que um adolescente é a mesma coisa que uma criança crescida só que com voz de pato e pelo no sovaco.

Com 30 anos, pra muita gente, o efeito é o contrário. Alguns começam a se sentir menos do que realmente são. Se preocupam por ainda não estarem no tal ‘topo da carreira’, se preocupam por não terem encontrado alguém com quem vão passar o resto da vida, se preocupam demais.

Se tem uma palavra pra definir a crise dos 30 é: preocupação.

E isso é muito louco porque ao mesmo tempo em que nos preocupamos muito, lutamos pra ter uma vida mais leve, mais equilibrada, mais estável. É caótico memo.

Você que tá na fase dos 30, pensa agora em tudo que você alcançou até aqui e que não dependeu dos seus pais. Conquistas materiais, amorosas, espirituais, no trabalho. Não é pouca coisa, não!

Você é foda! E eu não quero levar esse texto pro lado da auto-ajuda, eu só quero constatar que você é, sim, foda. Não apenas sobreviveu 30 anos num mundo absolutamente cruel como, certamente, tem deixado marcas na vida de amigos, da família, dos seus amores. Você não está de passagem pela Terra. Você tá deixando o seu rastro.

Quando se tem 30 anos uma coisa é fato: você sabe se virar! O mundo pode desabar. Tudo que você planejou pode dar errado, mas você sabe se virar. Olha até onde você chegou: aos 30. Isso não é pouca coisa.

Nessa fase a gente deixa de pensar em academia apenas pra benefício estético. Pra chamar a atenção no rolê. A gente começa a pensar em malhar pra ter mais saúde. Olha que papo de velho: saúde. Mas é real. Essa é a fase em que a gente quer respirar melhor, muitos diminuem o álcool, o cigarro, as drogas. É o adolescente rebelde em nós ficando pra trás e nosso corpo entendendo que todo excesso será pago com uma ressaca de um nível que não existia aos 20.

Por falar do adolescente em nós, aos 30 ele vai embora de fato deixando só as boas lembranças. O trabalho deixa de ser aquela luta pra fazermos apenas o que queremos e passa a ser o que precisamos pra dar conta de viver. A importância da disciplina começa a ser redescoberta nessa fase. É nesse momento que, de fato, a gente começa mais a ouvir do que falar.

 Disciplina, inclusive quando se fala do coração. Foram tantos namoros, rolos e noites loucas, né? Tenho certeza que a sua experiência amorosa e sexual está no ápice. Você já sabe o suficiente sobre a paixão e o amor pra não errar tanto. Depois de tantas pessoas que passaram pela sua vida, você sabe exatamente o que te atrai. Você sabe exatamente o que não quer. Nessa fase a gente passa a ter mais controle sobre o coração e só deixamos pousá-lo onde haverá reciprocidade, onde haverá luz. E eu não estou querendo dizer com isso que aos 30 a gente encontra a princesa encantada. Estou dizendo que nessa fase diminui demais a chance de a gente fazer as merdas amorosas que fizemos com 20 e poucos simplesmente porque aprendemos muito com tudo que vivemos. Relacionamento bumerangue não nos satisfaz mais.

Aos 30 a gente se abre mais pra espiritualidade. Isso não significa que o povo começa a ir pra igreja. Significa que dormir em paz e acordar em paz é tão importante que a gente começa a filtrar melhor as energias no nosso entorno. As pessoas que só reclamam de tudo não são mais companhias tão frequentes. As brigas de família deixam de nos enfurecer e a gente simplesmente acostuma. Passamos a entender que os outros são diferentes, que vão buscar os próprios interesses e que, sem ser cuzão, devemos buscar os nossos também.

Outra coisa que a juventude loucura total não nos permite fazer, mas que aos 30 anos damos os primeiros passos é: planejar a vida. E executar o que planejamos. Fale com qualquer pessoa de 30 anos: é muito provável que essa pessoa adore listas. Listas organizam a vida e tudo que buscamos nessa etapa é organizar. É a fase em que passamos a falar sobre melhores maneiras de guardar dinheiro, investir dinheiro, fazer mais dinheiro. Porque o dinheiro só não é importante na sua vida se você é herdeira ou herdeiro. Não é o caso na maioria de nós.

E talvez essa coisa de pensarmos muito em organização seja um preparo inconsciente pro que vem pela frente. Muitos querem formar família, ter filhos, morar junto, etc. Mas ninguém quer fazer isso com a vida caótica. Quem sonha em ter família não sonha com crianças ramelentas chorando pedindo mamadeira e jogando nescau pro alto. A gente sonha com uma casinha que caibam todos de maneira confortável, uns quadrinho bonito na parede, umas plantas bem verdinhas, a geladeira cheia e a vida em paz, ou seja, a vida organizada.

A palavra organização é importante demais aos 30 anos, assim como saúde, amor, experiência, disciplina e paciência.

Estar aqui onde estamos não é fácil. Os boletos nos tiram o sono. 1 dia de atraso no aluguel já compromete o orçamento. Dormir todo dia sozinha/sozinho não é exatamente o sonho de todo mundo e isso traz sensações de solidão. Brigar se torna algo mais desgastante simplesmente porque a gente não é tão foda-se como no passado. Por esse exato motivo, a gente briga menos, se inflama menos e resiste mais.

Ter 30 anos é saber focar a vida no que nos mantém vivos, felizes, ativos, com a auto-estima elevada. Essa é a fase que as pessoas entendem que ‘se amar’ não é um conceito vazio. É a coisa mais importante que temos que fazer nessa vida.

E por isso mesmo, por nos amarmos mais, se tem algo que pega fogo aos 30 anos é a vida sexual. Se antes tínhamos pressa e curiosidade, agora temos intensidade e experiência. 

Se você teve a primeira vez com 15/16/17, já são 15 anos – ou quase – de vida sexual. E essa carga horária de cama ninguém nos tira. Nessa fase a língua não suga, ela dança. Nessa fase a gente sabe que pau e buceta são parte integrante do sexo, não ele todo. Sexo se torna toda uma experiência que começa no 1º whats do dia, que continua no jantar, que pega fogo com as provocações ao pé do ouvido. Aos 30 sexo deixa de ser penetração e se torna contexto, se torna uma história, se torna um delicioso jogo de horas e horas e horas.

Uma coisa que eu sempre penso/falo é que se eu puder escolher, quero morrer com 90 anos. Imagina só que foda podermos viver mais 2 vezes o que vivemos até agora e cada vez mais experientes? Seria demais. Os primeiros 30 anos de vida pra aprender demais, quebrar muito a cara. Os 30 anos seguintes pra executar os maiores trabalhos, obras e sonhos; criar a família mais linda. E dos 60 aos 90 viver pra curtir, sem nenhuma pressa, tudo que plantamos a vida inteira. Seria perfeito.

Lá em 1987 eu não sabia nada da vida. Tava começando a minha jornada. Eu não imaginava que seria uma jornada tão louca e tão linda. Tão difícil e tão emocionante.

Eu sobrevivi e isso me abre um sorrisão enorme na cara. Você também sobreviveu, sua linda, seu lindo. Espero, do fundo do coração, que agora você também tenha um sorrisão bem bobo estampado na cara.

Parabéns pra nós! Muitos anos de vida pra nós!

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VOCÊ OPTOU POR OUTRO BEIJO…

POR FÁBIO CHAP

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A Eu te roubaria um beijo. Te abraçaria forte. Apertaria sua mão e abriria meu coração. Diria o que tá travado; confessaria o pecado que é te amar infeliz; te querer e não ter por um triz.

Mas você optou por outro beijo; outros braços. Outra mão te afagando e outro coração dançando junto ao teu. Foi assim que morreu aquele tal sonho. Lembra? A gente, junto, queria conhecer o mundo.

Confesso: é fundo esse buraco que me encontro. O tombo foi grande. O preço alto, mas, se por um capricho da vida, você volta a me enxergar, saiba que tô pronto pra te roubar um beijo. Te abraçar forte. Apertar sua mão e fazer ecoar meu coração num grito assim:

EU TE AMO, PORRA. TE AMO. TE AMO.

e te amo.

Porra.

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O RELACIONAMENTO IDEAL

POR FÁBIO CHAP

Namorar, noivar, casar é pra gente estar com um aliado na vida. A maior furada do mundo é se relacionar com alguém que mais te empata do que te incentiva. Brigar, todo mundo briga. A gente discute, fica meio pá. Mas outra coisa é humilhar. Outra coisa é botar a pessoa pra baixo ‘pois assim se tem mais poder’.

Se perguntam o meu ideal de relacionamento, pra mim é tudo muito claro: uma aliada. Alguém que se encante com meus objetivos e que eu me encante com os dela. Uma mina que queira a cada dia, tornar a própria vida melhor; e por buscar ser melhor a cada instante, me deixa num constante estado de admiração e paixão.

É muito gostoso imaginar a mina mais parceira, a viagem mais gostosa, o sexo mais sem limites, a vontade que um tem do outro. A vontade de conhecer o mundo, viver muito dentre tudo que é possível.

Me fala: o que você tá fazendo nesse relacionamento sem parceria? Sem admiração? Sem tesão? Pra quê seguir a vida assim? A gente tem que ficar junto pra vida ficar menos pesada, menos difícil. Se é pra piorar tudo, melhor cada um pro seu lado.

 Poucas coisas no mundo são mais poderosas que uma dupla que se ajuda em tudo, que se admira em muito, que se completa, se distingue, se chupa e se ama.

 Não deixe um inimigo deitar na sua cama. Essa vida é curta demais pra gente gastar ao lado de quem não compreende o poder da parceria. 

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PAULO

POR FÁBIO CHAP

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Paulo desistiu de acreditar em si mesmo. Ele não corre atrás. Ele nem tenta mais. Paulo sente que tá tudo difícil demais. Ele mal tira o lixo de casa. Suas asas foram podadas. De uma timidez bruta, o desemprego lhe perturba. Dorme mais horas do que deveria. Dorme mal. Sente o corpo ceder e doer.

Paulo queria não lembrar da infância. Ali foi onde tudo começou. Seu pai, enquanto descia a cintada no seu corpo costumava dizer:

“Você é um merda, moleque. Cê não vai ser nada nessa vida porque você não presta pra nada.”

Pra nada. A dor marcada por essa frase, Paulo carrega sempre. A mãe não via quando a pele do filho doía. Maria geralmente estava no trabalho, enquanto Carlos, o marido sempre desempregado, bebia e agredia o então ‘Paulinho’. Era num cantinho do quarto que ele chorava. Não conseguia fazer algo pra reagir, parar de apanhar. Que criança consegue evitar isso, não é?

Quando trabalhou, Paulo nunca chegou atrasado. Sempre foi o funcionário mais pontual. Muito embora sua boca sempre cheirou mau. As pessoas simplesmente se afastavam sem nada dizer.

Hoje Paulo tem 37 anos. Está morando na casa da avó. Dali não consegue sair. Ela, inclusive, lhe compra o cigarro. Ela paga caro. Tá R$9,00 o maço. Com os pais não falou nunca mais. Há 5 anos não se comunica com ninguém da família, fora a avó de 79 anos.

Na única vez em que teve um relacionamento amoroso, durou 1 ano e nunca mais. Sua insegurança sempre corroeu tudo que tocou. Todos que conheceu. Paulo sente que já morreu, ao menos na alma.

A solidão dentro daquela mente transformou-se em ódio. Pela internet Paulo destila toda a sua raiva do mundo. Pra Paulo, mulheres são vagabundas. Negros, vitimistas. Gays, a escória.

Ontem mesmo Paulo riu quando ouviu Willian Waack cometer um crime. Na verdade, Paulo não criou um mundo pra si. Ele descobriu a qual mundo agora ele pertence. Escolheu o mundo dos grupos de Facebook e Whatsapp. Nesses grupos, sob um perfil verdadeiro, Paulo escreve coisas como ‘Melhor Jair se acostumando’, ‘Coisa de preto’, ‘Feminazi vagabunda!’

Nesse mundo virtual que Paulo adotou pra si, o humor e a tragédia se casam com o ódio. Ali o rancor encontra abrigo. E Paulo está decidido a ajudar a mudar o Brasil; quem sabe um dia, o mundo.

Seus traumas, seus medos, suas certezas e rancores se esquentavam no mesmo chá. Sua vida veio a se transformar numa timeline. Uma linha do tempo digital programada pra ser seu fetichizado campo de batalha.

Paulo quer mudar o mundo. Mas não põe o lixo pra fora. Paulo quer consertar a moralidade de ‘tudo que taí’, mas faz 3 meses que não arruma a própria cama.

O drama de Paulo é não ter ciência do quão pouco pode mudar o fluxo do universo e o quão gravemente pode machucar os sentimentos de outra pessoa. Assim como os seus também foram machucados por todos esses anos.

Paulo não tem ciência, mas tem raiva e ele vai cuspi-la na sua cara. Ou melhor, na sua foto de perfil.

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