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CASO JERUSALÉM: ENTENDA O TAMANHO DA ONÇA QUE TRUMP CUTUCOU

A decisão de reconhecer a cidade como capital de Israel joga gasolina sobre uma fogueira que queima há 70 anos.

POR ALEXANDRE VERSIGNASSI
DA SUPERINTERESSANTE

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Amma Awad / Reuters

Trump decidiu reconhecer Jerusalém como capital de Israel. Se a sede do governo israelense fica lá, qual é o problema, então?

A resposta trespassa toda a história do conflito entre judeus e palestinos. Até maio de 1948, o território onde hoje ficam Israel e Palestina era uma colônia britânica – controlada pelo Reino Unido e habitada por judeus e árabes.

Desde o século 19 ensaiava-se a transformação de uma parte da colônia num Estado judaico à imagem e semelhança das fronteiras delimitadas pelo Velho Testamento. A proposta acabou ficou em banho-maria, já que os árabes da região também queriam a independência, só que para formar um país árabe ali.

Depois do Holocausto, a ideia de formar um Estado soberano para os judeus ganhou força. Em 1947, então, a ONU traçou um plano de partilha da colônia: os britânicos deveriam ir embora no ano seguinte, então um pedaço das terras vagas formaria Israel, e outra parte o Estado Palestino. Jerusalém, uma cidade sagrada para os dois grupos, não seria de ninguém. Ficaria sob “administração internacional” – habitado por judeus e palestinos, controlado pela ONU. Assim:

Mas faltou combinar com os russos. A rivalidade entre árabes e judeus já tinha deflagrado conflitos na região nas décadas anteriores. Logo que os ingleses começaram a arrumar as malas, começou uma guerra civil na colônia. E nada de o território virar dois Estados, muito menos a história de Jerusalém ficar nas mãos da ONU.

Em maio de 1948, os judeus deram um passo adiante: oficializaram a criação do Estado de Israel. O documento original de declaração de independência previa respeitar as fronteiras delimitadas pela ONU. Mas o líder dos judeus, David Ben Gurion, não via sentido prático nisso. “Nós aceitamos a resolução da ONU. Os árabes não.”, ele disse no ato da declaração. “Eles vão entrar em guerra conosco. Se nós vencermos, mais territórios irão fazer parte do Estado. Porque temos de aceitar fronteiras que os árabes já não aceitam de qualquer forma?”.

Dito e acontecido: os vizinhos árabes foram para a guerra. Israel venceu, e saiu do conflito com um território maior do que o da partilha original. Outros países, porém, assumiram o controle de parte dos territórios da ex-colônia britânica: a Faixa de Gaza acabou com o Egito e a atual Cisjordânia, com a Jordânia. E o mapa ficou assim:

Jerusalém, na borda da Cisjordânia, terminou dividida no final de 1948 – metade para os israelenses (“Jerusalém Ocidental”), metade para a Jordânia, (“Jerusalém Oriental”). Israel, então, decretou que sua parte de Jerusalém era a capital do país. O resto do mundo, para evitar atrito com os árabes, preferiu se manter fiel à resolução da ONU, e não reconhecer a posse de país nenhum sobre Jerusalém, pelo menos enquanto não houvesse um acordo definitivo entre os árabes e israelenses.

Em vez de acordo, porém, o que veio foi outro conflito: a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Israel venceu de novo. Tomou a Faixa de Gaza do Egito e tirou da Jordânia o controle sobre a faixa de Gaza e a outra metade de Jerusalém. Gaza e Cisjordânia não foram anexados oficialmente. Passariam a funcionar territórios semi-independentes, controlados pelas forças armadas de Israel e à espera da criação de um Estado palestino – o que nunca aconteceu. Jerusalém não: a cidade inteiro passou a fazer parte do Estado de Israel, e no papel de capital do país. A ONU e seus afiliados não concordaram: seguiram sem reconhecer a soberania israelense ali, pelo menos até que não houvesse um acordo definitivo com os árabes – o que nunca aconteceu.

Os países que têm relações diplomáticas com Israel sempre mantiveram suas embaixadas em outra cidade, Tel Aviv. É o caso do Brasil e, obviamente, dos EUA, mesmo com o país sendo o grande aliado histórico de Israel. Tão aliado que o congresso americano passou uma resolução, em 1995, dizendo que a embaixada americana deveria se mudar para Jerusalém. Todos os presidentes dos EUA desde então vetaram o projeto. Reconhecer oficialmente Jerusalém como capital de Israel era comprar briga com árabes de graça – e por um ato meramente simbólico, pois Israel já manda na cidade de um jeito ou de outro. Trump, porém, havia prometido para doadores de campanha pró-Israel que reconheceria Jerusalém. E cumpriu. A briga agora está comprada. E a esperança de uma solução para esse conflito de 70 anos, que já era pequena, agora diminui mais um tanto.

 

ORIGINAL: https://super.abril.com.br/opiniao/caso-jerusalem-entenda-o-tamanho-da-onca-que-trump-cutucou/

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UMA MENTIRA E UMA RIXA AMOROSA LEVARAM À PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

POR FELIPE VAN DEURSEN
DA SUPERINTERESSANTE

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Marechal Deodoro da Fonseca.

A Guerra do Paraguai (1864-1870) matou cerca de 480 mil pessoas entre 1864 e 1870. O Paraguai foi devastado. Quase um quarto do território foi perdido para os inimigos, a chamada Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai). Cerca de 300 mil mortos, em um universo de até 1,3 milhão de habitantes, o que faz do país o Estado moderno com a maior perda de população causada por um conflito internacional. A poligamia informal se tornou comum. Com tantas viúvas, órfãs e solteiras, o país ficou conhecido como a Terra das Mulheres.

Desde então, a política no Paraguai é um pântano. Somente em 1916, após seis golpes de Estado, um presidente conseguiu cumprir o mandato até o fim. Houve oito revoluções fracassadas. Eleições democráticas, só em 1993. Em 1999, o presidente Raúl Cubas Grau foi acusado de envolvimento no assassinato de seu vice e renunciou. Em 2012, um processo de impeachment que durou menos de 48 horas destituiu Fernando Lugo do cargo.

Se a guerra moldou toda a história do Paraguai, para o Brasil não foi diferente. A vitória transformou o Exército brasileiro em algo que ele nunca tinha sido: uma força política, capaz de bater de frente com a aristocracia do império, caso fosse necessário. O que não demorou a acontecer. Em 1884, o tenente-coronel Sena Madureira, veterano da guerra e comandante da Escola de Tiro Campo Grande, no Rio de Janeiro, recebeu com festa o jangadeiro cearense Francisco José do Nascimento, um dos líderes abolicionistas do país. O governo considerou um ato de indisciplina, já que a escravidão ainda era lei no país e cabia ao Exército ajudar na captura de escravos que fugiam. Sena Madureira acabou demitido, e trocou farpas na imprensa com o ministro da guerra, o civil Franco de Sá.

A atitude de Sena Madureira foi questionada, mas ele foi defendido por outro veterano do conflito no Paraguai, onde teve uma série de promoções por atos de bravura. O marechal Deodoro da Fonseca argumentou que apenas a discussão pública entre militares era proibida pela legislação. Como o tenente-coronel fora atacado por uma autoridade civil, ele poderia responder à altura. Porém, antes que o ofício com a defesa de Deodoro, que então era presidente em exercício da província do Rio Grande do Sul, chegasse ao Rio de Janeiro, o novo ministro da guerra, Alfredo Chaves, puniu Sena Madureira. Isso uniu o Exército em solidariedade, e a chamada Questão Militar ficava mais forte. Na época, os militares reclamavam do soldo, congelado por anos, da redução dos efetivos depois da guerra e da falta de modernização de equipamentos, entre outros assuntos. Era demais para uma classe que se via como a salvadora do país.

Em 1889, os republicanos convenceram Deodoro de que o então Presidente do Conselho de Ministros de Pedro II, o Visconde de Ouro Preto, havia expedido uma ordem de prisão contra ele. Não era verdade, mas bastou para que Deodoro juntasse um pequeno batalhão e marchasse pelo Rio de Janeiro exigindo a deposição de todo o ministério. Deodoro, então, soube que o novo Ministro-Chefe seria Gaspar Silveira Martins, seu desafeto – os dois tinham disputado o amor da mesma mulher na juventude, e viraram rivais para o resto da vida. “Aí já é demais”, Deodoro talvez tenha pensado. O fato é que isso levou Deodoro, que até então não via o Brasil sem a monarquia, a derrubar Pedro II e instituir um governo provisório. Estava proclamada a República. Graças a uma rivalidade romântica. E, principalmente, graças à Guerra do Paraguai. Dois anos depois, a República se consolidaria sob o punho de ferro do sucessor de Deodoro: o marechal Floriano Peixoto, outro que ganhou destaque no Exército quando combateu as forças de Solano López.

A história do Brasil República começou ali, e ainda hoje há ecos da maior guerra da América Latina: em 2014, 150 anos após o início do conflito, o Paraguai pediu a devolução de um importante canhão. Mas ele permanece no Museu Histórico Nacional, no Rio.

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Este conteúdo foi originalmente publicado no livro 3 Mil Anos de Guerra, à venda em bancas, livrarias e lojas online.

ORIGINAL: https://super.abril.com.br/blog/contaoutra/uma-mentira-e-uma-rixa-amorosa-levaram-a-proclamacao-da-republica/

5 COMPORTAMENTOS NAS REDES SOCIAIS QUE QUEIMAM SUA IMAGEM

Confira cinco jeitos de manchar sua reputação profissional nas redes sociais.

POR CAMILA PATI
DA SUPERINTERESSANTE

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Foto: Nicolas McComber/iStock

Gerir a presença online para que perfis profissionais e pessoais não transmitam mensagens ambíguas sobre você é uma atitude importante para evitar prejuízos à sua reputação. Pesquisa realizada pela OfficeTeam, empresa que pertence à Robert Half, com 300 gerentes de RH aponta que, para 45% deles, postagens inadequadas podem custar a participação em processos seletivos.

Além disso, um em cada três recrutadores entrevistados considera que fotos inadequadas também são motivo para cortar um profissional de uma seleção.

A seguir confira os piores comportamentos na internet, segundo a equipe da OfficeTeam:

1. O crítico mal-humorado

Como age: não há limites para suas críticas. De colegas de trabalho a temas de política, nada escapa de suas ácidas observações.
Por que se queima: pode ofender ou causar mal-estar por tornar pública sua opinião sobre pessoas ou fatos.

2. O viciado em selfies

Como age: publica selfies a todo momento e em todos os lugares, inclusive no trabalho.
Por que se queima: passa a impressão de ser uma pessoa vaidosa e de ego inflado. Caso colegas de trabalho, chefes e recrutadores vejam fotos inadequadas, sua imagem profissional pode ser comprometida.

3. O detalhista

Como age: festas, viagens, refeições, restaurantes, reuniões, livros. A cada passo, uma postagem.
Por que se queima: a compulsão em publicar e atualizar seu status nas redes, além de ser chata, aumenta as chances de que alguma postagem inadequada apareça para chefes, colegas de trabalho ou recrutadores. Principalmente se configurações de privacidade não forem utilizadas.

4. O acumulador de conexões

Como age: não seleciona as pessoas em sua rede e manda convites para qualquer um. Quantidade parece ser mais importante do que qualidade.
Por que se queima: forma uma rede de contatos vazia, ineficiente e que em nada acrescenta a sua carreira.

5. O ausente

Como age: não age, na verdade. Não publica nada, não atualiza seu perfil.
Por que se queima: ao deixar de atualizar perfis em redes como o LinkedIn, por exemplo, ou fóruns e grupos de discussão, a pessoa perde visibilidade no mercado e, consequentemente, oportunidades profissionais.

Conteúdo publicado originalmente em Exame.com

ENTENDA O CAOS DA SOMÁLIA, MARCADO PELO PIOR ATENTADO DO ANO

ATUALIZADO EM 21/10 – O número de mortos chegou a 358, o que faz do atentado o mais mortal do mundo desde janeiro de 2015, quando o Boko Haram massacrou até 2 mil pessoas em Baga, na Nigéria.

POR FELIPE VAN DEURSEN
DA SUPERINTERESSANTE

somalia
Foto: Feisal Omar/Reuters

Um caminhão com centenas de quilos de bombas explodiu perto do Ministério das Relações Exteriores da Somália. Duas horas depois, outra explosão ocorreu na região da Universidade Nacional Somali. Duas áreas movimentadas, em uma cidade de 1,5 milhão de habitantes. Isso foi no sábado 14 e, enquanto as buscas nos escombros continuam, o número de mortos já passa de 300. Pode subir ainda mais, por causa dos corpos incinerados na onda de calor ou severamente mutilados pelas explosões. Mogadíscio foi alvo mais uma vez do terror.

Talvez isso tenha passado batido. Mas foi o pior atentado do mundo desde julho de 2016, quando uma série de bombas em um mercado de Bagdá matou mais de 320 pessoas (não, o pior dos últimos tempos não foi o de Paris).

O ataque foi atribuído ao grupo radical islâmico Al Shabab, parceiro da Al Qaeda no Chifre da África. Nos últimos anos, conforme perdia territórios e poder, a milícia intensificava os ataques, seguindo um padrão de comportamento comum a terroristas acuados, tiranos à beira da derrota, cães raivosos e goleiros desesperados que correm para o outro lado do campo em busca de um gol salvador.

Quanto mais território a Al Shabab perdia, mas terror tocava. Em 2013, membros do grupo abriram fogo e mataram 67 pessoas em um shopping de Nairóbi, Quênia – país fronteiriço para onde a Al Shabab se direcionou com as derrotas em território somali. Em 2015, pior ainda: os terroristas mataram 148 pessoas na Universidade de Garissa, também no Quênia.

Apesar de os ataques de 2015 terem sido direcionados a cristãos e de que a Al Shabab já exterminou cristãos em outras ocasiões e em outros países, o mais recente atentado não mirou a religião – afinal, aconteceu na própria capital desse país 99,8% muçulmano.

CONTEXTO HISTÓRICO

Para tentar entender o caos que assola o país há décadas, voltar à Guerra Fria ajuda. Os somalis, como quase toda a África, constituíam um país jovem. Após 90 anos divididos entre italianos e ingleses, eles se unificaram em 1960. A bandeira com a estrela de cinco pontas representa os cinco grupos que constituíam a Somália histórica. Os da colônia italiana, ao sul, e os da colônia inglesa, ao norte, estavam juntos. Mas ainda faltavam aqueles nos vizinhos Djibuti, Etiópia e Quênia.

Em 1974, a Somália, país maior que Bahia, Sergipe e Alagoas juntos, cheio de montanhas no norte e planícies no sul, sentia os acontecimentos conturbados que mudariam o destino da Etiópia. Uma ditadura militar comunista tomou o poder no país, destronando o rei-divindade-rastafári Hailé Selassié. Três anos depois, em um golpe dentro do golpe, Mengistu Haile tornou-se o ditador, adotando uma postura violenta, que massacrava até mesmo os próprios comunistas do país.

Enquanto Mengistu Haile estava ocupado caçando outros comunistas e matando o povo de fome, o ditador da Somália, general Siad Barre, tinha seus próprios planos. Naquele mesmo 1977, ele invadiu o Deserto de Ogaden, a área etíope habitada por somalis.

Pausa para um contexto global. Anos 70, Guerra Fria rolando, aquele conflito tenso em que americanos e soviéticos dividiram o mundo entre si, mas não entraram em guerra oficial e diretamente (apesar de terem participado, quando não causado, de uma série de conflitos no planeta, o que faz a gente se perguntar o quão “fria” a guerra foi…). Mengistu, como é de se imaginar, era apadrinhado da União Soviética. O problema é que Barre também era, então Moscou não queria saber de uma guerra entre aliados.

A URSS tentou demover o general somali da ideia. Não deu certo, Moscou deixou Barre à própria sorte, o general debandou para o lado americano do War da Guerra Fria e acabou, mesmo assim, invadindo o deserto. Os etíopes, com a ajuda de cubanos (já que uma mão a mais nunca é demais) expulsaram os invasores, em 1978. Quase 1 milhão de somalis de Ogaden se refugiaram na Somália.

Mesmo derrotado, Barre se manteve no poder até 1991, ano em que também caíram a ditadura de Mengistu Haile e a URSS. A Somália virou um país inviável, com clãs digladiando pelo poder. Tropas da ONU e dos EUA intervieram. Em 1993, dois helicópteros americanos foram derrubados, para a humilhação de Washington (a história rendeu o filme Falcão Negro em Perigo, de Ridley Scott).

O desgoverno na Somália seguiu firme nos anos seguintes. Em 2006, uma nova força na guerra surgiu, a União das Cortes Islâmicas (UIC), um grupo de milícias que queria instaurar um Estado islâmico no país. Uma ação militar da Etiópia, agora com apoio dos EUA, enfrentou a UIC, junto com o governo pró-Ocidente. Em 2007, o número de refugiados no país chegou a 1 milhão.

A bagunça generalizada também propiciou o surgimento de piratas no Golfo de Áden. Em 2009, foram 214 ataques, e um deles ficou famoso, graças a Tom Hanks, no filme Capitão Philips. Naquele ano, as tropas etíopes se retiraram, e o vácuo foi aproveitado pela Al Shabab, que conquistou várias porções do país. Em 2011, uma missão de paz da União Africana, a Amisom, retomou a ofensiva militar, com apoio americano. Ao mesmo tempo, uma grave seca, aliada à violência, deixou 260 mil mortos.

Até o ano passado, os redutos do grupo terrorista se reduziram drasticamente. Em fevereiro de 2017, Mohamed Farmaajo tornou-se presidente da Somália, com um discurso de “início de uma era de união”. Mas os ataques de sábado ainda questionam a viabilidade do país. Lá se vão 26 anos, o que deixa a Somália um lugar difícil de ser superado em termos de caos.

DESGRAÇAS

Não precisava ser assim. Diferentemente de muitas outras nações africanas, trata-se de um país com basicamente um povo (98,3% somali), apenas dois idioma majoritários (somali e árabe), uma religião (Islã) e diversos elementos culturais em comum, em um território vasto, dono do maior litoral da África continental, com mais de 3 mil quilômetros, às margens de uma região globalmente estratégica, entre o Golfo de Áden e o Oceano Índico. Além disso, o país tem, possivelmente, grandes reservas de petróleo.

E aí chegamos a outra questão problemática. Como (quase) sempre.

Para especialistas em geopolítica árabe como o diplomata etíope Mohamed Hassan, o interesse dos EUA em enfrentar os clãs trazia, embutida, a intenção de manter o país fragmentado. Eles temeriam que, caso a Somália se torne um país um pouco mais organizado e que consiga explorar suas próprias fontes de petróleo e exportá-las, ela seguiria o exemplo do Sudão: o petróleo que os americanos descobriram no país há 30 anos hoje não é vendido aos EUA, mas à China.

Então, não seria do interesse de Washington um Estado forte no bico do Índico, muito mais perto da Índia e da China do que do Texas, com potencial de alimentar um polo econômico no Índico africano (o que era um sonho de Nelson Mandela). Além do mais, autoridades somalis já estão negociando a exploração petrolífera no país com os chineses. A Guerra Fria acabou, mas o país segue em um jogo insalubre e insustentável entre as grandes potências.

Existe também a possibilidade da fragmentação. A Somalilândia, região semidesértica na costa do Golfo de Áden, mais tranquila do que o resto, luta pelo reconhecimento de sua independência desde 1991. Enquanto isso, a tragédia segue seu ritmo, com pouco interesse despertado do mundo. O caos é tão grande que nem há estimativas consistentes de baixas. Os números giram de 500 mil a mais de 1 milhão de mortos desde 1991.

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Fonte Original: https://super.abril.com.br/blog/contaoutra/entenda-o-caos-da-somalia-marcada-pelo-pior-atentado-do-ano/

POR QUE ÀS VEZES DAMOS UM TREMELIQUE AO URINAR?

POR SUPERINTERESSANTE

SUPERITERESSANTE

Essa me acompanha a cada ida ao banheiro: por que às vezes damos um tremelique ao urinar?

 – Júnior Ramos, Mirabela, MG

Uuuui, adrenalina pura, Juninho.

Quando você, humano, urina, o sistema nervoso parassimpático contrai a bexiga. No mesmo instante, o sistema nervoso simpático é inibido para que o canal urinário relaxe e libere o xixi.

Encerrado o serviço, o parassimpático dá uma brecha para que o simpático entre em ação. Ele bloqueia a saída da urina com uma descarga de hormônios – adrenalina inclusa – que causa o siricutico.

Fonte: Fernando Almeida, urologista do Hospital Sírio Libanês.

 

ORIGINAL: https://super.abril.com.br/blog/oraculo/por-que-as-vezes-damos-um-tremelique-ao-urinar/

POR QUE RECÉM-NASCIDOS TÊM UM CHEIRO TÃO GOSTOSO?

POR ANA CAROLINA LEONARDI
EM SUPERINTERESSANTE

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Foto: FamVeld/iStock

É só chegar em uma maternidade para se deparar com dezenas de visitas ansiosas para cheirar os mais novos humanos. Não é só tradição, tipo nunca admitir que um bebê é feio: o cheiro de um recém-nascido existe e seu encanto já foi comprovado cientificamente.

Um estudo internacional, que envolveu pesquisadores da Suécia, dos EUA e da Alemanha, mostrou que mulheres, quando expostas ao cheiro de um bebê nascido a dois dias ou menos, têm uma reação cerebral similar a de usar drogas ou comer algo muito gostoso. O sistema de recompensa no cérebro se ativava com o cheiro até de recém-nascidos desconhecidos, independentemente da mulher ter filhos ou não.

Por que o cheiro gera uma reação tão forte?

O olfato é um dos sentidos mais ricos que possuímos: seu nariz tem até 25 milhões de receptores olfativos únicos, que se combinam para criar uma grande diversidade de cheiros. Mas essas informações podem passar batidas para você – não ficam tão claras quanto a visão e o tato. Por isso mesmo, elas são fortes gatilhos de memória. Um cheiro que você não sabe nem quando sentiu pode, de repente, transportar você a uma lembrança específica ou gerar fortes sensações

PRA ONDE VAI A GORDURA QUANDO VOCÊ EMAGRECE?

Ela até queima, mas sai mesmo pelos pulmões e pela urina.

POR FÁBIO MARTÓN
DA SUPERINTERESSANTE

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Na ficção, o Hulk pode crescer e encolher do nada. No mundo real, onde os átomos da matéria são sempre os mesmos, o doutor Bruce Banner teria que comer uma vaca para virar gigante verde – e perder essa vaca para voltar a ser franzino. Por onde sai então a matéria que constitui a gordura? Se você pensou no “número 2” do banheiro, passou longe. A maior parte da gordura sai na forma de água e gás carbônico.

O principal combustível do organismo é a glicose, um tipo de açúcar. Apenas quando falta glicose no sangue é que a gordura é usada. Mas não diretamente: ela é triturada em partes de oxigênio, carbono e hidrogênio. O oxigênio é queimado e vira energia, em um processo que tem dois subprodutos: CO2,que sai pelos pulmões, e água, eliminada no suor e na urina. É por isso que quem emagrece rápido costuma fazer tanto xixi. E é por isso que os exercícios aeróbicos, que fazem você respirar mais rápido, são aqueles que fazem você perder mais peso.

Sai desse corpo

Como a gordura é quebrada, queimada e expelida

1. Sem glicose, vem gordura
O combustível titular do corpo é a glicose. Quando ela acaba, as células de gordura liberam seu conteúdo, os triglicérides, que contêm oxigênio, hidrogênio e carbono.

2. Por partes
Os triglicérides precisam ser transformados para passar pela membrana das células. Por diversas reações complexas, eles viram ATP, o combustível das células.

3. Ventilação
Falta ainda um elemento da equação: o ATP só vira energia quando recebe um banho de oxigênio. Esse oxigênio vem da respiração, através dos glóbulos vermelhos.

4. Na fogueira
O ATP é queimado (para usar um termo mais técnico, “oxidado”) e se transforma na energia que o organismo estava pedindo. Essa queima tem dois subprodutos: água e gás carbônico.

5. Sobra água
A água que sobra tem de sair. Quem faz dieta sem exercício pode aumentar a frequência dos xixis, mas quem comparece à esteira perde essa água pelo suor.

6. Sobra gás
O carbono que sobra se junta ao oxigênio e vira CO2, que retorna aos glóbulos vermelhos e vai parar nos pulmões, e dali é expelido pela respiração.

Fonte: Marcio Mancini, presidente do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Original: http://super.abril.com.br/saude/pra-onde-vai-a-gordura-quando-voce-emagrece/