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FALTA DE TRANSPORTE ESCOLAR NOVAMENTE AMEAÇA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO

Atraso no pagamento de transporte escolar causa nova paralisação e ameaça a qualidade da educação na rede municipal e estadual.

POR RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Desde sexta-feira (4) diversas linhas de transporte escolar deixaram de circular em São Miguel do Gostoso/RN, e segundo informações fornecidas pelos próprios motoristas o motivo seria a falta de pagamento. O problema atinge principalmente a rota Cruzamento – São Miguel do Gostoso, e Antônio Conselheiro – São Miguel do Gostoso, atingindo as comunidades rurais mais populosas do município.

O problema que aterrorizou professores e alunos no final de 2016, volta a assombrar a educação de Gostoso, atingindo tanto a rede pública quanto a rede estadual. Um dos pilares que possibilita uma educação igualitária e de qualidade é o financiamento do transporte escolar, a falta de transporte impede que vários alunos acessem a escola, já que algumas rotas percorrem 30 km de estradas de barro.

O aluno que perdeu aula, na realidade não terá o mesmo desempenho daquele que assistiu aula, da mesma forma o professor tem seu planejamento prejudicado pois perde em alguns casos mais de 50% dos seus alunos e se vê sem condições de avançar com os conteúdos. O maior prejuízo dessa falta de gestão do transporte escolar é a obvia perda na qualidade de ensino. Outro problema gerado pela falta de transporte escolar é a insegurança, já que muitos alunos optam por vir de moto da zona rural para não perder aula.

 

Em contato com o Secretário de Educação e Cultura de Gostoso, o Sr. Nivaldo Batista, o mesmo não quis dar esclarecimentos por telefone outro meio de comunicação, disse que falaria apenas pessoalmente sobre o problema. Apesar de ter recebido já a terceira parcela do repasse do PETERN (recursos estadual) e estar com as cotas do PNATE (recurso federal) em dia o relato de atrasos no pagamento do transporte escolar é constante

Sem posição sobre os transportes, as escolas públicas seguem as aulas com seu planejamento e o rendimento dos alunos prejudicado.

8 JEITOS DE PROMOVER O EMPODERAMENTO FEMININO DESDE A ALFABETIZAÇÃO

POR MARA MANSANI
BLOG DA ALFABETIZAÇÃO, NOVA ESCOLA.

 

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Leitura são bons momentos para incentivar a tolerância.

 

Acho que nunca ouvimos falar de tantos casos de violência e discriminação contra as mulheres como nos dias atuais. É preciso dar um basta nessa vergonha! E todos nós, educadores, temos que abrir o diálogo e, principalmente, desenvolver boas práticas em nossas escolas que garantam a equidade e empoderem nossas meninas. Paulo Freire sabiamente dizia que “a Educação liberta”.

Foi em minha casa, no seio de minha família, que aprendi que todos precisam e merecem ser respeitados, mas foi na escola que isso se fortaleceu em mim. Justamente nela, em que muitas vezes se disseminam ideias como “meninas não são para a área de exatas”, “meninas são fofoqueiras”, “meninas são frágeis e os meninos, fortes” etc. Esse tipo de discriminação se apresenta em coisas aparentemente sem importância, como as cores de capas de cadernos ou de uniformes, em grupos de estudo onde os garotos não se misturam com as garotas.

Como alfabetizadora, me esforço constantemente para combater esse tipo de segregação. E todos os anos, durante a semana do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, promovo diversas atividades que valorizam a participação da mulher na sociedade. O intuito é levar as crianças a refletirem, desde pequenas, sobre comportamentos e atitudes em relação ao problema.

Vou contar a vocês um pouco dessas práticas que venho desenvolvendo ao longo desses anos e que podem servir de inspiração:

  1. Explore biografias de mulheres que fizeram a diferença

A cada ano, pesquiso e amplio a minha lista de mulheres maravilhosas, que inclui nomes como Carolina Maria de Jesus, Zilda Arns, Chiquinha Gonzaga, Irmã Dulce, Maria da Penha, Malala, Luiza Mahin e muitas outras, sem contar as que fazem parte da comunidade escolar. É sempre emocionante descobrir com os alunos que essas mulheres inspiradoras fazem parte da nossa vida, mas muitas vezes suas histórias são ignoradas. Com biografias, que são textos informativos, pode-se explorar a leitura e interpretação de texto, a escrita de listas de nomes ou produções no formato “Você sabia?”.

Certa vez, uma turma de alunos do 2º ano produziu um pequeno vídeo com a história de dona Ifigênia, matriarca e líder quilombola do Cafundó, aqui em Salto de Pirapora, no interior de São Paulo. Depois de editado, ficou mais ou menos como um programa de TV, que editamos facilmente no computador (na internet, há muitos programas gratuitos para isso).

  1. Faça um painel de imagens sobre mulheres

O tema desse painel temático também pode girar em torno dessas grandes figuras, mas também de profissões que eram tidas como masculinas e que as mulheres vêm exercendo, entre outros enfoques possíveis. Pode-se escolher figuras e produzir legendas em duplas, primeiro com o uso de letras móveis e depois, com as intervenções do docente, no papel. O painel pode ser exposto para toda a escola.

  1. Organize rodas de conversa sobre o tema

Faça uma lista com questionamentos que possam abrir um debate:  quais são as brincadeiras consideradas de meninas e de meninos? Menino chora? Em casa, quais são as tarefas das mulheres? Facilite a conversa exercendo o papel de mediadora e procure estimular a participação de todos. Além disso, prepare-se antes para intervir. Se possível, traga informações e dados sobre os assuntos debatidos.

Fiz muitas vezes essas rodas temáticas com crianças, mas também com os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), explorando o papel da mulher e do homem nas famílias e a Lei Maria da Penha. Posso dizer que as rodas de conversa pegavam fogo!

  1. Escolha livros que discutam o papel da mulher

Muitas obras que exploram esse tema podem ser trazidas para a sala de aula. Sugiro algumas que já utilizei:

  • Malala – A menina mais corajosa do Mundo, de Viviana Mazza
  • O diário de Anne Frank, de Anne Frank
  • Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado
  • O cabelo de Lelê, de Valéria Belém
  • Ceci tem pipi?, de Thierry Lenain
  • O diário de Zlata – A vida de uma menina na guerra, de Zlata Filipovic
  • Tudo bem ser diferente, de Todd Parr
  • Frida Kahlo para meninas e meninos, de Nadia Fink
  1. Leve músicas de cantoras brasileiras

Exploro sempre a obra de nossas grandes cantoras e compositoras, que são a prova viva da capacidade artística das mulheres. Chiquinha Gonzaga, Nara Leão, Adriana Calcanhoto e outras artistas levam a turma a cantar e dançar!

  1. Proponha a escrita de cartas

Vale propor que a turma escreva cartas para as mulheres que são importantes em suas vidas ou que queiram homenagear. Essa é mais uma maneira de envolver, em uma atividade de produção de texto, uma atitude de valorização das mulheres. É sempre muito emocionante, para mim, ver o que as crianças escrevem para mães, avós, tias e tantas outras.

  1. Elabore atividades de entrevista

É outra maneira interessante de abordar o assunto. Peça que os alunos realizem entrevistas com as mulheres que se destacam na comunidade escolar. Na alfabetização, sou a escriba que, junto com os alunos, redige as perguntas a serem feitas à entrevistada – sempre escolhida pela turma. A entrevista pode ser gravada.  Eles adoram, se sentem verdadeiros jornalistas e aprendem muito com a experiência de vida dessas mulheres! Com os alunos de um 1º ano, certa vez, entrevistamos a merendeira da escola e foi um sucesso.

  1. Leve filmes

Alguns longas-metragens, inclusive de animação, além de divertidos, rendem boas discussões sobre o protagonismo das mulheres. Entre os vários títulos que exibo aos meus alunos pequenos, sugiro os seguintes:

  • Matilda, (Danny DeVito, 1h42)
  • A menina e o porquinho
  • Mulan (Tony Bancroft e Barry Cook, 1h28)
  • A viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2h05)

A última sugestão que deixo para vocês é que conheçam um projeto muito especial, o Mulheres Inspiradoras, coordenado pela professora Gina Vieira Ponte de Albuquerque. Desenvolvido em uma escola pública de Ceilândia, conquistou diversos prêmios, entre eles o Prêmio Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos “Óscar Arnulfo Romero”, promovido pela Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), e foi um dos destaques da reportagem de capa de NOVA ESCOLA de setembro de 2016. Essa maravilhosa professora transformou sua prática pedagógica em uma ferramenta potente de transformação da vida de suas alunas e alunos. Uma iniciativa realmente inspiradora!

E vocês, queridos professores, contem aqui nos comentários como vêm sendo tratada a questão das mulheres e da equidade em suas escolas!

Ah, e antes de encerrar, quero dar os parabéns a todos educadores que promovem a equidade em suas escolas e deixar um beijo especial a minha mãe Rayld, por sempre me ensinar a lutar pelos meus direitos e pelos direitos de todos!

Um abraço,

Mara Mansani

O CONTADOR EXPLICA: ESCOLAS DE ALGUNS DISTRITOS GOSTOSENSES REALMENTE SERÃO FECHADAS?

Assunto roubou a cena na câmara dos vereadores e acabou sendo um dos mais debatidos, o Contador explica como tudo começou.

RICARDO ANDRÉ E AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

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Imagem: Ilustração.

Nesta última segunda-feira (22) a possibilidade de se fechar algumas escolas na área rural de São Miguel do Gostoso causou grande repercussão na sessão da câmara dos vereadores.

Uma série de perguntas então tomou conta da cabeça da população destas comunidades: afinal de contas, porque fechar escolas da área rural?  E estas escolas serão realmente fechadas?

O Contador então resolveu esmiuçar esta história para você entender como tudo isso aconteceu, confira:

TUDO FOI DIVULGADO NA CÂMARA

Câmara 1505
Vereadores em Sessão.

Ao longo do início do mês de maio os debates sobre o fechamento das escolas já rodava a Secretaria e o Conselho Municipal de Educação, mas tudo só foi confirmado depois que a vereadora Clézia Cardoso (PSD), defensora da proposta, declarou na sessão da câmara do dia 15/05 que uma proposta de fechamento das unidades escolares de sete distritos havia sido encaminhada para promotoria de Touros e que se aguardava a resposta do promotor.

COMEÇARAM A ARTICULAÇÃO E AS RECLAMAÇÕES

Na última semana a Secretaria de Educação então havia intensificado visitas a estas comunidades a fim de articular a estratégia do fechamento. O Presidente do Conselho Municipal de Educação, Marcelo Gustavo, trancou a pauta da ultima reunião ocorrida em 17/05 e não permitiu o debate do tema.

O assunto logo caiu na boca da população das comunidades que teriam suas unidades fechadas (Frejó, Baixio, Umburana, Mundo Novo, Cruzamento, Angico Velho e Morro dos Paulos) e isso gerou muita reclamação que culminou com o debate na sessão desta última segunda-feira no dia 22/05.

O CONSELHO MUNICIPAL SE MANIFESTA

Na terça-feira (23) após a sessão, membros do Conselho Municipal de Educação solicitaram através de oficio a dita proposta encaminhada a promotoria, mas o secretário de educação, Nivaldo Batista, declarou que não havia sido protocolada ainda uma proposta ao Ministério Público, mas solicitada apenas uma audiência.

Em contato com a Promotoria de Touros, a secretaria da mesma confirmou a informação e acrescentou que o promotor substituto não pretende se manifestar sobre o assunto por não conhecer a realidade do município.

PORQUE A PROMOTORIA TEM QUE SE ENVOLVER NISSO?

A Lei 12.960/2014 prevê que o fechamento de uma escola do campo deve ser e antecedido da “análise do diagnóstico do impacto da ação e a manifestação da comunidade escolar”.

Exatamente aí que a promotoria entrava, ela poderia dar o aval para que as escolas pudessem ser fechadas, caso este diagnóstico tivesse sido encaminhado até ela.

MAS PORQUE SE FALOU EM FECHAR?

A primeira justificativa dada era que o número de alunos por professor é baixo e isso dificultava cada vez mais o pagamento dos funcionários, depois o argumento das dicotomias entre o número de alunos e professores foram citados.

Porém, hoje não se sabe qual o gasto com pessoal, nem quantos servidores são realmente necessários para fazer a educação funcionar, tão pouco se sabe de quanto será a economia com o provável fechamento das pequenas escolas rurais.

AS RESPOSTAS DO SECRETÁRIO

Procuramos o senhor Nivaldo Batista para falar sobre o caso e ele declarou que não haverá fechamento de nenhuma escola, mas um ajuste nas unidades que tem poucos alunos e muitos professores (*).

“Não vamos fechar escola nenhuma. A escola é da comunidade e não podemos fechar”, disse o secretário.

Além disso, Nivaldo defendeu que era necessária uma nucleação para que as escolas funcionassem de forma melhor, já que com isso o problema das salas com turmas multisseriadas (**) seria sanado e que hoje há esse problema em algumas escolas.

A proposta da nucleação também foi defendida pela vereadora Clézia Cardoso, procuramos contatá-la para falar sobre isso, mas não conseguimos retorno.

O Contador continua de olho em tudo que agita São Miguel do Gostoso, até qualquer hora!

 

* Para ilustrar, o Contador teve acesso a um balanço da relação de número de alunos por professor em 2010 e a média batia em torno de 15 alunos por professor. Hoje, não sabemos se esta média ainda condiz com a realidade atual.

** Salas multisseriadas são aquelas em que funcionam duas ou mais séries dentro da mesma sala e com o mesmo professor. A prática desta organização prejudica o desenvolvimento dos alunos e o planejamento do professor, mas é adotada por muitos municípios para ajudar a equilibrar a média de alunos por professor.

DEMISSÃO DE CONTRATADOS E EDUCAÇÃO NA RODA: COMO FOI A SESSÃO DA CÂMARA NESTA SEGUNDA-FEIRA (15)

Boato de fechamento de unidades escolares e a demissão de grande parte dos contratados roubaram a cena na sessão desta semana.

POR RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

A sessão da Câmara dos Vereadores desta última segunda-feira (15) em São Miguel do Gostoso não fugiu do assunto que está na boca dos gostosenses durante este último fim de semana: a lista das demissões de contratados.

Câmara 1505

Ao que sabemos no domingo (14) os últimos funcionários dos distritos receberam suas cartas de demissão, mas não há uma informação oficial do total de demitidos, comenta-se que pode ter chegado a 100. O motivo seria o enxugamento da máquina pública que estava com elevado número de contratos.

Voltando a sessão, a vereadora Micarla Catarina questionou aos seus companheiros de bancada a veracidade da informação que distritos como Morros dos Paulos e Angico de Fora teriam suas unidades escolares fechadas. De acordo com a vereadora, este assunto também ganhou as ruas dessas comunidades, porém não foi divulgada nenhuma declaração oficial da Secretaria de Educação.

Por sua vez, a presidenta da casa, Clésia Cardoso, declarou que a nucleação de algumas escolas é inevitável e que o estudo desse projeto já foi encaminhado para o ministério público. Além disso, ela também disse que as demissões são responsabilidade da prefeitura e que eram necessárias.

A base aliada da prefeitura culpa as demissões aos vereadores da oposição que na semana passada denunciaram a gestão por nepotismo. Em sua defesa, os vereadores declararam que a denúncia foi realizada mediante provas e que nenhum dos nomes dados por nepotismo recebeu exoneração até o momento.

A transmissão da sessão foi realizada pelo Facebook da Câmara, você pode ver aqui. https://www.facebook.com/100016128188358/videos/134340393780233/?autoplay_reason=ugc_default_allowed&video_container_type=4&video_creator_product_type=0&app_id=1761791807395020&live_video_guests=0

CABO DE GUERRA

Na semana passada, a bancada da oposição havia prestado uma denúncia formal à promotoria acusando a atual gestão de nepotismo e nepotismo cruzado, como já mencionado acima. Em contrapartida foi aumentada a repercussão da condenação do ex-prefeito Miguel Teixeira referente a guarda de um documento com assinatura falsificada durante o seu mandato.

Óbvio que nenhuma das partes assumiu, mas foi nítido o fogo cruzado.

O Contador vai ficar de olho. Até qualquer hora!

O JEITO CERTO DE DISCIPLINAR

Nem rigidez nem permissividade. Segundo especialista, a solução é o equilíbrio.

POR NOVA ESCOLA

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Foto: Mariana Pekin

A Nova Escola ouviu a Fernanda Lee que é Mestre em Psicologia Escolar pela Universidade Nazarena de Point Loma, nos Estados Unidos, além disso, ministra cursos sobre disciplina positiva para pais e professores no Brasil e nos EUA.

Nesse bate-papo ela fala sobre a disciplina em sala de aula. Veja:

Um mundo sem punições é um mundo em que as ações não têm consequências?

FERNANDA Existe uma diferença entre punição e consequência lógica. E elas são sempre confundidas. Quando um estudante risca a mesa, é comum deixá-lo sem recreio. O que isso tem a ver com o que ele fez? Nada. Trata-se apenas de uma punição. A consequência lógica deve atender a três princípios: ser relacionada (seria justo que ele limpasse a própria mesa), razoável (limpar a mesa de todos os colegas não faria sentido) e, se possível, antecipada (o aluno pensa no que fazer para resistir à vontade de riscar a mesa).

O que molda essa mentalidade?

É o conceito de disciplina positiva, criado pela pesquisadora e psicóloga americana Jane Nelsen. Normalmente, disciplinamos as crianças de maneira rígida ou permissiva. Quando os professores são muito rígidos, acabam sendo autoritários e o aluno sente que teve sua dignidade roubada. Quando são permissivos, deixam que tudo aconteça para não afetar a autoestima da turma. Nelsen propõe que o docente seja firme, mas também gentil para manter a dignidade da criança.

Por que agir assim, se no passado a rigidez parecia funcionar?

A mudança de gerações transformou as relações de poder tanto entre adultos (no trabalho e na família) como entre adultos, crianças e jovens. A garotada hoje quer direito a igualdade, quer ser ouvida. O professor tende a acreditar que, no momento que ele deixa o aluno decidir, está perdendo poder. Isso é um equívoco. O adulto ainda é o capitão do barco, mas, ao se mostrar disposto a ouvir e considerar também os estudantes, deixa que todos ajudem a remar.

E se o aluno não estiver disposto a cooperar?

As crianças observam os adultos a todo o momento e, às vezes, os desafiam. Se o docente usa uma bronca para exigir bom comportamento, o aluno pode recuar por se sentir acuado e com medo. A alternativa é validar o sentimento da criança. O professor diz: “Eu entendo que você quer brincar, mas sua turma quer estudar agora. O que podemos fazer para todo mundo se sentir bem?”. Com isso, o aluno pensa: “Poxa, ele me viu. Me escutou”. Tudo o que a criança sente é válido, ainda que nem tudo o que ela faça seja.

Como agir quando as famílias são permissivas ou rígidas demais?

A escola não deve ser dependente da família para adotar as práticas da disciplina positiva. As crianças são capazes de perceber a diferença entre o ambiente familiar e o escolar. Um exemplo interessante são crianças que têm dois pares de avós e na casa de um é liberado comer doce, mas na do outro não. Elas não confundem as regras, sabem como agir em ambos ambientes. Ainda assim, é essencial informar as famílias sobre a postura adotada. Vale fazer uma reunião, explicar a proposta e se dispor a dar mais detalhes.

ORIGINAL: https://novaescola.org.br/conteudo/4880/o-jeito-certo-de-disciplinar?utm_source=tag_novaescola&utm_medium=facebook&utm_campaign=mat%C3%A9ria&utm_content=link

⁠⁠⁠APÓS 100 DIAS DE GESTÃO, ADMINISTRAÇÃO E EDUCAÇÃO AINDA SÃO DOR DE CABEÇA EM GOSTOSO

Falta de transparência, ausência de licitações, e agora previsão de demissões em massa são a  realidade do atual governo municipal que completou 100 dias de gestão.

POR RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

A semana politica em Gostoso começou agitada com a declaração da Presidente da Câmara, Clésia Cardoso (PSD), nessa segunda (17), quando confirmou que haverá a demissão de diversos servidores temporários já agora no inicio do mandado, afim de cumprir o limite com gastos de pessoal. O anuncio vem logo após há algumas semanas a própria presidente da Câmara ter afirmado que “confiava que o prefeito e sua equipe sabiam o que estavam fazendo”, quando foi questionada sobre o grande número de contratações.

A noticia veio acompanhada do aborrecimento da base aliada do Prefeito Renato de Doquinha (PSD) com o valor pago aos professores contratados, que foi de R$ 1.000,00 (mil reais) a mesma quantia paga pela gestão anterior. Além disso, permanece a noticia da licitação de serviços de limpeza que segue com um contrato emergencial e a licitação de transportes, considerando que os ônibus já rodam a algumas semanas sem garantia contratual.

Todo esse embrolho culminou com a marca dos 100 dias desde que a atual gestão assumiu o controle da cidade, no decorrer dessas primeiras medidas os setores da administração e educação estão sendo os mais questionados no momento.

NO ESCURO

As contas públicas da prefeitura de São Miguel do Gostoso continuam um mistério. Apesar da pressão dos vereadores através de oficios e requerimentos na câmara, como o do vereador Zé de Luzenário aprovado em 13/03, nada foi feito.

Em resposta ao descaso do Prefeito, os vereadores da oposição  – Micarla Catarina (PSB), Evânio Menezes (PR), Beto de Agostinho (PHS) e Zé de Luzenário (PCdoB) – formalizaram uma denúncia contra o fato nessa quarta (19) no Ministério Público, para poderem ter acesso as despesas e receitas da prefeitura bem como a folha de pagamento que deveria estar acessível ao público.

A situação promete esquentar ainda mais com o requerimento nº 003/2017 de autoria do vereador Beto de Agostinho (PHS) que solicitou os comprovantes de escolaridade de professores e auxiliares de ensino, e até agora não foi atendido, requerimento que por incrível que pareça só teve um voto contra, o da Presidente da Câmara, Clésia Cardoso (PSD).

Apesar de estarmos acompanhando a frenética atualização dos atos da prefeitura por meio das suas redes sociais, fica claro que a grande pedra no sapato da atual gestão nesse primeiro trimestre foi a educação. No entanto, todos os problemas citados ainda não tem previsão para serem sanados.

Sobre a lista de demissões citadas no começo desta reportagem, entramos em contato com os secretários de administração e comunicação para que comprovassem a veracidade da informação, mas nenhum deles declararam nada para nossa equipe.

Nós continuaremos de olho. Até qualquer hora.

PROFESSORES VOLTAM AS AULAS NA PRÓXIMA SEGUNDA, 3 DE ABRIL

Professores, pais e demais servidores da educação se reuniram na tarde de hoje e decidiram voltar as atividades na próxima segunda-feira, dia 03 de abril.

RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

A reunião do SINTE/RN aconteceu hoje (28) à 17h na sua sede, reunindo pais, professores, secretários, auxiliares de serviços gerais e servidores contratados. A coordenadora do SINTE, Clésia Cardoso, se absteve alegando problemas de transporte; a reunião foi conduzida pelos professores Elexsandro Menezes e Laudeino Martins.

Após ampla discussão com participação principalmente de pais e professores foi decidido em assembleia que as aulas voltarão irremediavelmente na próxima segunda, 03 de abril.

“A greve cumpriu seu papel de conscientização, chegou a hora de voltarmos as atividades normais, mas com foco no fortalecimento das grandes manifestações”, discursou a professora Adriana Felipe.

Haverá uma nova assembleia na quinta (30) para esclarecer a classe e população quanto os avanços alcançados pelo movimento.

Contradição

A Secretaria Municipal de Educação e Cultura divulgou poucos momentos depois da reunião a seguinte nota:

urgente

A coordenadora do SINTE, Clésia Cardoso (PSD), vereadora presidente da Câmara e líder da bancada da situação, depois de uma chuva de mensagens negou a afirmação da Secretaria mantendo a decisão da assembleia.

A posição da atual da Coordenadora do SINTE vem sendo considerada contraditória pelos professores, questionando sua capacidade de afrontar o atual governo.