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POR QUE RECÉM-NASCIDOS TÊM UM CHEIRO TÃO GOSTOSO?

POR ANA CAROLINA LEONARDI
EM SUPERINTERESSANTE

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Foto: FamVeld/iStock

É só chegar em uma maternidade para se deparar com dezenas de visitas ansiosas para cheirar os mais novos humanos. Não é só tradição, tipo nunca admitir que um bebê é feio: o cheiro de um recém-nascido existe e seu encanto já foi comprovado cientificamente.

Um estudo internacional, que envolveu pesquisadores da Suécia, dos EUA e da Alemanha, mostrou que mulheres, quando expostas ao cheiro de um bebê nascido a dois dias ou menos, têm uma reação cerebral similar a de usar drogas ou comer algo muito gostoso. O sistema de recompensa no cérebro se ativava com o cheiro até de recém-nascidos desconhecidos, independentemente da mulher ter filhos ou não.

Por que o cheiro gera uma reação tão forte?

O olfato é um dos sentidos mais ricos que possuímos: seu nariz tem até 25 milhões de receptores olfativos únicos, que se combinam para criar uma grande diversidade de cheiros. Mas essas informações podem passar batidas para você – não ficam tão claras quanto a visão e o tato. Por isso mesmo, elas são fortes gatilhos de memória. Um cheiro que você não sabe nem quando sentiu pode, de repente, transportar você a uma lembrança específica ou gerar fortes sensações

PRA ONDE VAI A GORDURA QUANDO VOCÊ EMAGRECE?

Ela até queima, mas sai mesmo pelos pulmões e pela urina.

POR FÁBIO MARTÓN
DA SUPERINTERESSANTE

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Na ficção, o Hulk pode crescer e encolher do nada. No mundo real, onde os átomos da matéria são sempre os mesmos, o doutor Bruce Banner teria que comer uma vaca para virar gigante verde – e perder essa vaca para voltar a ser franzino. Por onde sai então a matéria que constitui a gordura? Se você pensou no “número 2” do banheiro, passou longe. A maior parte da gordura sai na forma de água e gás carbônico.

O principal combustível do organismo é a glicose, um tipo de açúcar. Apenas quando falta glicose no sangue é que a gordura é usada. Mas não diretamente: ela é triturada em partes de oxigênio, carbono e hidrogênio. O oxigênio é queimado e vira energia, em um processo que tem dois subprodutos: CO2,que sai pelos pulmões, e água, eliminada no suor e na urina. É por isso que quem emagrece rápido costuma fazer tanto xixi. E é por isso que os exercícios aeróbicos, que fazem você respirar mais rápido, são aqueles que fazem você perder mais peso.

Sai desse corpo

Como a gordura é quebrada, queimada e expelida

1. Sem glicose, vem gordura
O combustível titular do corpo é a glicose. Quando ela acaba, as células de gordura liberam seu conteúdo, os triglicérides, que contêm oxigênio, hidrogênio e carbono.

2. Por partes
Os triglicérides precisam ser transformados para passar pela membrana das células. Por diversas reações complexas, eles viram ATP, o combustível das células.

3. Ventilação
Falta ainda um elemento da equação: o ATP só vira energia quando recebe um banho de oxigênio. Esse oxigênio vem da respiração, através dos glóbulos vermelhos.

4. Na fogueira
O ATP é queimado (para usar um termo mais técnico, “oxidado”) e se transforma na energia que o organismo estava pedindo. Essa queima tem dois subprodutos: água e gás carbônico.

5. Sobra água
A água que sobra tem de sair. Quem faz dieta sem exercício pode aumentar a frequência dos xixis, mas quem comparece à esteira perde essa água pelo suor.

6. Sobra gás
O carbono que sobra se junta ao oxigênio e vira CO2, que retorna aos glóbulos vermelhos e vai parar nos pulmões, e dali é expelido pela respiração.

Fonte: Marcio Mancini, presidente do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Original: http://super.abril.com.br/saude/pra-onde-vai-a-gordura-quando-voce-emagrece/

A DIVULGAÇÃO ATABALHOADA DA PF CRIOU MAIS PÂNICO DO QUE DEVERIA

POR ALEXANDRE VERSIGNASSI
DA SUPERINTERESSANTE

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Foto: Grandriver/iStock 

O Brasil levanta US$ 14,5 bilhões por ano com exportação de carne. Temos mais cabeças de gado no país (215 milhões) do que gente (204 milhões). Levando em conta que imposto sobre exportação é de 30%, o governo recebe tanto dessa indústria a cada TRÊS MESES quanto ganhou com a última rodada de privatização de aeroportos (US$ 1,2 bi).

Tudo isso só mostra o quanto a operação Carne Fraca é importante. Melhor que a indústria leve um safanão de uma vez do que vê-la perder mercado gradativamente, até que o Brasil volte à hoje inimaginável situação de importador líquido de carne.

A operação é valiosa. Ponto. Mas não dá para dizer o mesmo da forma como ela foi divulgada pela Polícia Federal. O atabalhoamento colocou no mesmo barco frigoríficos pêgos vendendo carne estragada com outros que nem chegaram a ser acusados disso.

E tem o caso do papelão. Agora, que vários técnicos de universidades já foram ouvidos, está claro que se foi um mal entendido da Polícia Federal. Tudo leva a crer que, de fato, não existe carne com papelão – para começar, ele faria a carne apodrecer mais rápido, o que só traria prejuízo para a indústria. Só tem um problema: a maior fonte de informação de boa parte dos brasileiros não é nem o Facebook. São os memes de internet. E a ideia da carne com papelão é matéria-prima perfeita para memes de primeira linha, como você tem visto no Whatsapp.

A PF nunca foi tão atuante, e importante, para o País. O problema é que isso parece ter contaminado parte do bom senso da instituição. A divulgação da Carne Fraca na sexta-feira precisava de um técnico que fosse para tirar dúvidas da imprensa – e do público. Pintar virtualmente todos os produtores de carne do país como bandidos, questionar a qualidade de toda proteína animal brasileira e criar novas lendas urbanas, do papelão na carne à ideia de que toda carne produzida no Brasil está condenada, mancha parte do que a operação tem de bom.

Os efeitos deletérios para a economia já começam a vir: a Coreia do Sul já barrou nosso frango, China e Chile, nossa carne, e a União Europeia planeja suspender os frigoríficos investigados. Nada disso significa que uma divulgação mais madura da PF evitaria esses bloqueios. O mercado de proteína animal é tão sensível a questões sanitárias que mesmo se o anúncio fosse feito por uma bancada de cientistas, como o devido cuidado para não gerar informações falsas, nossa carne de exportação acabaria pagando o pato do mesmo jeito. Mas nada justifica a proliferação de exageros e erros. Aí já é papelão.

ORIGINAL: http://super.abril.com.br/blog/crash/a-divulgacao-atabalhoada-da-pf-criou-mais-panico-do-que-deveria/

METADE DAS ESPÉCIES ANIMAIS PODE SUMIR ATÉ O FINAL DO SÉCULO

Buscamos vida em outros planetas enquanto aqui na Terra ela é dizimada bem debaixo do nosso nariz.

POR QUE É IMPORTANTE CONVERSAR SOBRE SEXO COM SEUS FILHOS

Quanto menos informada sobre sexo for a criança, mais precoce e aleatória será sua iniciação sexual – e, com isso, mais arriscada.

Quanto mais cegonhas, mais bebês

Estatísticas enganam. Se mal-interpretadas, provam até que cegonhas trazem bebês

Para mostrar o quão mal-interpretadas estatísticas podem ser, o físico britânico Robert Matthews se deu o trabalho de comparar, em 17 países europeus, os dados de observação de pares de cegonhas e o número de nascimentos. Depois, estabeleceu o coeficiente de correlação entre os dois. O resultado foi surpreendente. Países europeus com mais cegonhas têm também mais bebês recém-nascidos.

Primeiro vamos entender o que é coeficiente de correlação. Quando duas variáveis não têm nenhuma correlação, o coeficiente é 0. Quando essa correlação é perfeita, o coeficiente é 1. No caso das cegonhas e dos bebês, o coeficiente foi 0,62. É uma correlação impressionante.

Isso quer dizer que cegonhas e nascimento têm alguma relação de causa? É claro que não. Se tivesse, não haveria nascimentos nas Américas, que ficam fora da rota migratória das cegonhas. A pegadinha está em esquecer um mantra sagrado da estatística: correlação não é relação de causa. Por exemplo, as vendas de peru são maiores em meses quentes do que em frios. Mas isso não significa que o aumento de calor leve ao aumento de vendas de peru. São dados correlacionados porque, por acidente, o Natal cai no verão brasileiro. É o mesmo que acontece com as cegonhas – que não têm nada a ver com o que os pais fazem.

Por que ela?

A lenda das cegonhas já fazia parte do folclore nórdico, mas só foi popularizada no século 19 num conto de Hans Christian Andersen, o mesmo autor de O Patinho Feio. Saiba por que foram elas as eleitas para trazer bebês.

– Em cidades nórdicas, elas adaptaram seus ninhos aos telhados e chaminés de casas. Para mandar o infante buraco abaixo, bastou um empurrãozinho da imaginação.

– Elas são grandes, com uma envergadura de até 2 metros. Já uma pomba qualquer não seria capaz de tamanha empreitada.

– São aves migratórias, o que permitiria trazerem os bebês de uma terra distante (algo como um tráfico internacional de bebês).

– Têm comportamento altruísta e cuidam de seus filhotes mesmo depois de eles terem aprendido a voar.

Até qualquer hora!

Fonte utilizada: http://super.abril.com.br/comportamento/3-foi-a-cegonha-que-trouxe-voce/?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super

SE APAIXONAR FAZ PARTE DO SEU CÉREBRO ENCOLHER

Entrar num relacionamento te deixa mais feliz – mas pode te fazer perder tanta massa cinzenta quanto um dependente de drogas.

POR ANA CAROLINA LEONARDI
DA SUPERINTERESSANTE

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Se você sente que a paixão atrapalha seu autocontrole, não podia estar mais certo. Para entender porque o amor faz uma bagunça tão grande na cabeça das pessoas, neurocientistas do Instituto Nacional de Ciências Fisiológicas, no Japão, foram observar o cérebro de jovens apaixonados.

Eles recrutaram 113 voluntários e coletaram exames de imagem do cérebro de cada um. Metade deles estava em relacionamentos há pelo menos um mês. O outro grupo era de solteiros. Além das ressonâncias do cérebro, cada participante também precisava responder um formulário sobre sua felicidade no momento.

O que os pesquisadores perceberam é que as pessoas que tinham acabado de entrar em um relacionamento novo eram as mais felizes – e, por coincidência, tinham uma área específica do cérebro reduzida em comparação ao órgão dos solteiros.

Os pombinhos tinham menos massa cinzenta em uma área chamada de corpo estriado dorsal, parte do cérebro envolvida no sistema de recompensa. Esse sistema é responsável por nos fazer sentir bem, processando estímulos positivos – seja fazer sexo, comer chocolate ou usar drogas, por exemplo.

Os cientistas não sabem explicar porque o corpo estriado dorsal dos apaixonados recentes era menor, mas a teoria deles é que essa parte do cérebro encolhe em resposta aos “sintomas do amor”. Isso porque a massa cinzenta é uma das estruturas do cérebro que é alterada ao longo da vida, de acordo com a experiência individual de cada um.

O que essa diferença de tamanho sugere é que o corpo precisa se adaptar ao estado de “felicidade total” que nos acomete nas primeiras fases de um relacionamento amoroso, para não sobrecarregar o sistema de recompensa. Afinal, se a pessoa sorri só de pensar no amado, a massa cinzenta precisa segurar o tranco e a diminuição do corpo estriado poderia ser uma tentativa de equilibrar as coisas.

Para ter certeza mesmo, os pesquisadores precisam testar se existem alguma mudança na função neurológica causada pela mudança estrutural do corpo estriado dorsal. Aí sim, saberíamos com certeza se esse encolhimento tem alguma coisa a ver com a felicidade e o amor.

Além disso, seria importante acompanhar a forma dessa área cerebral ao longo da vida de alguém, para ter certeza que ela encolhe mesmo. De outra forma, temos o problema da correlação: pode ser, por exemplo, que pessoas com um corpo estriado menor tenham uma tendência natural a se apaixonar.

Nem por isso os cientistas estão totalmente no escuro: como aponta a Sociedade Britânica de Psicologia, outros estudos já mostraram que quando sobrecarregamos o sistema de recompensa do cérebro, o corpo estriado encolhe. Só que essas pesquisas não foram feita com apaixonados – e sim com viciados em cocaína.

Original: http://super.abril.com.br/ciencia/se-apaixonar-faz-parte-do-seu-cerebro-encolher/

QUEM INVENTOU O FIM DE SEMANA?

POR SUPERINTERESSANTE

happy little boy yelling and playing water guns in the park

“Ó, incansável: quem inventou o fim de semana?”, Roberta Campos, Campinas, SP

Incansável nada! Fim de semana é tão sagrado para mim como para judeus e romanos, que folgavam no sábado desde a Antiguidade.

O domingo livre é medieval: é o dia da missa católica, portanto um descanso para todos irem ao culto. Mas um par de dias para relaxar é consequência de reivindicações operárias na época da Revolução Industrial, no século 19.

Atualmente, cada país tem o seu modelo. A maioria adota nosso conhecido sábado e domingo como dias de folga. Entre os países islâmicos, porém, o mais comum é o fim de semana cair na sexta e no sábado.

FONTE: José Luciano de Cerqueira, historiador da UFPE e Fabiane Popinigis, historiadora da UFRJ.

DISPONÍVEL EM: http://super.abril.com.br/blogs/oraculo/quem-inventou-o-fim-de-semana/?0&utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super