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POR QUE OS CRÍTICOS DIZEM QUE PAULO FREIRE É DOUTRINADOR?

POR RODRIGO RATIER
DE NOVA ESCOLA.

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Paulo Freire completaria 96 anos em 2017

Quando algum curioso me pede indicação de algum livro sobre Educação, trago a resposta na ponta da língua: Pedagogia da Autonomia, a última obra lançada em vida por Paulo Freire, em 1996. Foi o livro que me mostrou que a Educação podia ser algo diferente. Para ser mais preciso: podia ser algo incrível.

O ano era 1999 e eu tinha começado a dar aulas num cursinho comunitário que ajudei a fundar. Primeira experiência em sala, eu falava mais que a boca – hoje me pergunto o que tanto dizia – e puxava lousa numa sala enfileirada. Ensinava como tinha aprendido, e com Freire aprendi que isso tinha um nome: Educação bancária, em que a gente se ilude achando que pode “depositar” o saber na cabeça dos alunos…

Pedagogia da Autonomia apresentava uma outra Educação. Em lugar do ensino transmissivo, o aprendizado construído pelos educandos com auxílio do professor.

Freire me mostrou que a Educação podia ser mais potente. Me aproximei dos alunos, mudei minha prática — e algumas coisas deram tão certo que me apaixonei pela docência a ponto de largar o jornalismo por um breve período só para dar aulas. Depois me reconciliei com a comunicação e há quase duas décadas levo junto as duas profissões.

Freire, o culpado pelos males do mundo

Divago, mas por uma razão. Toda vez que publicamos qualquer coisa sobre Paulo Freire há elogios, mas também aparece um bom punhado de comentários enfurecidos. Com esses últimos me espanto. Atribuem a Freire a culpa por tudo. Dizem – e aqui cito literalmente o que leio – que ele é o grande responsável pela má qualidade da Educação brasileira. Justo o Freire, nosso intelectual mais reconhecido no mundo…

Volto à Pedagogia da Autonomia e tento descobrir indícios dessa “culpa”. Não a encontro – e penso: um julgamento tão disparatado em relação a tudo que ele fez e escreveu só é possível em tempos estranhos como o que vivemos. Tempos em que a perigosa mistura de ignorância com sede de justiçamento guia o debate.

Talvez o aniversário de 96 anos de nascimento do patrono da Educação brasileira seja uma boa ocasião para vermos se param de pé os argumentos condenatórios. As acusações mais frequentes: Freire teria desmoralizado a profissão docente; seria o responsável pela perda de autoridade do professor; era doutrinador; e estava preocupado em criar um exército de militantes.

Por partes.

A defesa do professor como um profissional

A alegação de que ele teria destruído a autoridade do professor é, para mim, talvez a mais difícil de entender. Freire nunca disse que professores e alunos são iguais. Aliás, em Pedagogia da Esperança, ele afirma justamente o contrário:

“Os professores não são iguais aos alunos”.

A principal diferença, ele diz, é o conhecimento didático do educador. Ele precisa saber o que ensinar, como ensinar e ensinar a pensar. São essas – novamente suas palavras – as especificidades da tarefa de educar. É um equívoco dizer que Freire defende que o professor seja um militante (volto no final do texto). Ele defende que o professor seja… um professor!

Freire afirma que o educador deve ser um intelectual, pesquisando sobre seu ofício e, principalmente, refletindo sobre sua prática para melhorá-la. A atividade de ensinar é algo sério e que deve ser tratado com todo o rigor, como ele diz em Pedagogia da Autonomia:

“O professor que não leve a sério sua formação, que não estude, que não se esforce para estar à altura de sua tarefa, não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe.”

A autoridade não vem do medo, mas do conhecimento

Para Freire, o investimento do professor em aprimorar seu conhecimento é central. Além de ser a razão da profissão, é do conhecimento que emana seu respeito e autoridade. Freire combate o medo e a ameaça como estratégias docentes. Isso é autoritarismo, o sufocamento do pensar do educando.

Para ele, deve-se buscar o diálogo como forma de construir conhecimento, respeitando o “saber de experiências feito” – ou seja, os conhecimentos que qualquer pessoa traz para a sala de aula. Isso não significa envergar a vara para o polo oposto e instaurar um clima de “liberou geral”. Freire é claro ao dizer que tanto autoritarismo (exagero de autoridade) quanto a licenciosidade (ausência de regras) são rupturas do equilíbrio entre autoridade e liberdade. A disciplina, ele diz, só surge quando ambas estão presentes. É o que o professor deve buscar:

“Resultando da harmonia ou do equilíbrio entre autoridade e liberdade, a disciplina implica necessariamente no respeito de uma pela outra, expresso na assunção de que ambas fazem parte de limites que não podem ser transgredidos.”

Nesse sentido, erram tanto os professores que esmagam os alunos quanto os que não estabelecem normas:

“O professor que desrespeita a curiosidade do educando, (…) que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que ‘ele se ponha em seu lugar’ ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, (…) transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência.”

Em vez de doutrinação, curiosidade e questionamento constante

“Doutrinador” é o oposto do que Freire sempre foi. Pedagogia da Autonomia expressa com clareza a importância que ele confere à curiosidade e ao questionamento. São os motores da Educação. É por meio deles que os educandos constroem conhecimento. Aliás, é pondo em xeque o que sabemos que todos nós aprendemos. Inclusive o próprio Freire, que se definia como um “ser inacabado”, condicionado histórica e socialmente, capaz de mudar justamente por reconhecer esse condicionamento:

“Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado, mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele.”  

Freire defende a mudança. Para que ela ocorra, ele diz, é necessário, inicialmente, estar aberto a pontos de vista opostos. E a constantemente criticar – palavra sempre usada por Freire no sentido de questionar – diferentes opiniões. Especialmente a sua própria:

“Uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiadamente certo de nossas certezas.”

Situar a militância no contexto histórico

Por fim, a questão da militância, e de sua preocupação em formar – aspas necessárias – “exércitos de seguidores”. O que está em jogo, aqui, é a acusação de Freire ter defendido governos comunistas e de pregar a favor da revolução.

Não se trata, nem de longe, do cerne de sua obra. Esta baseia-se como dissemos, no diálogo como teoria e prática da Educação, em que a função do professor – vale repetir – é saber o que ensinar, como ensinar e ensinar a pensar. Freire não pratica nem defende o proselitismo. Desconsidera-se, também, o contexto em que muitas dessas colocações foram feitas – nas décadas de 1960 e 1970, durante o auge da Guerra Fria, com Freire exilado pela ditadura militar brasileira. Ainda, congela no tempo o que ele escreveu, como se fosse sua opinião definitiva e escrita em pedra, e não a de um ser inacabado, em constante autocrítica.

Penso que a chave de leitura sobretudo dos escritos mais antigos de Freire precisa considerar os aspectos acima. E também aplicar a metodologia freireana do diálogo, exercitando o pensamento crítico e a empatia com alguém que, afinal de contas, é de carne e osso. Freire não é um oráculo. Não é Deus.

Exercitando o pensamento crítico que ele tanto estimulou, posso não concordar – e não concordo – com essas opiniões específicas. Mas posso compreender as razões que levaram Freire a defender, num determinado momento histórico, regimes que cedo ou tarde se tornaram ditaduras. O fato é que ele sempre se posicionou, fez escolhas – e, em alguns casos, pagou o preço por elas.

Nunca teve medo de enunciá-las. Leu Marx, trabalhou com o conceito de classe, mas não se limitou a ele: definia-se como um progressista, encarava a realidade como injusta e lutava para fosse outra. Como tantas vezes repetiu, não enxergava a Educação como coisa neutra. A que ele propunha, evidentemente, também não era. Entre enquadrar os alunos ou ajudá-los a serem autônomos, ele opta pela emancipação. Entre a Educação que reproduz desigualdades e a que as transforma, ele opta pela transformação. Utopicamente, Freire defende uma transformação radical. Numa palavra, revolucionária – é nesse sentido, que não tem a ver com tomada violenta do poder, que ele emprega o termo em Pedagogia da Autonomia.

Você pode concordar ou discordar. Para mim, os pontos centrais das ideias de Freire fazem muito sentido. Seguem atuais e me ajudaram em minha atuação como professor. São um sopro de esperança nessa época dura em que vivemos. Você pode pensar diferente. Acho que ele, como homem do diálogo, o chamaria para uma conversa. Como a ocorrida com o pesquisador americano Chester Bowers, em 1987, que ele relata em Pedagogia da Esperança:

“Discordamos quase totalmente durante uma hora e meia sem que, porém, precisássemos nos ofender, nos destratar. Simplesmente defendíamos nossas posições que se contradiziam, mas não tínhamos por que distorcer um ao pensamento do outro.”

 

ORIGINAL: https://novaescola.org.br/conteudo/6774/por-que-os-criticos-dizem-que-paulo-freire-e-doutrinador

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CÂMARA ITINERANTE VIRA PROVA DE FOGO E LEVANTA DEBATES

Câmara Itinerante se transforma em prova de fogo para o governo municipal.  A primeira sessão aconteceu em Antônio Conselheiro e choveram reclamações.

POR RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

A última sessão da Câmara dos Vereadores aconteceu na segunda-feira (25/09), fugiu do padrão e foi até o assentamento Antônio Conselheiro para ser realizada, foi mais uma edição da denominada Câmara Itinerante. O projeto reúne ações conjuntas do  poder legislativo e executivo para atender demandas diretamente  nas comunidades rurais. 

Esta dinâmica de conduzir a Câmara para outros lugares surgiu na gestão da ex-vereadora Francisca Pinheiro e foi executado durante o ano de 2013 – e deu muita dor de cabeça à prefeita Fafá (PMDB) – apesar de ser um excelente projeto na sua essência, expõe diretamente o Poder Executivo às comunidades que geralmente são as menos atendidas por seus serviços.

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A população compareceu (Foto: Divulgação)

Esse “ponto fraco”  foi exposto na reunião do dia 25.  Após 8 meses de governo, sem grandes ações nas comunidades rurais, com uma crise financeira causada pela considerada má administração dos primeiros meses de mandato, e atraso no pagamento de fornecedores e funcionários, os secretários, vereadores e aliados do Prefeito Renato de Doquinha (PSD) tiveram que suportar o bombardeio de reclamações que veio da população que compareceu a sessão.

A situação da E. M. Profº Paulo Freire foi que chamou mais atenção pelo relato da falta de estrutura de água encanada, irregularidade na merenda e a falta de materiais básicos, seguida da já comum falta de transporte escolar. Outra reclamação que não sai da pauta de discussão das comunidades é a falta de transporte de urgência da saúde, que apesar de ser suspenso na reta final do mandato da ex-prefeita continuou sem execução nesse ano.

O fato é que esses acontecimentos surtem efeito rápido e justamente no último sábado (30) a água encanada foi estabelecida para a escola. Veja mais do que rolou na sessão:

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Os vereadores da oposição apresentaram seis requerimentos de melhoria à comunidade do Antônio Conselheiro e comunidades vizinhas, enquanto os vereadores da bancada do prefeito apenas um – dando sustentação ao discurso do prefeito e secretários de que está tudo bem.

Ponto Positivo

Um ponto positivo da pauta desse dia tenso foi a aprovação do Projeto Parlamento Jovem, que ainda não teve detalhes divulgados pela assessoria da Câmara de Vereadores. Mas promete mobilizar mais as comunidades para as discussões políticas.

Contradição

Embora o Secretário de Educação e Cultura, o Sr. Nivaldo Batista, tenha sido contundente nas suas afirmações de que a escola da comunidade de Antônio Conselheiro estaria com seu funcionamento normal quanto a merenda, transporte e materiais didáticos, os cidadãos inscritos para sessão não pouparam críticas contradizendo a versão do Secretário. Inclusive a própria diretora, Maria dos Anjos, desmentiu as afirmações de Nivaldo.

Coisa de comício

Evento popular tem dessas coisas. Populares próximos a bancada dos vereadores gritavam e opinavam a favor e contra o governo, quebrando o sossego da sessão. Além disso acusações, provocações e flashbacks das últimas eleições povoaram essa emocionante Sessão da Câmara. 

Frases como “Tá lindo, tá lindinho” e “O vermelho acabou”, marca da campanha dos duas chapas, foram lembradas.

Prefeito sob pressão

Cansada de dar explicações sobre a ausência do prefeito após a sua convocação pela câmara de vereadores a presidente da Câmara Maria Clézia (PSD) decidiu trancar a pauta. Simplesmente não serão mais votados projetos do poder executivo até que o prefeito compareça a uma sessão ordinária para prestar os esclarecimentos solicitados pelos vereadores.

SETEMBRO CIDADÃO TEM INICIO EM SÃO MIGUEL DO GOSTOSO

A Escola Estadual Olímpia Teixeira iniciou nessa sexta-feira (01) o Setembro Cidadão, com uma intensa programação para todo mês de setembro.

POR #OLÍMPIANOS
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Nessa sexta-feira (01) a Escola Estadual Olímpia Teixeira iniciou as atividades do “Setembro Cidadão” com um dia palestras e mesas redondas com especialistas abordando temas como: Gravidez Precoce e DST’s, Drogas na Juventude, Politicas públicas, Segurança Pública, Educação Patrimonial, Feminismo e Violência Doméstica. A abertura dos trabalhos teve seu momento cívico com a execução do Hino Nacional e o hasteamento da bandeira, nos turnos matutinos e noturno.

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Concentração de Alunos para abertura do Setembro Cidadão (Foto: Pedro Lucas)

Foi programado um mês de atividades e homenagens denominado de “Belas Artes do RN”, cuja participação dos alunos e a valorização da instituição escolar são o grande foco de todas as atividades.

O ponto alto do Setembro Cidadão será a programação cultural que será aberta ao público nos dias 13 , 20 e 28 e vai contar com atrações musicais, teatrais, danças, desfiles e feira de produtos artesanais.

Programação

  • 13 (Quarta), 19h, 2° Lual Literário.
  • 20 (Quarta), Dia D da Família na Escola
    8h às 22h,
    Feira Cultural com exposição e venda de produtos locais
    19h,
    Show de Talentos
  • 28 (quinta), 19h, Concurso Miss e Mister Olímpia Teixeira 2017.
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Hasteamento da Bandeira pelos alunos (Foto: Pedro Lucas)
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Equipe do Turno Matutino

EDUCAÇÃO INFANTIL É LUGAR PARA HOMEM? ELES MOSTRAM QUE SIM

A baixa participação de homens nessa faixa da educação tem raiz em grande medida na divisão sexual do trabalho, social e historicamente motivada.

POR GUILHERME AZEVEDO
DO UOL, EM SÃO PAULO
FOTOS: RICARDO MATSUKAWA.

Os professores Douglas (esq.) e Eduardo formam uma minoria na educação de crianças no Brasil

(Descrição da foto: Os professores Douglas (esq.) e Eduardo formam uma minoria na educação de crianças no Brasil)

Eduardo Carmelo Conidi, 42, natural de São Paulo, e Douglas Sanches da Silva, 36, de Osasco (Grande São Paulo), fazem parte de uma minoria no Brasil: a dos homens que escolheram ser professores de crianças, trabalhando com educação infantil, universo historicamente ocupado (quase) exclusivamente por mulheres.

Segundo o Censo Escolar 2016, estudo oficial com os dados mais recentes da educação básica no Brasil, há hoje 575 mil docentes na educação infantil brasileira, sendo 554 mil mulheres e 21 mil homens. Quer dizer, para cada professor homem numa creche ou sala de pré-escola, há 26 mulheres.

A baixa participação de homens nessa faixa da educação tem raiz em grande medida na divisão sexual do trabalho, social e historicamente motivada.

“A docência dedicada à infância é uma área profissional que ilustra a segmentação decorrente dessa perspectiva de divisão sexual do trabalho, com o trabalho das mulheres associado à esfera reprodutiva e o dos homens, à esfera produtiva. A educação de crianças pequenas é associada ao âmbito do trabalho doméstico e à esfera reprodutiva, sendo, dessa forma, naturalizada como área de atuação feminina”, afirmam as pesquisadoras Mariana Kubilius Monteiro e Helena Altmann, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), no estudo “Homens na Educação Infantil: Olhares de Suspeita e Tentativas de Segregação”.

As autoras explicam que a “ideologia naturalizadora” de trabalhos exclusivos para homens e para mulheres se orienta também segundo perspectiva hierárquica, isto é, que atribui valor maior ao trabalho executado por homens. Daí uma das razões, pontuam, para o salário mais baixo pago aos professores de educação infantil em relação, por exemplo, ao pago aos professores de educação superior.

Apesar do destino comum, as origens das trajetórias de Eduardo e Douglas com a educação infantil têm características próprias.

“Você está realizando meu sonho por mim”

Douglas Sanches da Silva, hoje professor de educação fundamental 1 do Colégio Soka do Brasil, em São Paulo, sempre soube o que queria: “Quando criança, me perguntavam o que queria ser quando crescesse, eu já dizia que ia ser ‘professoro'”, relembra, ressaltando o gênero também masculino da profissão, na invenção de vocabulário infantil.

Único filho homem de sua família (ele tem também uma irmã, Deise, mais nova), Douglas precisou frustrar os planos do pai, Nelson, para se tornar professor: “Meu pai queria que eu fizesse Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial]. Ele ficou muito, muito bravo comigo à época.”

Nelson, hoje com 65 anos, estudou até o quinto ano da educação básica e queria, claro, ajudar: o filho seguiria uma carreira segura, semelhante à sua, como empregado de fábrica –ele trabalhava na multinacional ABB, gigante do setor elétrico. Com o curso do Senai do filho não seria difícil conseguir uma vaga para ele na empresa também. Tal pai, tal filho.

Com o apoio da mãe, Naíra, e apesar da contrariedade do pai, Douglas concluiu o magistério, aos 16 anos.

A grande surpresa e revelação se deu na noite da festa de formatura. Ele relembra com emoção: “Naquele momento vi meu pai como nunca tinha visto em toda a minha vida: ele estava com lágrima nos olhos. Ele olhou, me abraçou e falou: ‘Obrigado’. ‘Mas por que obrigado?’, perguntei. ‘Desculpe a posição que tive, na verdade eu queria ser professor. Você está realizando um sonho por mim.’ Ele não pôde estudar, por força de trabalho e da estrutura da família dele. Eu lutei contra tudo aquilo e aí ele criou coragem para me falar. A vontade do meu pai era ser professor de matemática”. Tal pai, tal filho.

(Descrição da foto: Douglas e a aula de geometria)

“A minha bagagem foi muito importante”

Eduardo Carmelo Conidi, professor de grupo 1 (de crianças de um ano e meio a pouco mais de dois anos) da escola Estilo de Aprender, na capital paulista, sempre gostou muito de crianças, de brincar com elas, mas só viria a se envolver mais profundamente com o universo infantil após uma perda dolorosa.

“Minha primeira mulher [Mônica] morreu em 2001, em decorrência de um tumor no intestino. E eu fiquei com os cuidados de pai e mãe [do primeiro filho, Igor]. Cuidava, dava banho, comida. Foi o contato mais expressivo que tive na minha vida”, aponta.

Da união com sua segunda mulher, Roberta, jornalista especializada em educação, nasceu o interesse formal por ser professor de educação infantil, intenção depois formalizada com o ingresso numa faculdade de pedagogia, paralelamente ao nascimento de seus dois outros filhos, Lorena e Giorgio.

Eduardo só veio a entrar numa sala de aula de educação infantil há seis anos, aos 36 anos de idade. Mas começou a trabalhar cedo, já aos 9 anos, com o pai, Francesco, alfaiate. Depois, aos 14, se tornaria operário da fábrica Lorenzetti, montando chuveiros, passando depois pelo ramo de turismo e até trabalhando como motoboy de um grande banco.

“Essas experiências foram muito importantes, porque na educação você acaba fazendo um pouco de tudo, montando uma coisa aqui, desmontando outra lá, pegando, puxando, subindo, descendo, articulando com várias coisas. Quanto maior é o seu universo de conhecimento, melhor é para oferecer boas experiências aos estudantes. A minha bagagem foi muito importante”, sublinha.

 

(Descrição da foto: Eduardo vê mágica na relação com os pequenos)

“Não me avisaram que não tinha professora”

Douglas assumiu suas primeiras turmas de educação infantil no segundo semestre de 1999: uma de maternal, de manhã, e outra à tarde com alunos que ficam período integral numa escola de Guarulhos (Grande São Paulo).

O argumento para vencer a resistência da própria escola a possíveis reações contrárias dos pais a um professor homem em sala foi este aqui: “Se ele tem o direito de fazer magistério, as meninas [professoras] também têm. Se a questão é uma troca de fraldas, como ele vai se portar com as crianças, as meninas podem ter uma conduta errada também. O diploma dele não tem nada de diferente, é o mesmo delas. Então, vamos arriscar”, cita Douglas, relembrando a discussão.

“A princípio, foi complicado com os pais dos menores. De passar uma situação de a mãe chegar à sala e falar: ‘Quero saber onde está a professora da minha filha! A minha filha jamais vai ficar com um troglodita desse tamanho! Por que não me avisaram que não tinha professora?’. Mas ela mesma me agradeceu no fim do ano e disse que traria o outro filho mais novo para ser cuidado por mim.”

 

Douglas assume que “o perfil masculino assusta”, porque ainda é incomum a posição do homem no cuidado dos pequenos, mas diz ter aprendido uma lição nos 20 anos que soma de profissão.

“Você precisa ter uma estrutura muito grande para aguentar toda essa negatividade e essa dúvida e dar a oportunidade de os pais te conhecerem. Quando você tem esse relacionamento transparente e mostra que consegue avaliar o desenvolvimento de uma criança, eles se abrem de maneira encantadora. O que me deu força para seguir é essa garra de empreitar para transformar essa situação. Alguns desistiram, eu não ia desistir.”

Ricardo Matsukawa/UOL

“Se o amigo não sabe, o amigo tem o direito de perguntar para aprender”, diz Douglas

Eduardo avalia a presença mínima de homens na educação infantil como decorrente do “papel higienista” conferido historicamente à escola, como espaço onde a criança vai ser alimentada e limpa por mulheres, que fazem as vezes das mães, que ainda resiste no presente.

“Aqui [na escola Estilo de Aprender, onde há outros homens trabalhando como professores, numa proporção de quase equivalência com as mulheres] é como se a gente fosse uma ilha. Há ainda muitas escolas higienistas, aquilo tudo limpinho, as mulheres todas de uniforme, as crianças todas de uniforme branquinho, limpinho. O universo masculino é só para arrumar a porta, pintar uma parede, trocar uma luz, quando ainda não tem ninguém na escola. Isso é ainda bem separado hoje.”

Para Eduardo, ser professor é uma brincadeira alegre

“A escola não é um depósito de crianças”

Douglas e Eduardo escolheram serem professores dos pequenos porque veem espaço privilegiado para a criação e a emoção.

“Entendi que a educação infantil não era só assistencialista, não era só trocar uma fralda, cuidar bem de uma criança. Tinha potencial ali dentro, porque eu poderia criar com aquelas crianças”, frisa Douglas.

 

“A educação infantil é única. O momento em que estou com elas ali não vai voltar mais. Se eu pegar uma turma de primeiro ano, é o único primeiro ano da vida daquelas crianças. Então tem que ser o primeiro ano que marque a vida delas. Você precisa saber o que vai fazer, a escola não é um depósito de crianças.”

 

“Quanto menores as crianças, mais legais, porque são muito verdadeiras. Essas relações acontecem como mágica. Todo dia é uma coisa diferente, pode ser até a mesma coisa, mas diferente”, descreve Eduardo.

 

“O olhar que elas têm sobre o mundo ainda é de maravilhamento, de descoberta, de experimentar gostos, pegar coisas. São sensações e emoções bem profundas, que marcam muito a criança. E quanto mais tranquilas são essas experiências, mais calmas essas crianças se tornam. Ficam mais seguras de estar ali com você, um adulto.”

(Descrição da foto: Trabalhos de alunos em paredes da escola Estilo de Aprender)

“A mudança que se quer começa com o pequenininho”

O fato de ter um professor homem em sala pode se converter em ganhos para todos, conforme a experiência dos próprios professores, em nome até da diversidade.

“Eu empodero primeiro meus alunos, dou responsabilidade. E eles ficam mais autônomos, têm menos medo de errar, se tornam mais críticos e abertos. Começam a entender a diferença de habilidade dos gêneros, mas não mais o ‘isso é de homem e isso é de mulher’. Diminui o conflito entre eles. Eles já veem em você algo ousado, porque seu papel e modo de agir já são diferentes”, qualifica.

(Descrição da foto: A presença masculina pode trazer ganhos para os alunos)

“A vibração que a gente tem, as brincadeiras corporais, aquilo de brincar de lutinha, medir força, aqui a gente pode propor também essas brincadeiras de forma leve, respeitar o corpo do outro, brincar junto, dar a mão, fazer uma roda, pular junto, pegar na mão para pular junto, descer o escorregador de trenzinho com todo mundo junto. Acho que essa é uma energia masculina. Claro que as mulheres têm também essa energia, mas acho que nos homens isso é mais forte, de força, levantar, pôr na árvore”, identifica Eduardo.

 

(Descrição da foto: Sala de aula da escola Estilo de Aprender)

Ao lado da desinformação, Eduardo cita também o comodismo do lado masculino na questão de haver poucos homens no infantil: “Uma coisa é ter isso [de profissão de mulher] como verdade socialmente falando, outra é você se arriscar, dizer: ‘Quero experimentar'”.

Assume que a profissão exige certo tipo de perfil, uma vez que as crianças choram, fazem barulho, querem atenção, mas diz não ver lugar melhor para quem quer contribuir com um mundo melhor: “Quando você tem a experimentação de estar numa sala de aula, se aproxima dessas pequenas pinceladas que pode dar no mundo, suas contribuições, as transformações que podem acontecer em muitas vidas que passam por você, então você acaba sendo picado pelo bichinho da educação. E não quer mais sair. Eu não quero”. Daí o seu convite: “Tem que experimentar e refletir sobre que mundo a gente pode construir a partir da educação infantil e da educação em geral. A mudança que se quer começa com o pequenininho”.

No colégio Soka se encerra mais um dia de aula. “Quem está com a mesa organizada, com o material dentro do estojo, pode des…” E os alunos completam a fala do “prô” Douglas, em coro: “… CER!”. “Quer me ver infeliz é me deixar fora de sala de aula. Já tentei, não consegui”, avisa, depois de passar a lição de casa de matemá… TICA!

 

ORIGINAL: https://educacao.uol.com.br/noticias/2017/09/02/educacao-infantil-e-lugar-de-homem-eles-mostram-que-sim.htm

 

 

SINTE DE SÃO MIGUEL DO GOSTOSO ELEGE NOVO COORDENADOR

O professor Elexandro Menezes (Leleco) foi eleito na última segunda (28) coordenador do Núcleo do SINTE/RN em São Miguel do Gostoso.

RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Na última segunda (28) aconteceu a eleição do Núcleo Municipal do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no RN (SINTE/RN). Depois de vários anos de chapa única da atual presidente, Clésia Cardoso, tivemos uma disputa entre a  Chapa 1, liderada pelo Profº Elexandro Menezes (Leleco) contra a Chapa 2 representada pela Profª Luzia de Assis.

Foram instaladas duas urnas, um na Escola Municipal Coronel Zuza Torres, sede de São Miguel do Gostoso e uma segunda urna volante que percorreu as comunidades rurais. Foram apurados 81 votos, 36 da Chapa 2 contra 42 da Chapa 1, que garantiu a vitória por 6 votos de maioria, ainda houveram 2 votos nulos e 1 voto em branco.

A eleição aconteceu após a pressão dos profissionais da educação que questionam o acumulo de cargos  a representatividade da Profª Clésia Cardoso, que também é presidente da Câmara dos Vereadores e do partido do atual prefeito (PSD).

Elexandro, Coordenador pela Chapa 1 (a dir.) e Alana, fiscal da Chapa 1 (a esq.)

A atual presidente e integrante da Chapa 2, Clésia Cardoso, publicou a seguinte nota nas redes sociais:

“Parabéns a chapa 1! Agradeço, em nome da CHAPA 2, a cada um dos 36 votos. Como disse antes, que VENCEDORA seja a Categoria. #JuntoSomosMaisFortes!! Sempre. Parabéns aos vencedores e que Deus se coloque a frente de todos nós”

O representante da Chapa 1, Elexandro Menezes (Leleco) declarou:

“Confiei sempre em Deus e nas pessoas desse grupo, a vitória com certeza é de todos. Agradeço a todos que acreditam e deram seu voto de confiança a Chapa 1. Agora vamos a luta, vamos nos reunir pois há muito a ser feito.”

A chapa vencedora tem a seguinte composição:

  • Coordenação: Elexandro de P. Menezes
  • Diretoria de Organização: Simone Fonseca e Elias Luiz de França
  • Diretoria de Comunicação: Suely Paula  e Alexandra Miranda
  • Diretoria de Assuntos Educacionais: Francisca Irani e Marileide A. C. Brito
  • Diretoria de Assuntos Jurídicos: Laudelino Martins e Gerciene Farias
  • Diretoria Financeira: Geraldo Barbosa e Leonardo Aciole

A nova diretoria ainda não tem data definida para assumir.

FALTA DE TRANSPORTE ESCOLAR NOVAMENTE AMEAÇA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO

Atraso no pagamento de transporte escolar causa nova paralisação e ameaça a qualidade da educação na rede municipal e estadual.

POR RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Desde sexta-feira (4) diversas linhas de transporte escolar deixaram de circular em São Miguel do Gostoso/RN, e segundo informações fornecidas pelos próprios motoristas o motivo seria a falta de pagamento. O problema atinge principalmente a rota Cruzamento – São Miguel do Gostoso, e Antônio Conselheiro – São Miguel do Gostoso, atingindo as comunidades rurais mais populosas do município.

O problema que aterrorizou professores e alunos no final de 2016, volta a assombrar a educação de Gostoso, atingindo tanto a rede pública quanto a rede estadual. Um dos pilares que possibilita uma educação igualitária e de qualidade é o financiamento do transporte escolar, a falta de transporte impede que vários alunos acessem a escola, já que algumas rotas percorrem 30 km de estradas de barro.

O aluno que perdeu aula, na realidade não terá o mesmo desempenho daquele que assistiu aula, da mesma forma o professor tem seu planejamento prejudicado pois perde em alguns casos mais de 50% dos seus alunos e se vê sem condições de avançar com os conteúdos. O maior prejuízo dessa falta de gestão do transporte escolar é a obvia perda na qualidade de ensino. Outro problema gerado pela falta de transporte escolar é a insegurança, já que muitos alunos optam por vir de moto da zona rural para não perder aula.

 

Em contato com o Secretário de Educação e Cultura de Gostoso, o Sr. Nivaldo Batista, o mesmo não quis dar esclarecimentos por telefone outro meio de comunicação, disse que falaria apenas pessoalmente sobre o problema. Apesar de ter recebido já a terceira parcela do repasse do PETERN (recursos estadual) e estar com as cotas do PNATE (recurso federal) em dia o relato de atrasos no pagamento do transporte escolar é constante

Sem posição sobre os transportes, as escolas públicas seguem as aulas com seu planejamento e o rendimento dos alunos prejudicado.

8 JEITOS DE PROMOVER O EMPODERAMENTO FEMININO DESDE A ALFABETIZAÇÃO

POR MARA MANSANI
BLOG DA ALFABETIZAÇÃO, NOVA ESCOLA.

 

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Leitura são bons momentos para incentivar a tolerância.

 

Acho que nunca ouvimos falar de tantos casos de violência e discriminação contra as mulheres como nos dias atuais. É preciso dar um basta nessa vergonha! E todos nós, educadores, temos que abrir o diálogo e, principalmente, desenvolver boas práticas em nossas escolas que garantam a equidade e empoderem nossas meninas. Paulo Freire sabiamente dizia que “a Educação liberta”.

Foi em minha casa, no seio de minha família, que aprendi que todos precisam e merecem ser respeitados, mas foi na escola que isso se fortaleceu em mim. Justamente nela, em que muitas vezes se disseminam ideias como “meninas não são para a área de exatas”, “meninas são fofoqueiras”, “meninas são frágeis e os meninos, fortes” etc. Esse tipo de discriminação se apresenta em coisas aparentemente sem importância, como as cores de capas de cadernos ou de uniformes, em grupos de estudo onde os garotos não se misturam com as garotas.

Como alfabetizadora, me esforço constantemente para combater esse tipo de segregação. E todos os anos, durante a semana do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, promovo diversas atividades que valorizam a participação da mulher na sociedade. O intuito é levar as crianças a refletirem, desde pequenas, sobre comportamentos e atitudes em relação ao problema.

Vou contar a vocês um pouco dessas práticas que venho desenvolvendo ao longo desses anos e que podem servir de inspiração:

  1. Explore biografias de mulheres que fizeram a diferença

A cada ano, pesquiso e amplio a minha lista de mulheres maravilhosas, que inclui nomes como Carolina Maria de Jesus, Zilda Arns, Chiquinha Gonzaga, Irmã Dulce, Maria da Penha, Malala, Luiza Mahin e muitas outras, sem contar as que fazem parte da comunidade escolar. É sempre emocionante descobrir com os alunos que essas mulheres inspiradoras fazem parte da nossa vida, mas muitas vezes suas histórias são ignoradas. Com biografias, que são textos informativos, pode-se explorar a leitura e interpretação de texto, a escrita de listas de nomes ou produções no formato “Você sabia?”.

Certa vez, uma turma de alunos do 2º ano produziu um pequeno vídeo com a história de dona Ifigênia, matriarca e líder quilombola do Cafundó, aqui em Salto de Pirapora, no interior de São Paulo. Depois de editado, ficou mais ou menos como um programa de TV, que editamos facilmente no computador (na internet, há muitos programas gratuitos para isso).

  1. Faça um painel de imagens sobre mulheres

O tema desse painel temático também pode girar em torno dessas grandes figuras, mas também de profissões que eram tidas como masculinas e que as mulheres vêm exercendo, entre outros enfoques possíveis. Pode-se escolher figuras e produzir legendas em duplas, primeiro com o uso de letras móveis e depois, com as intervenções do docente, no papel. O painel pode ser exposto para toda a escola.

  1. Organize rodas de conversa sobre o tema

Faça uma lista com questionamentos que possam abrir um debate:  quais são as brincadeiras consideradas de meninas e de meninos? Menino chora? Em casa, quais são as tarefas das mulheres? Facilite a conversa exercendo o papel de mediadora e procure estimular a participação de todos. Além disso, prepare-se antes para intervir. Se possível, traga informações e dados sobre os assuntos debatidos.

Fiz muitas vezes essas rodas temáticas com crianças, mas também com os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), explorando o papel da mulher e do homem nas famílias e a Lei Maria da Penha. Posso dizer que as rodas de conversa pegavam fogo!

  1. Escolha livros que discutam o papel da mulher

Muitas obras que exploram esse tema podem ser trazidas para a sala de aula. Sugiro algumas que já utilizei:

  • Malala – A menina mais corajosa do Mundo, de Viviana Mazza
  • O diário de Anne Frank, de Anne Frank
  • Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado
  • O cabelo de Lelê, de Valéria Belém
  • Ceci tem pipi?, de Thierry Lenain
  • O diário de Zlata – A vida de uma menina na guerra, de Zlata Filipovic
  • Tudo bem ser diferente, de Todd Parr
  • Frida Kahlo para meninas e meninos, de Nadia Fink
  1. Leve músicas de cantoras brasileiras

Exploro sempre a obra de nossas grandes cantoras e compositoras, que são a prova viva da capacidade artística das mulheres. Chiquinha Gonzaga, Nara Leão, Adriana Calcanhoto e outras artistas levam a turma a cantar e dançar!

  1. Proponha a escrita de cartas

Vale propor que a turma escreva cartas para as mulheres que são importantes em suas vidas ou que queiram homenagear. Essa é mais uma maneira de envolver, em uma atividade de produção de texto, uma atitude de valorização das mulheres. É sempre muito emocionante, para mim, ver o que as crianças escrevem para mães, avós, tias e tantas outras.

  1. Elabore atividades de entrevista

É outra maneira interessante de abordar o assunto. Peça que os alunos realizem entrevistas com as mulheres que se destacam na comunidade escolar. Na alfabetização, sou a escriba que, junto com os alunos, redige as perguntas a serem feitas à entrevistada – sempre escolhida pela turma. A entrevista pode ser gravada.  Eles adoram, se sentem verdadeiros jornalistas e aprendem muito com a experiência de vida dessas mulheres! Com os alunos de um 1º ano, certa vez, entrevistamos a merendeira da escola e foi um sucesso.

  1. Leve filmes

Alguns longas-metragens, inclusive de animação, além de divertidos, rendem boas discussões sobre o protagonismo das mulheres. Entre os vários títulos que exibo aos meus alunos pequenos, sugiro os seguintes:

  • Matilda, (Danny DeVito, 1h42)
  • A menina e o porquinho
  • Mulan (Tony Bancroft e Barry Cook, 1h28)
  • A viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2h05)

A última sugestão que deixo para vocês é que conheçam um projeto muito especial, o Mulheres Inspiradoras, coordenado pela professora Gina Vieira Ponte de Albuquerque. Desenvolvido em uma escola pública de Ceilândia, conquistou diversos prêmios, entre eles o Prêmio Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos “Óscar Arnulfo Romero”, promovido pela Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), e foi um dos destaques da reportagem de capa de NOVA ESCOLA de setembro de 2016. Essa maravilhosa professora transformou sua prática pedagógica em uma ferramenta potente de transformação da vida de suas alunas e alunos. Uma iniciativa realmente inspiradora!

E vocês, queridos professores, contem aqui nos comentários como vêm sendo tratada a questão das mulheres e da equidade em suas escolas!

Ah, e antes de encerrar, quero dar os parabéns a todos educadores que promovem a equidade em suas escolas e deixar um beijo especial a minha mãe Rayld, por sempre me ensinar a lutar pelos meus direitos e pelos direitos de todos!

Um abraço,

Mara Mansani