O QUE MARCOU NA 4ª MOSTRA DE CINEMA DE GOSTOSO? VEJA NOSSO TOP 10

Nossa equipe montou uma lista com dez destaques que ficaram na nossa mente durante esta 4ª edição do festival.

POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

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A 4ª Mostra de Cinema de Gostoso aconteceu de 17 a 21 de novembro na cidade de São Miguel do Gostoso e neste período pudemos ter ao nosso alcance a nata do cinema nacional.

Mas o evento acabou e se você não curtiu isso é realmente uma pena. Nós não nos contivemos e elegemos 10 pontos de destaque na edição deste ano, confira se você concorda ou não e diga sua opinião nas nossas redes sociais.

Veja:

  • #1 PÚBLICO RECORDE

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A Mostra de Cinema de Gostoso pode comemorar e muito o sucesso de público nas suas sessões. Havia até uma certa preocupação da adesão da população devido ao cancelamento da edição em 2016, mas o que vimos foi uma multidão de gente que tomou a praia e as sessões do Centro de Cultura.

Com uma média de 1500 pessoas por noite, já foi mais do que provado que a Mostra de Cinema de Gostoso já está consagrada no coração dos gostosenses.

  • #2 DOBRADINHA DE SUCESSO

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Enquanto um tem o gênio mais forte e aparenta ser mais disciplinador o outro tem a docilidade e o grande carisma que cativa.

Os mestres de cerimônia e idealizadores da Mostra de Cinema de Gostoso, Eugênio Puppo e Matheus Sundfeld, são uma receita de sucesso que temos o prazer de assistir em todas as edições. O entrosamento deles é impressionante, tanto que na sua obra recém lançada, “A Rotação da Terra”, Matheus convidou Puppo para fazer uma ponta de ator.

  • #3 A MOSTRA DOS DOCUMENTÁRIOS

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Cena de “Escolas em Luta”

Uma grande marca dessa Mostra de Cinema de Gostoso foram os documentários, em todas as sessões os docs foram bem comentados e causaram muitas reflexões nos debates como as temáticas das lutas sociais, das políticas públicas, do empoderamento feminino, etc.

Para verificar esta constatação, basta ver os vencedores desta edição: “Leningrado, Linha 41” e “Escolas em Luta” são documentários, além disso, “Gabriel e a Montanha” é uma ficção, mas que bebe um pouco da água deste gênero cinematográfico.

  • #4 AUDIOVISUAL DO RN: UM CENÁRIO DESOLADOR

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A mesa redonda sobre o audiovisual potiguar nos mostrou que a situação do estado em questão de incentivo é deprimente, só há apenas um edital (Cine Natal) para as produções mesmo assim se restringe a capital e o pior de tudo é que neste ano ele ainda não foi divulgado.

Por outro lado a Mostra nos proporcionou ver que os nossos artistas estão cada vez melhores, o curta “No Fim de Tudo” do Victor Ciriaco foi de uma sensibilidade tão marcante que acabou vencendo o prêmio de melhor curta desta edição que é por júri popular. Por sua vez, o “Leningrado, Linha 41” da Dênia Cruz também foi marcante, pois demonstrou a história de luta da comunidade que é desconhecida pelos próprios potiguares.

  • #5 DEBATES QUE MEXERAM

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Affonso Uchôa (Arábia).

Quatro debates com os realizadores e duas mesas redondas foram extremamente impactantes nesta edição. Todos os dias, assuntos que levantaram as tramas das obras foram abordados e mostraram que ainda há esperança para que tenhamos uma realidade social melhor.

Em especial, podemos destacar os diretores Eduardo Consonni (Escolas em Luta), Rodrigo Marques (Escolas em Luta), Ary Rosa (Café Com Canela), Affonso Uchôa (Arábia) e o ator João Pedro Zappa (Gabriel e a Montanha). Eles foram alvo de inúmeras perguntas o que demonstra o quanto as pessoas realmente tentavam entender o que estavam assistindo, no entanto também vale destacar a simpatia deles, onde pelo que declararam também se sentiram bem acolhidos pelos gostosenses.

  • #6 VISITA DOS VIZINHOS

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Alunos de Pureza vieram prestigiar a Mostra

Escolas de João Câmara, Pureza e Touros vieram assistir algumas sessões da Mostra e isso foi importante, pois é um reflexo que os outros municípios do Mato Grande estão começando a entender a importância do festival e o quanto o cinema pode ser uma ferramenta para o desenvolvimento da educação.

Alguns distritos de São Miguel do Gostoso também estiveram presentes, apesar da polêmica que envolveu a crise na educação gostosense, os professores puderam se mobilizar e trazer seus alunos.

  • #7 LINGUAGENS DO CINEMA

Alguns filmes sofreram umas criticas dos nativos por causa das linguagens que nem sempre são bem interpretadas, mas pelo que percebemos o cinema nacional é uma questão de hábito e que requer estarmos atentos aos temas que mexem com o nosso país porque tem um certo time.

Sem falar que algumas obras deixam o final aberto, o que pode provocar estranhamento para quem está acostumado com o estilo hollywoodiano de filmes. Levantar essas questões nas redes sociais e nas ruas foi mais um ponto positivo desta Mostra.

  • #8 NÓS DO AUDIOVISUAL

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Parte da produção da Mostra de Cinema de Gostoso.

Eles são a engrenagem que move a Mostra e mostraram mais uma vez que são espetaculares fazendo seus filmes. Os curtas gostosenses desse ano além de conscientizarem sobre o lixo (filme “Os Dois Lados do Lixo”) e de destacar uma peculiaridade local (filme “Moeda Gostoso”), também revelaram um ator nato: Everton Cardoso, o astro do “O Grande Ó”!

No debate, uma das componentes do coletivo, Rozangela Modesto, declarou que estão sendo desenvolvidos mais roteiros e prometeu que eles vão sim investir em mais produções de lendas locais, já que “O Pai da Noite” e “Flozinha” foram sucessos absolutos entre os nativos.

  • #9 UM PROBLEMA FORA DE CONTROLE

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, noite e atividades ao ar livre
Os faróis dos carros eram o mínimo que atrapalhava as sessões.

Como nem tudo são flores, um problema já apontado pelo Contador ficou escancarado na Mostra de Cinema de Gostoso: o trânsito na orla incomodou.

Durante as sessões na praia pudemos ver essa triste realidade, muitos veículos, motos e até quadriciclos dando voltas nas areias incomodando a sessão, além de serem um perigo para as crianças que passavam. Apenas na segunda-feira (20) que a presença de policiais barraram um pouco, mas o problema é grave.

Alguns meses atrás o Contador mostrou que veículos de imprensa como O Estado de São Paulo e Globo News destacaram esse problema com críticas.

  • #10 GABRIEL E A MONTANHA

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João Pedro Zappa com o troféu de menção honrosa na Mostra.

Uma história real e sensível cativou São Miguel do Gostoso! Gabriel Buchmann registrou seus últimos 70 dias no continente africano e o diretor Felipe Barbosa deu vida a este diário colocando o ator João Pedro Zappa para viver o Gabriel. Que sucesso!

João Pedro estava em Gostoso e com seu carisma contagiante foi assediado por muita gente, além de ser um dos alvos do debate, como mencionado acima. Por isso não foi difícil de compreender porque o filme foi exibido duas vezes e ganhou o prêmio de Menção Honrosa.

Depois de tudo isso, só nos resta sentir mais saudades da Mostra e torcer para que a próxima edição chegue logo!

Vamos encerrando nossa cobertura deste grande evento, mas continuamos de olho!

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PREMIAÇÃO, GOSTOSO, LUTAS SOCIAIS: O ÚLTIMO DIA DE MOSTRA DE CINEMA DE GOSTOSO

Encerramento do festival, em noite mágica, premiou filmes que foram abraçados pelo público gostosense.

POR AILTON RODRIGUES
FOTOS ARICLENES SILVA

SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

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Equipe que realizou a 4ª Mostra de Cinema de Gostoso.

O último dia da Mostra de Cinema de Gostoso aconteceu nesta última terça-feira (21) na Praia do Maceió com a cerimônia de encerramento que premiou algumas obras eleitas por júri popular e o resultado demonstrou que o público gostosense prezou pela sensibilidade e pela temática da busca pelos seus direitos.

Conduzido por Eugênio Puppo e Matheus Sundfeld, o anúncio dos vencedores foram sendo mesclados com discursos de vitória pela 4ª edição ter sido um sucesso de crítica e participação popular. Durante as cinco noites da Mostra na Praia passaram cerca de seis mil espectadores e essas constatações podem ser comprovadas quando podemos ver a repercussão da imprensa sobre o evento, como no título da coluna do jornalista Luiz Zanin Oricchio do Jornal O Estado de São Paulo que diz: “Praia recebe ‘o mais belo festival do mundo'”.

Outro ponto marcante foi a escolha dos vencedores, onde além do prêmio Luis da Câmara Cascudo para o melhor longa, melhor curta e menção honrosa tivemos um prêmio especial dado pelas empresas Mistika e Imput, apoiadoras da Mostra, que consistia em um apoio financeiro na pós-produção de uma das obras.

Veja quais foram os vencedores:

PRÊMIO MISTIKA/IMPUT

Leningrado, Linha 41 (Dir: Dênia Cruz)

O curta potiguar “Leningrado, Linha 41” mostrava a história da ocupação da comunidade que recebe o nome da cidade russa pelas lideranças se reconhecerem na figura de Lênin. Ainda hoje alguns deles estão buscando pelo direito da moradia.

O filme causou muitos questionamentos, principalmente por se tratar de uma organização coletiva que conseguiu obter resultados como a aquisição de uma linha de ônibus para a comunidade, porém ainda faltam políticas públicas e reconhecimento do governo.

“É uma oportunidade e tanto! Realmente fazer cinema é um desafio, mas é uma honra ser interlocutora de histórias como a de Leningrado. Esse prêmio é para nós!”, disse a diretora Dênia Cruz.

MENÇÃO HONROSA

Gabriel e a Montanha (Dir: Felipe Barbosa)

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Matheus Sundfeld, Bruno Beauchamps, João Pedro Zappa e Eugênio Puppo (esq. para dir.)

A história sensível e real de Gabriel Buchmann cativou tanto o público gostosense que concedeu a menção honrosa do festival ao filme. O ator que interpretou Gabriel, João Pedro Zappa, estava em São Miguel do Gostoso e demonstrou muita felicidade com o prêmio:

“Quero agradecer a todo mundo pelo prêmio. Desejo muito voltar aqui, eu estou muito feliz. Agradeço também a Eugênio e o Matheus por terem tido a sensibilidade de reexibirem o filme, foi tudo lindo”, declarou João Pedro Zappa.

MELHOR CURTA METRAGEM

No Fim de Tudo (Dir: Victor Ciriaco)

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Hélio Ronyvon comemora prêmio de Melhor Curta da Mostra.

O curta, que tem DNA potiguar, levantava a bandeira do amor LGBT dentro da sua própria casa, da aceitação e de que o amor pode e deve ser maior do que qualquer rótulo. Pelo visto, esta mensagem foi entendida pelo público que elegeu o filme como melhor curta desta edição.

“Esse filme falava sobre amor e memória, é sobre como a gente precisa lutar para que dentro dos nossos lares tenhamos mais afeto”, disse o roteirista Hélio Ronyvon.

MELHOR LONGA METRAGEM

Escolas em Luta (Dir: Rodrigo Marques, Eduardo Consonni e Tiago Tambelli)

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Emocionado, Rodrigo Marques comemora prêmio de Melhor Longa da Mostra.

Quando a sociedade se reúne, a coisa dá certo! Essa pode ser uma das principais mensagens do longa eleito por júri popular na Mostra de Cinema de Gostoso. A luta dos estudantes para evitar que escolas paulistas fossem fechadas pelo governo, ganhou as ruas gostosenses e fez soar esperança no meio de uma onda de descontentamento que o país vive na política atual.

“A gente vem de São Paulo e traz para o Rio Grande do Norte um filme de luta pelos estudantes. Temos que lutar por essa molecada! Abaixo escola sem partido!”, declarou o emocionado diretor Rodrigo Marques.

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Elenco de A Rotação da Terra, dirigido por Matheus Sundfeld.

Na última sessão da noite, tivemos dois filmes que deram o gostinho de quero-mais ao festival. O curta “A Rotação da Terra” dirigido por Matheus Sundfeld teve como plano de fundo São Miguel do Gostoso e um cenário que se tornou parte da paisagem do município: os parques eólicos.

Além disso, a obra contou com atuação de atores locais como o surpreendente Eurílio Viana proveniente da comunidade do Antônio Conselheiro que deu um show de interpretação. A subjetividade e sensibilidade da trama também comoveu os espectadores que aplaudiram muito no final.

Na sequência, a Mostra deu seu último ato com o longa “Jonas e o Circo Sem Lona” que brincou com a ideia de que você deve lutar pelos seus sonhos, mesmo sendo uma criança.

O Contador já está com saudades da Mostra de Cinema de Gostoso! Mas estaremos juntos na 5ª edição!

Nós continuamos de olho, até qualquer hora!

LUTAS SOCIAIS FORAM DESTAQUE NO ÚLTIMO DIA DE DEBATES DA MOSTRA

Filmes que mostraram lutas pessoais e coletivas em busca de reconhecimento e vida melhor foram os condutores do debate.

POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

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Rozângela Modesto, coletivo Nós do Audiovisual.

O último dia da Mostra de Cinema de Gostoso nesta terça-feira (21) começou com o Debate com os realizadores na Pousada dos Ponteiros e reuniu os diretores e membros de alguns filmes que foram exibidos na noite anterior.

Estavam reunidos na mesa Affonso Uchôa (Arábia), Wederson Neguinho (Arábia). Dênia Cruz (Leningrado, Linha 41), Juliana Antunes (Baronesa) e Rozangela Modesto (Coletivo Nós do Audiovisual) que abordaram vários assuntos importantes que deram a linha das suas obras.

Veja nosso resumão:

MADRUGADA A DENTRO

A noite desta segunda-feira (20) foi como sempre de bom público, desta vez contou com a visita de alunos do distrito do Antônio Conselheiro e do município de Touros.

As obras exibidas foram “Leningrado, Linha 41”, um curta potiguar que mostrou a luta de uma população em conseguir moradia após a ocupação de um terreno na região metropolitana de Natal. Na sequência, tivemos “Meninas Formicida” que mostrava os questionamentos de uma menina enquanto trabalhava contendo pestes em uma plantação de eucaliptos.

Por último tivemos o longa “Arábia” que de forma narrativa contou a história de Cristiano, um homem que buscava razões para se realizar na vida, porém sempre passava por situações complicadas.

A noite só terminou lá para as 2h da manhã, depois da exibição dos quatro curtas gostosenses de 2015 e a reexibição de “Gabriel e a Montanha”.

UMA LUTA DESDE O INÍCIO

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Affonso Uchôa, diretor de Arábia.

“Arábia” foi um filme que despertou a curiosidade de muitas pessoas durante o debate e por isso o Affonso Uchôa foi o alvo da maioria das perguntas:

“O Processo de gestação do Arábia foi complexo. As duas origens do filme tem muitas relações com A Vizinhança do Tigre. O filme promove o encontro de Ouro Preto e Contagem e a ideia começou em uma adaptação do conto Arábia de Jennys Joyce”, declarou Affonso.

A parte política do filme também foi muito explorada, como as relações de trabalho moldam nossa vida, ainda mais em uma cidade bucólica como é o interior de Minas Gerais.

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Wederson Neguinho, ator de Arábia.

“Desde o início deste país continuamos tirando coisas do chão e dando para os gringos. Quanto mais cresce o consumismo, diminui a consciência e por isso estamos a um ponto de voltar a uma sociedade com a miséria, e será pior que dos anos 90, pois agora há um discurso organizado de conformismo”, disse o diretor.

QUEREMOS TERRA

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Luara, produtora de Leningrado, Linha 41.

A segunda maior ocupação do Brasil foi retratada de forma criativa com influências russas que basearam o nome da comunidade de Leningrado:

“As assembleias aconteciam no chamado ‘Domingo Vermelho’, o nome surgiu em homenagem a Lênin. A comunidade não entendia, então cabia as lideranças passarem a mensagem”, disse Dênia Cruz.

A narração em russo foi feita por um amigo das diretoras e de acordo com elas foi fundamental para fazer um link com o contexto histórico.

VIDA REAL, NA LATA

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Juliana Antunes, diretora de Baronesa.

O curta “Baronesa” mostrou as mulheres batalhadoras das favelas em MG e a realidade das ações sem roteiro, ou como a diretora Juliana Antunes denominou de compartilhado:

“As meninas que participam do curta não são atrizes profissionais, construímos o roteiro juntas onde nós propusemos os temas e elas tocavam”, declarou Juliana.

Além desses temas, Rozângela Modesto do coletivo Nós do Audiovisual disse que eles pretendem lançar novas obras na linha ficcional que foram aclamados pelo público.

Os debates com os realizadores foram um sucesso de crítica e presença, durante todas as edições os temas foram bem embasados e ajudaram a divulgar ainda mais a Mostra de Cinema de Gostoso na cidade.

Nós continuamos de olho. Até qualquer hora!

AFETO, CONSCIÊNCIA NEGRA, AUDIOVISUAL POTIGUAR: 3º DEBATE DA MOSTRA DISCUTE ASSUNTOS SÉRIOS

Em conjunto com o Debate com os realizadores foi realizada uma mesa redonda que falou sobre a triste situação da falta de incentivo para o audiovisual potiguar.

POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Éverton Cardoso falando sobre Os Dois Lados do Lixo

Começou o 4º dia de programação da Mostra de Cinema de Gostoso nesta segunda-feira (20) com mais um debate com os realizadores para falarmos da noite anterior que foi cheia de emoções na Praia do Maceió.

Porém, a grande novidade da programação foi a mesa redonda que rolou antes do debate e trouxe um panorama do audiovisual potiguar que sofre com a falta de incentivo do governo.

Veja nossos destaques:

NOITE FAMILIAR

A Mostra Competitiva do domingo (19) trouxe obras muito sentimentais que despertaram aquela saudade dos parentes, sabe? Primeiro tivemos o documentário gostosense Os Dois Lados do Lixo que trouxe o problema do lixão no município.

Na sequência, veio o curta Chico dirigido pelos Irmãos Carvalho que tratava de uma ficção mostrando a relação de mãe e filho que são separados em meio a uma realidade social bem difícil. Logo depois, tivemos a exibição de No Fim de Tudo, uma obra potiguar que de forma tocante trata também da relação familiar de mãe e filho, mas com um plano de fundo fortemente influenciado pelo respeito e aceitação do homossexualismo.

Café Com Canela foi o longa baiano que mexeu com os afetos que adquirimos ao longo das nossas vidas com amigos e familiares. Mostrava também uma situação de vencer a depressão da perda de um ente querido.

Encerrando a noite na sessão especial foi apresentado Dona Durvinha e Seu Antônio que são Os Últimos Cangaceiros. Na trama cheia de humor e características nordestinas vamos sendo apresentados a personagens que marcaram a história do cangaço.

TÁ DIFÍCIL, MAS DESISTIR JAMAIS!

Mesa redonda sobre audiovisual do RN

A mesa redonda que tinha como tema a produção e o mercado do audiovisual no RN teve mediação realizada pelo diretor geral da Mostra, Matheus Sundfeld, que trouxe para explanar a situação os cineastas André Santos (do coletivo Caboré Audiovisual), Catarina Dolan (Prisma Filmes) e Dênia Cruz (diretora de Leningrado Linha 41).

Durante os pontos abordados vimos que o RN infelizmente ainda está muito abaixo do que seus artistas podem produzir, entre os dados mostrados pelos convidados descobrimos que só há um edital para produção no estado que é o Cine Natal.

Além disso, nos últimos sete anos apenas sete longas metragens foram feitos, ou seja, o Rio Grande do Norte produz em sua ampla maioria curtas metragem com o estilo documentário. Muito disso por falta de incentivo, pois para produção dos curtas muitos cineastas fazem de forma independente, já que demanda de menos recursos do que os longas.

AFETO, RELIGIÃO, RESPEITO

Ary Rosa, diretor de Café Com Canela

O debate teve presença de Everton Cardoso (Os Dois Lados do Lixo), Marcos Carvalho (Chico), Hélio Ronyvon (No Fim de Tudo) e Ary Rosa (Café Com Canela). Desta vez a mediação foi conduzida pelo idealizador da Mostra, Eugênio Puppo.

Como foi mencionado acima todos os filmes da noite mostraram temas que tocavam no íntimo das pessoas, apesar de Café Com Canela ter sido o alvo da maioria dos questionamentos, todas os diretores mostraram que suas obras iam além do que vimos na tela. Eram para causar inquietação.

“Agregamos muito da nossa história de vida no filme para mostrar como é viver a aceitação de sermos homossexuais” – Hélio Ronyvon (No Fim de Tudo).

O roteirista também disse que a escolha do elenco foi proposital para mostrar como a situação da realidade LGBT ainda é triste no mundo atual onde, de acordo com Hélio, muitas vezes “saímos de casa com medo de não apanhar”.

A escolha de Silvério Pereira para ser o protagonista também foi o grande destaque na fala dele:

“O Silvério foi uma coisa do destino. Durante esses dois últimos anos muita coisa mudou e queríamos um personagem que permeasse o feminino. Primeiro abrimos edital de casting aqui em Natal, mas não achamos. Daí convidamos o Silvério e ele topou”, declarou Hélio.

O longa Café Com Canela teve várias cenas que remetiam a cultura baiana, em especial a trilha sonora e a religião como o Catolicismo e o Candomblé, mas o diretor, Ary Rosa, destacou o afeto e as mulheres como principais:

“Afeto é uma palavra de ordem para Café Com Canela. Acreditamos muito no filme que o afeto acontece nos encontros do dia a dia”, disse Ary.

Para Marcos Carvalho, Chico não deve ser pensado com um tema fixo:

“Pensamos em vários temas como principais e aí a maternidade pode ser vinculada com o afeto. A mãe foi inspirada em uma prima nossa, nós quisemos mostrar o afeto em um lugar violento”, enfatizou Marcos.

O gostosense Everton Cardoso tratou no documentário gostosense do respeito com o meio ambiente, em especial na cidade que é o 3º polo turístico do estado:

“O filme foi para chamar a atenção com o cuidado com a limpeza. Foi crítico para refletir o que fazer com o lixo. Fomos até convidados para exibir o filme nas escolas para trabalhar nas disciplinas de ciências e geografia”, disse Everton.

Continue nos acompanhando nesta cobertura da Mostra de Cinema de Gostoso! Veja as nossas redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram e nosso blog!

Até qualquer hora!

2º DIA DE DEBATES TRAZ EDUCAÇÃO COMO EIXO PRINCIPAL COM CRITICAS AO MOMENTO POLÍTICO ATUAL

Obras Nada e Escolas em Luta roubaram a atenção dos espectadores, críticas contra o momento atual também foram marcantes.

POR AILTON RODRIGUES

SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Mesa do debate deste domingo (19)

O segundo dia de debates com os realizadores aconteceu neste domingo (19) na Pousada dos Ponteiros e o tema central foi os problemas educacionais tratados principalmente em duas obras que se destacaram na noite anterior: ‘Nada’ dirigido por Gabriel Martins e ‘Escolas em Luta’ produzido por Eduardo Consonni, Rodrigo Marques e Tiago Tambelli.

A mesa deste debate foi completamente masculina e contou com a presença de Júlio Castro (Cuscuz Peitinho), Rodrigo Meireles (Anderson), José Priciano (Moeda Gostoso), Ramon Coutinho (diretor de fotografia de Mamata), Gabriel Martins (Nada), Eduardo Consonni (Escolas em Luta) e Rodrigo Marques (Escolas em Luta), que deram início se apresentando e agradecendo aos realizadores do festival por serem selecionados.

Gabriel Martins, diretor de Nada.

Na sequência, as perguntas do público foram ampliando o leque de alternativas para as interpretações das obras, veja as respostas mais interessantes dos cineastas:

“É engraçado ver os questionamentos [do filme] e ver a pacificidade da sessão, na beira da praia. As pessoas podem até se perguntarem: ‘Nossa, quanta crise!’” – Gabriel Martins (Nada).

Além disso, o filme de Gabriel foi questionado sobre a personagem principal ser parte de uma família motivadora, ter influências musicais, mas mesmo assim não se interessar em ingressar na faculdade.

O diretor enfatizou que vivemos em uma geração que tem vários grupos de adolescentes e ele não quis dar um desfecho claro para a personagem, mas que gostou de provocar o efeito psicológico nas pessoas de simpatizarem ou não com ela.

“O Banco Solidário está em construção ainda, mas busca ser uma alternativa contra o turismo predatório e uma forma de renda” – José Priciano (Moeda Gostoso).

O curta gostosense foi elogiado pelos cineastas. Priciano também declarou que ainda há resistência da aplicação da moeda dentro da cidade e que os turistas levam muito como souvenir, o que acaba acarretando com custos na impressão de mais cédulas que vem direto do Banco Central.

“O filme foi uma tentativa de conter esta angústia que estamos vivendo. Ele foi feito com um pequeno grupo de pessoas e o grande lance foi como debater estes tema sérios com humor” – Ramon Coutinho (Mamata).


“Quem vai mudar essa revolução [situação política do país] são as mulheres. O mundo só está assim por causa dos homens. Foi uma opção nossa o contato com elas, pois a liderança delas era marcante” – Rodrigo Marques (Escolas em Luta).

Além desse grande relato, os diretores destacaram os períodos difíceis que esses alunos viveram após a vitória deles contra o governo onde alguns até mudaram de escola.

Eduardo Consonni, diretor de Escolas em Luta

“O documentarista é muito travado pelos direitos de imagem, direitos autorais. Fizemos um enfrentamento da ‘contra informação’ da mídia que monopoliza a notícia” – Eduardo Consonni (Escolas em Luta).


“Comecei a filmar sem roteiro pronto e fui construindo junto com o Anderson. Foi um processo invertido que eu não aconselho ninguém a fazer. É um documentário metalinguístico” – Rodrigo Meireles (Anderson).

O diretor também se disse emocionado com o público que prestigiou o filme na Mostra Panorama que foi na maioria estudantes de ensino médio que vieram de João Câmara.

A Mostra continua bombando e nós estamos de olho!

EDUCAÇÃO, MANHÃ CORRIDA E PÚBLICO SURPREENDENTE: COMO FOI O 2º DIA DA MOSTRA DE CINEMA DE GOSTOSO

Primeiro dia de debates teve muitas perguntas para Gabriel e a Montanha. A noite, público foi além do imaginado pela organização.

POR CLARA LEAL E AILTON RODRIGUES

SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

O segundo dia da Mostra de Cinema de Gostoso, neste último sábado (18), foi agitado e teve como grande característica a presença maciça de turistas que ao se misturarem com os nativos formaram o maior público desta edição até o momento.

Além disso, um tema pertinente durante o dia foi educação, além de uma palestra com os professores sobre o audiovisual com Bete Bullara, tivemos obras que trataram do tema ao longo do dia.

Nós acompanhamos e contamos o que mais achamos marcante:

DEBATE E PALESTRA

O dia começou logo às 10h30 da manhã no Centro de Cultura com uma palestra que tinha como público-alvo os professores para tratar do audiovisual como ferramenta para a educação. Apesar do número baixo de espectadores, a palestrante, Bete Bullara mostrou como os docentes podem usar a linguagem cinematográfica para agregar os conhecimentos de crianças e adolescentes.

Logo na sequência, desta vez na Pousada dos Ponteiros, rolou o primeiro debate com os realizadores que contou com os grandes nomes da sessão na noite anterior. Entre eles estava o ator João Pedro Zappa, protagonista de Gabriel e a Montanha, que foi bastante assediado.

PANORAMA CHEIA

A Sessão Panorama começou no Centro de Cultura às 16h, logo de cara com o curta metragem potiguar Cuscuz Peitinho que abordou um tema forte e delicado que é o mundo LGBT, indo de encontro com o discurso machista e homofóbico que infelizmente ainda se faz presente. O diretor Rodrigo Sena, usou literalmente o ideal de Glauber Rocha a grande figura do cinema novo brasileiro para embasar sua obra.

Logo em seguida vieram os curtas metragem: Anderson, Deusa e A Terceira Margem, encerrando a tarde que teve a presença dos alunos das escolas públicas de João Câmara como espectadores.

PRAIA LOTADA COM TEMA EDUCAÇÃO NA TELA

Com lotação na Praia do Maceió este segundo dia superou surpreendentemente a média do publico do dia anterior que também havia sido bastante satisfatória.

O primeiro dos curta metragem a ser exibido foi Moeda Gostoso, produzido pelo coletivo Nós do audiovisual, que fala sobre o surgimento e a tentativa de implantação da moeda Gostoso no município. O documentário mostra a importância e como a moeda pode ser um meio de renda em comunidades que sobrevivem praticamente de agricultura familiar.

Em seguida foram exibidos os curtas Mamata e Nada, após isso tivemos o surpreendente documentário Escolas em Luta, que de forma real e intensa mostrou intimamente como foram as ocupações dos estudantes nas escolas paulistas que o governo havia decidido fechar.

A noite acabou com o longa mais aguardado da noite: As Duas Irenes, que conta a história de Uma menina de 13 anos, de uma família tradicional do interior que descobre que seu pai tem uma filha com outra mulher, e que essa menina tem a mesma idade e o mesmo nome dela. O filme conseguiu prender o grande publico até o final da cessão que encerrou as 01h30 da madrugada de domingo, deixando todos que haviam comparecido mais que satisfeitos com toda a suas perspectivas para mais um dia de filmes.

A programação segue rolando e nós estamos de olho!

PARTICIPAÇÃO INTENSA DO INÍCIO AO FIM: 1º DIA DE DEBATE

 

POR IASLAN NASCIMENTO,  AIRIS VITAL E CINTHIA MATOS

Após o primeiro dia da mostra, hora de encontrar os diretores e conversar um pouco sobre tudo que rolou ontem.

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O grande ó, curta gostosense mostrou a que veio, falando a linguagem dos jovens. Abordando o mundo dos games com uma leve crítica ao consumismo como bem definido, pelo diretor Rubens dos Anjos. O jovem diretor ainda tímido com todo os holofotes virados para ele, foi convicto ao dizer que o filme remete a sua infância, quando assistia desenhos japoneses.

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Dácia Ibiapina trouxe para nós um documentário sobre Dedé Rodrigues que produz mesmo com poucos recursos produz de forma livre os seus filmes, entre os mais famosos estão a trilogia “ Cangaceiros fora de tempo”. Entre as várias perguntas respondidas pela diretora foi a pergunta: “onde fica as documentaristas no universo do cinema?”, sua resposta foi “um dos nossos grandes papeis é construir, administrar as relações pessoais”. Relatou ainda sobre suas expectativas sobre o projeto da Mostra de Cinema: “As minhas expectativas sobre o projeto é que ele possa continuar que não seja interrompido, sem perder o compromisso com a formação de novos cineastas. Mantendo o desejo de fazer filme em qualquer lugar, que é difícil mais não impossível […] Esses jovens aqui de Gostoso, será uma diferença no cinema brasileiro.”

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Carlos Firmino diretor de fotografia veio representando o curta Borá. O roteiro do filme foi feito a partir do relato do prefeito da pacata cidade de Borá, no interior paulista. Como muito dos populares não se dispuseram a gravar, eles tiveram a brilhante ideia de filmar os espaços da cidade, passaram pela escola, delegacia, prefeitura, casas populares entre outros lugares. Em entrevista com Carlos ele apresenta a cidade de Borá como personagem principal e conta que é a história da micro cidade integrada ao macro (nesse caso, o grande progresso da tecnologia influenciando diretamente na vida pacata da nova segunda menor cidade do Brasil), através da tecnologia digital e os abusos que se criaria com essas dimensões. Enfatiza que foi uma experiência incrível o filme passar nesse cenário de Gostoso, em ambiente muito agradável, gostoso e um público de pessoas locais, do povo do cinema, de quem está de férias, que traz informações completamente diferentes por esse mix e entono.

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O grande filme de ontem, também foi o mais requisitado para questionamentos e parabenizações. Gabriel e a montanha, veio de festivais como Cannes e outros pelos Brasil, mas João (Ator, que interpreta Gabriel) e Bruno (distribuidor) falaram como foi gostoso, exibir seus filmes sob o céu estrelado, relataram sobre a receptividade do povo gostosense com relação ao filme. João falou de todo o preparo que teve para viver o protagonista, do treinamento físico, teve todo o estudo sobre a vida do Gabriel. O filme teve o apoio do time do Flamengo, time de coração do Gabriel, que infelizmente faleceu usando a camisa do clube. O clube carioca liberou os direitos de imagem e da promoção para sócios torcedores. Além disso, foi possível ver o quanto todos os envolvidos ficaram emocionados aos relatos dos fatos da produção do filme, até obter a sua finalização.

WhatsApp Image 2017-11-18 at 19.07.48O primeiro dia de debate da 4ª Mostra de Cinema de Gostoso foi marcado por uma participação intensa do início ao fim. Um papo que se não tivesse hora para acabar ainda estava acontecendo.

O contador está de olho nos acontecimentos da mostra de cinema. Até a próxima!

 

O canal onde os escritores de São Miguel do Gostoso tem vez e voz.