Arquivo da categoria: Educação Em Pauta

CAMPUS EAD – Abertas inscrições para cursos do Mediotec pelo IFRN

Abertas inscrições para cursos do Mediotec pelo IFRN

 

As vagas são para alunos da rede pública, nos polos Canguaretama, Ceará-Mirim, São Paulo do Potengi e São Gonçalo

As inscrições para o Mediotec pelo IFRN podem ser feitas até a próxima quarta-feira (21). O programa é voltado para alunos que querem começar um curso técnico da rede e-Tec Brasil/MedioTec no Campus de Educação a Distância do IFRN. O Campus EaD está ofertando 200 vagas. São 50 para cada polo: Canguaretama, Ceará-Mirim, São Paulo do Potengi e São Gonçalo do Amarante.

O processo seletivo é voltado para alunos da rede pública estadual, matriculados no Ensino Médio Regular ou na modalidade de Educacão de Jovens e Adultos (EJA), com idade de 15 a 19 anos. O edital reserva 10% das vagas para jovens com deficiência ou em situação de vulnerabilidade social e 65%, para alunos do Ensino Médio pertencentes a famílias beneficiárias do programa Bolsa Família.

As inscrições podem ser feitas até o dia 21 de junho exclusivamente pelo Sistema Integrado de Gestão da Educação (Sigeduc), acessando o Portal do Estudante e seguindo o caminho “Programas” → “Pronatec/Mediotec → “Inscrever Estudante em Oferta de Curso do PRONATEC/MEDIOTEC”.

Os cursos serão ministrados na forma EaD, contando com apoio presencial no polo do curso, onde também serão ministradas as aulas da carga horária presencial. A UFRN e o IFRN serão as instituições responsáveis pelos cursos, pelo material didático on-line, assistência estudantil e suporte pedagógico.

O curso técnico do IFRN – EAD

O Curso Técnico concomitante em Informática para Internet, na modalidade a distância, tem como objetivo geral capacitar profissionais no desenvolvimento de programas de computador para Internet e a desempenhar atividades voltadas para design de websites, análise e desenvolvimento de sistemas para Internet, projeto de banco de dados, instalação e configuração de servidores de Internet.

 

Fonte: IFRN

O JEITO CERTO DE DISCIPLINAR

Nem rigidez nem permissividade. Segundo especialista, a solução é o equilíbrio.

POR NOVA ESCOLA

nazarena-de-point-loma
Foto: Mariana Pekin

A Nova Escola ouviu a Fernanda Lee que é Mestre em Psicologia Escolar pela Universidade Nazarena de Point Loma, nos Estados Unidos, além disso, ministra cursos sobre disciplina positiva para pais e professores no Brasil e nos EUA.

Nesse bate-papo ela fala sobre a disciplina em sala de aula. Veja:

Um mundo sem punições é um mundo em que as ações não têm consequências?

FERNANDA Existe uma diferença entre punição e consequência lógica. E elas são sempre confundidas. Quando um estudante risca a mesa, é comum deixá-lo sem recreio. O que isso tem a ver com o que ele fez? Nada. Trata-se apenas de uma punição. A consequência lógica deve atender a três princípios: ser relacionada (seria justo que ele limpasse a própria mesa), razoável (limpar a mesa de todos os colegas não faria sentido) e, se possível, antecipada (o aluno pensa no que fazer para resistir à vontade de riscar a mesa).

O que molda essa mentalidade?

É o conceito de disciplina positiva, criado pela pesquisadora e psicóloga americana Jane Nelsen. Normalmente, disciplinamos as crianças de maneira rígida ou permissiva. Quando os professores são muito rígidos, acabam sendo autoritários e o aluno sente que teve sua dignidade roubada. Quando são permissivos, deixam que tudo aconteça para não afetar a autoestima da turma. Nelsen propõe que o docente seja firme, mas também gentil para manter a dignidade da criança.

Por que agir assim, se no passado a rigidez parecia funcionar?

A mudança de gerações transformou as relações de poder tanto entre adultos (no trabalho e na família) como entre adultos, crianças e jovens. A garotada hoje quer direito a igualdade, quer ser ouvida. O professor tende a acreditar que, no momento que ele deixa o aluno decidir, está perdendo poder. Isso é um equívoco. O adulto ainda é o capitão do barco, mas, ao se mostrar disposto a ouvir e considerar também os estudantes, deixa que todos ajudem a remar.

E se o aluno não estiver disposto a cooperar?

As crianças observam os adultos a todo o momento e, às vezes, os desafiam. Se o docente usa uma bronca para exigir bom comportamento, o aluno pode recuar por se sentir acuado e com medo. A alternativa é validar o sentimento da criança. O professor diz: “Eu entendo que você quer brincar, mas sua turma quer estudar agora. O que podemos fazer para todo mundo se sentir bem?”. Com isso, o aluno pensa: “Poxa, ele me viu. Me escutou”. Tudo o que a criança sente é válido, ainda que nem tudo o que ela faça seja.

Como agir quando as famílias são permissivas ou rígidas demais?

A escola não deve ser dependente da família para adotar as práticas da disciplina positiva. As crianças são capazes de perceber a diferença entre o ambiente familiar e o escolar. Um exemplo interessante são crianças que têm dois pares de avós e na casa de um é liberado comer doce, mas na do outro não. Elas não confundem as regras, sabem como agir em ambos ambientes. Ainda assim, é essencial informar as famílias sobre a postura adotada. Vale fazer uma reunião, explicar a proposta e se dispor a dar mais detalhes.

ORIGINAL: https://novaescola.org.br/conteudo/4880/o-jeito-certo-de-disciplinar?utm_source=tag_novaescola&utm_medium=facebook&utm_campaign=mat%C3%A9ria&utm_content=link

O QUE É TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO COM OU SEM HIPERATIVIDADE (TDAH)?

Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção. Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno.

POR BIANCA BIBIANO
DE NOVA ESCOLA

materia-ne231-o-que-e-transtorno-de-deficit-de-atencao-com-ou-sem-hiperatividade-tdah-andre-spinola-e-castro

À primeira vista, a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (o nome oficial do TDAH), que muita gente conhece somente como hiperatividade. Quer dizer então que, numa classe de 30 alunos, sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. Na maioria das vezes, o acompanhamento psicológico é suficiente. E, se o problema for bagunça ou desatenção, vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. “Geralmente, a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno”, diz Ma­u­ro Muszkat, especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando o caso é mesmo de TDAH, são três os sintomas principais: agitação, dificuldade de atenção e impulsividade – que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a crian­ça frequenta. Por tudo isso, nun­­ca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno.

1. Agitação não é hiperatividade

Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. Isso não significa que sejam hiperativos. O problema pode ter raízes na própria aula – atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária, propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão, por exemplo. Em outras ocasiões, as causas são emocionais. “Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar”, diz José Salomão Schwartzman, neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Nesses casos, os sintomas geralmente são transitórios. Quando ocorre o TDAH, eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. Muitas vezes, o aluno fica isolado e, mesmo hiperativo, não conversa.

2. Só o médico dá o diagnóstico

Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. “Em muitos casos, o transtorno não se confirma”, afirma Muszkat. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. Hábitos, traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo), não há exames físicos que o problema. Por isso, o TDAH é definido por uma lista de sintomas. Ao todo são 21 – nove referentes à desatenção, outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade.

3. Nem todos precisam de remédio

Entre os anos de 2004 e 2008, a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%, chegando a cerca de 1,2 milhão de receitas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diversos especialistas criticam essa elevação, apontando-a como um dos sinais da chamada “medicalização da Educação” – a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. “Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios”, explica Schwartz­wman. Quando a medicação é necessária, os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central, ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. O medicamento não cura, mas ajuda a controlar os sintomas – o que se espera é que, juntamente com o acompanhamento psicológico, as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e, como outros medicamentos, pode causar efeitos colaterais. Cabe ao médico avaliá-los.

4. O diálogo com a família é essencial

Em alguns casos, os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Quando isso não é possível, conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. É importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites – a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva, da falta de organização e da apreensão de informações, e não da relação com a obediência. Durante os momentos de maior tensão, quando o estudante está hiperativo, manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. “Se o adulto grita com a criança, ambos acabam se exaltando rápido e, em vez de compreender as regras, ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida”, diz Muszkat.

5. O professor pode ajudar (e muito)

Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência. Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos, que favorece a concentração. Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala, como distribuir e organizar o material das atividades. Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios, por exemplo, é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. De resto, vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma.

Quer saber mais?

CONTATO
Mauro Muszkat

BIBLIOGRAFIA
No Mundo da Lua
, Paulo Mattos, 182 págs., Ed. Leitura Médica, tel. (11) 3266-5739, 34 reais
Transtorno de Déficit de Atenção, José Salomão Schwartzman, 127 págs., Ed. Memnon, tel. (11) 5575-8444, 36 reais

INTERNET 
Palestras online para educadores sobre o TDAH.

UMA INCLUSÃO SÓ NO PAPEL

Preconceito e falta de estrutura excluem crianças com deficiência.

POR ELISA MEIRELES, NOVA ESCOLA E BRUNA NICOLIELO

retratos-exclusao-inclusao-deficiencia-ne273-abre

“Desculpe, mas a escola tem muitas escadas e não comporta uma cadeirante como a Soraia*.” “Só temos uma auxiliar e não há profissionais para atender a Maíra*”. “O Dênis* tem apenas 5 anos, eu sei, mas, antes de matriculá-lo, acho melhor fazer um teste, ver se ele consegue acompanhar a classe.” “Não sabia que a Luana* tinha síndrome de Down. Prefiro que ela saia da escola, não queremos ela aqui.” “Recebemos a inscrição da Roberta*, mas não há vagas na EMEF perto da casa de vocês, ela precisa esperar.” Essas foram algumas das respostas ouvidas por mães de crianças com deficiência ao tentar garantir o direito de seus filhos de estudar.

“Desde 1989, negar o acesso escolar a essas crianças é proibido”, explica Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, coordenadora do Grupo de Trabalho de Inclusão de Pessoas com Deficiência do Ministério Público Federal (MPF). Como aparece no artigo 8º da Lei nº 7.853, “constitui crime punível com reclusão de um a quatro anos e multa (…) recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino público ou privado por motivos derivados de deficiência”.

Os problemas, no entanto, nem sempre chegam ao conhecimento do Poder Público e, quando chegam, não são tratados com a devida atenção. “Se a família está em busca de escola e recebe uma resposta negativa, continua procurando opções. Denunciar não é prioridade naquele momento”, conta a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB), que acompanha o tema de perto.

Como as negativas não são dadas por escrito, fica difícil provar. A mãe de Dênis* , por exemplo, conta que procurou uma escola particular em Santo André, região metropolitana de São Paulo. Quando a diretora viu o filho, que tem uma paralisia cerebral leve, exigiu um teste escrito e depois recusou a matrícula. “Não havia testemunhas e não tenho provas, fica a minha palavra contra a da instituição de ensino”, conta. O mesmo ocorreu com Luana*, de Salvador, que tem síndrome de Down e estudou por apenas três meses. A mãe se desentendia com a escola por achar que a menina era tratada de forma negligente e não aprendia. Um dia, ela ficou presa em uma sala e precisaram arrombar a porta. O episódio gerou mais brigas. “A diretora chegou a dizer que não sabia que minha filha tinha síndrome de Down. Depois a convidou a se retirar da escola”, diz a mãe. Não foi feita uma denúncia e a garota está sem estudar.

Recusas e cancelamentos de matrícula, embora também aconteçam na rede pública, são mais frequentes na particular. “Como o processo de inclusão vem ocorrendo com mais intensidade nas públicas e existe um maior controle por parte do governo, elas tiveram de se abrir a esse aluno e hoje têm uma expertise maior no assunto”, acredita Maria Eugênia Pesaro, psicóloga do Lugar de Vida – Centro de Educação Terapêutica, e doutora em Psicologia Escolar do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP). É uma vantagem importante, mas não significa que os problemas estão sanados.

*Para preservar a identidade dos entrevistados, os nomes são fictícios.


Veja o depoimento da especialista em Educação Maria de Salete Silva:

Desafios estruturais e de formação

A falta de profissionais que a acompanhem em classe tira de Maíra* o direito de ir à escola. Foto: Arqvuivo pessoal/Maíra*

As leis de inclusão e obrigatoriedade da matrícula não vieram acompanhadas de formação adequada aos educadores nem de condições de trabalho. “Ninguém se adapta da noite para o dia. As escolas buscam alternativas, mas dá para entender a angústia de lidar com o desconhecido”, diz Sulamita Meninel, mãe de um jovem com paralisia cerebral e formadora da Secretaria Municipal de Santos, a 77 quilômetros de São Paulo.

A preocupação de muitos docentes é como organizar a prática de modo a incluir o aluno com deficiência e dar a ele condições de aprender. Não basta apenas colocá-lo na classe, tem de haver uma rede de apoio ao professor – composta de coordenação pedagógica e profissional de atendimento educacional especializado (AEE) – capaz de orientá-lo sobre as especificidades de cada estudante e sobre como incluí-lo.

Do lado das famílias, há ainda um receio sobre como o filho será tratado. “Quando a criança vai ingressar na escola regular, existe uma preocupação dos pais com o espaço arquitetônico, se há banheiro no andar em que ela estará, se há escada. Eles querem professores preparados e se preocupam que haja cuidadores responsáveis pela alimentação e pela higienização do aluno”, comenta Elaine Dal’bo Lemos, diretora do setor escolar da Escola de Educação Especial AACD Lar Escola.

O problema é que esses recursos ainda estão em construção no país. Segundo o Censo Escolar 2011, apenas 10% das escolas de Ensino Fundamental têm sala de AEE, sendo que só em 9% há profissionais alocados para esses espaços. Falta também infraestrutura mínima. Apenas 19% têm sanitários adequados e 17% contam com dependências e vias adaptadas. A família de Soraia* foi a 16 escolas de Osasco, região metropolitana de São Paulo, e todas alegaram problemas arquitetônicos. Para os pais de Maíra*, de São Paulo, a resposta foi que poderiam colocar a turma dela no térreo, mas não havia profissionais para acompanhá-la. Os pais se dispuseram a encontrar uma pessoa por conta própria, mas a escola não aceitou. No caso de Roberta*, o problema foi falta de vagas. A escola em que a menina estudava parou de atender crianças com deficiência em 2011 e, desde então, ela aguarda na fila para se matricular em uma EMEF próxima de sua casa.

Segundo Marcia Rabelo, promotora da Infância de Salvador, todas as denúncias que chegam a ela sobre evasão são relacionadas a problemas no processo de inclusão. “As escolas recebem recursos para oferecer AEE, mas alegam falta de condições para atender os estudantes. Se uma unidade não tem esses recursos, temos de investigar se há crime de improbidade e responsabilizar os culpados por mau uso do dinheiro público”, diz ela.

Uma rede de problemas e soluções

Às dificuldades da Educação, somam-se entraves relativos a outras áreas. Em muitos locais, falta transporte adequado e os alunos são levados em ônibus comuns. “Muitos não conseguem subir no transporte e há quem nem chegue ao ponto porque as calçadas não ajudam”, comenta Eugênia Gonzaga. A dificuldade aumenta conforme a criança cresce. “Enquanto a mãe consegue carregar, ela vai. Depois, não dá mais.” Questões específicas da área de Saúde também exigem atenção. “A falta de próteses e de um acompanhamento clínico, por exemplo, dificulta a frequência à escola”, explica Martinha Clarete Dutra dos Santos, diretora de Políticas de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC).

Para articular Educação, Saúde e Assistência Social, foi criado um programa que cruza dados do Censo Escolar com o cadastro de pessoas de até 18 anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) – concedido a quem tem alguma deficiência e é de famílias de baixa renda. A iniciativa, chamada de BPC Escola, visa identificar quem não estuda e resolver o problema. “No começo do programa, em 2008, 70% estavam fora. Hoje, são 30% (140.274)”, conta Martinha.

É fundamental, portanto, entender a complexidade do tema e ter um olhar atento a ele. “Precisamos nos conscientizar dos benefícios amplos da Educação inclusiva, tendo em vista que o ambiente humano heterogêneo é mais interessante e mais rico para o processo de aprendizagem de todos os estudantes”, defende Rodrigo Mendes, presidente do Instituto Rodrigo Mendes.

Garantir o direito de toda criança e adolescente à Educação vai além da ideia de formar gente capacitada para o mercado de trabalho ou para o desenvolvimento do país. “A escola é muito mais do que o campo do conhecimento e da aprendizagem, é um lugar de reconhecimento e de pertencimento da infância. Mesmo uma criança com deficiência severa, em que não se vê resposta, tem o direito a esse espaço de ser criança”, explica Maria Eugênia. Promover a inclusão é formar uma geração de cidadãos capazes de olhar a pessoa com deficiência de outra maneira, sem medo do dito “diferente”. Essa mudança é fundamental.

*Para preservar a identidade dos entrevistados, os nomes são fictícios.

RETROSPECTIVA DO CONTADOR: 2016, O ANO DAS MUDANÇAS!

Política, entrevistas e grandes coberturas agitaram o Contador em 2016, confira:

POR AILTON RODRIGUES E RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Em 2016 o Contador atingiu um patamar de grandes realizações e a consagração da confiança do público com o nosso conteúdo.

Tivemos grandes coberturas de eventos, recebemos algumas críticas, mas foram o combustível para que sigamos com nosso maior hobby que é o de informar e entreter você. Contamos com sua companhia em 2017, mas agora veja o que você mais viu no nosso blog durante este “interminável” ano:

JANEIRO: TORNEIO DO TOURINHO É CESSADO

Acompanhamos o jovem Naftaly na sua jornada pela Copa SP de Futebol Júnior, apesar dele não ter avançado com a equipe para a fase mata-mata da competição surgiram propostas de emprego em outros grandes clubes do futebol nacional.

Também vimos o drama do Torneio do Tourinho que foi cessado pela polícia, além disso prestigiamos a passagem da imagem de Nossa Senhora Aparecida por Gostoso.

FEVEREIRO: DICAPRIO LEVA O OSCAR

Dois assuntos foram os cargos chefe de repercussão no Contador: primeiro a grande quebra de um tabu que foi o Oscar de Leonardo DiCaprio e segundo a perca de 16 milhões de reais por uma obra de saneamento em Gostoso.

MARÇO: SHOW DA PAIXÃO DE CRISTO

O mês de março começou com o problema da falta dos materiais dos agentes de endemias do município, que foi sanado. Mas o grande destaque foi a belíssima encenação da Paixão de Cristo que agitou e emocionou São Miguel do Gostoso.

ABRIL: DESPEDIDA DE UM AMIGO

O FliGostoso chega como o mais novo evento cultural da cidade, excelentes atrações, porém com a produção ainda desfocada do público local. No esporte o Ginásio Poliesportivo “Carlitão” reabriu seus portões após quase dois anos (e seis visitas desta equipe) e a AGOKS partiu para Salvador/BA voltando com nove medalhas e vagas para final do Campeonato Brasileiro de Karatê em São Paulo/SP.

Abril também foi de triste. O episódio do desaparecimento do gostosence Djalmir Ricardo, teve um desfecho trágico, quando  o corpo do jovem foi encontrado no Ceará. O Conselho Municipal de Saúde denunciou a situação de descaso com a Saúde em Gostoso; além dos problemas recorrentes com o transportes de estudantes os universitário os estudantes de ainda tiveram que encarar atentados na BR-101.

MAIO: SEM CRISE

Foi um mês de Guerra Civil (o filme) e o O Contador de Causos abalou as estruturas da política local com a divulgação dos 6,7 milhões arrecadados pela Prefeitura de São Miguel do Gostoso, que alegava estar em crise, a noticia repercutiu na maioria dos blogs do RN.

O mês foi marcado também pela  volta do Fest Bossa & Jazz a São Miguel do Gostoso de forma mais “suave”, que sem tantas restrições garantiu um publico superior a 2015.

JUNHO: MARATONA DE ARRAIAIS

Novo conflito entre “nativos” e moradores recém chegados tem inicio com o cercamento do campo de futebol de areia do Maceió, um sinal do que ainda estava por vir. Também foi mês de discussão do Plano Diretor e da realização da 6ª Conferência das Cidades.

Durante as festas juninas Gostoso presencia a proliferação de arraiais nas principais ruas da cidade, uma verdadeira maratona de festas. Falando em festa, o Prêmio CDHEC 2016 reuniu no mês de Junho os principais agentes sociais do município em um grande evento.

Junho foi o inicio do drama dos estudantes por transporte: falta de combustível, de manutenção dos veículos e de gestão.

JULHO: MUITA TENSÃO

O conflito de entre “nativos” e “estrangeiros” se acirra com protestos nas ruas durante a festa de emancipação. Quatros membros do O Contador de Causos de manifestam contra o pivô dos conflitos.

No esporte tivemos o primeiro evento de MMA da cidade, e a cobertura dos eventos esportivos da semana de emancipação.

Foi dada inicio a cobertura das eleições 2016 com o perfil do eleitorado gostosence e a primeira convenção do período eleitoral.

AGOSTO: BALEIA ENCALHADA E FALSA MISS

A principal pauta de agosto foram as Eleições 2016 que você acompanhou comício a comício no Contador. Mas teve muito mais, inclusive uma falsa Miss Gostosense, e a baleia que encalhou na Praia do Tourinho, duas matérias que repercutiram em todo estado.

Durante agosto se agravou a situação do transporte escolar chegando aos distritos, enquanto isso os estudantes universitários acabaram fazendo “vaquinha” para pagar o combustível, culminando em protestos nas ruas, na sede da prefeitura e na Câmara.

Teve também Pokemon Go, é claro!

SETEMBRO: CORDÃO AZUL E CORDÃO VERMELHO

Se intensifica a disputa entre o “azul” e o “vermelho”, com acusações nas redes sociais e revelação de servidores fantasmas. O Facebook se torna um território hostil.

Crise na educação provoca cancelamento do desfile cívico, e continua o drama do transporte escolar. Prefeita faz acordo com Ministério Público mas resultados não vêm, o resultado do IDEB se contrapõe à realidade da educação.

Setor Cultural tenta se articular para 2017 com a instituição do Sistema Municipal de Cultura.

OUTUBRO: EDUCAÇÃO É ESQUECIDA

Último episódio das Eleições 2016 com a vitória de Renato de Doquinha (PSD) sobre Miguel Teixeira (PR).

Quem achou que depois dessa teríamos um outubro tranquilo, se enganou, na primeira semana um decreto demite 287 servidores públicos. Crise da educação chega a seu ápice, nem o Ministério Público deu jeito.

Cultura e esporte ignoram a crise e seguem em frente com a Expartec, a AGOKS na última etapa do Campeonato Brasileiro de Karatê e o 2º Open Gostosense de Karatê. O CDHEC elege novo presidente que já chega tendo que encarar dois grandes desafios, Mostra de Cinema e Auto de Natal.

O Projeto Retrato da Comunidade segue on-line através do O Contador de Causos.

NOVEMBRO: A ESPERA DO FIM (DE 2016)

2016 não foi fácil para ninguém, a 4ª Mostra de Cinema de Gostoso é cancelada por falta de recursos. Para salvar o Auto de Natal, começa a campanha do Auto Solidário.

A gestão democrática chega as escolas gostosenses sem muito entusiasmo e com poucos candidatos, mas seguiu tranquila.

DEZEMBRO: NÃO FALTA FESTAS

É inaugurada na nova sede da Câmara de Vereadores, a nova Prefeitura ficará para depois.

O meio ambiente agrade, com a criação da cooperativa para coleta seletiva. O Auto de Natal (Auto Solitário) se firma e emociona o público em apresentação única.

Para encerrar tivemos as repercussões do Réveillon Gostoso, eventos para “ricos” e “pobres”, celebridades circulando na cidade e muito pouco do que se prometeu.

Ufa!… O Contador de Causos deseja a todos seus leitores um feliz e prospero 2017.

Como a tecnologia pode unir alunos e professores?

Resultado de imagem para tecnologia e educação

Olá, leitores!

A tecnologia já é uma realidade presente no cotidiano de todas as pessoas, sejam professores ou alunos. Através de dispositivos móveis, notebook, televisões com inúmeros canais e programas de todas as naturezas e infinitas outras possibilidades conectam cada pessoa a uma fonte incalculável de novas informações a todo o tempo. Hoje em dia, por exemplo, qualquer pessoa pode acessar uma biblioteca de informações sem sair de casa.

Nessa avalanche de possibilidades, muitos professores acabam se sentindo ameaçados pelas tendências e rapidez tecnológicas e resistentes a elas, avaliando, muitas vezes como forma de substituição e até mesmo que atrapalhe o processo de ensino.

Essas mesmas tecnologias que fazem os alunos não prestar atenção nas aulas (redes sociais, por exemplo) podem também ser vistas, não como um inimigo, mas aliado dos professores em sua prática acadêmica, podendo aproximá-los de seus alunos de novas maneiras e também fornecer diversas ferramentas que levam o conhecimento, melhoram os sistemas de análise pessoal dos alunos e do contexto educacional e, se usadas com sabedoria e criatividade, são um enorme potencial para aproximar alunos, corpo docente e melhorar ainda mais a educação. Conheça algumas das principais possibilidades que a tecnologia promove para unir professores a seus alunos:

Resultado de imagem para tecnologia e educação

  • Mais formas de comunicação: a tecnologia possibilita formas de comunicaçãoque vão muito além do contexto da sala de aula, podendo se estender para a comunicação remota entre alunos e professores e a facilitação de outras formas de expressão, como através de textos e imagens. Professores podem se utilizar de ferramentas de e-mail, grupos de e-mail e fóruns, por exemplo, para trocarem informações, atualizações e arquivos com seus alunos, como textos diversos, infográficos, vídeos, imagens, etc. Também pode ser uma ferramenta facilitadora para se aproximar de alunos que tenham dificuldades de comunicação socialpela fala, como os mais tímidos, por exemplo, que podem se sentir mais à vontade para iniciar uma aproximação através de recursos tecnológicos;
  • Mais ferramentas de aprendizagem: através da tecnologia, os professores tem acesso a incontáveis novas formas de transmissão de conhecimento para os seus alunos, como atividades interativas, simulações, videoconferências, palestras de outras pessoas cuja distância impediria os alunos de acessarem, dentre outros. Pela tecnologia, por exemplo, professores e alunos podem conhecer o acervo de museus em todas as partes do mundo, visualizar cartografias e planos geográficos, conhecer novas culturas, etc.;
  • Maior interatividade com os alunos: as tecnologias dominam as formas de comunicação entre as mais novas gerações. Os alunos, em sua quase totalidade, estão conectados a uma ou diversas formas de tecnologia da comunicação. Aproximando-se desses recursos, os professores também se aproximam das novas formas de compreensão de mundo e do outro que os jovens têm, promovendo maior interatividade entre eles. Os dispositivos tecnológicos já fazem parte da rotina dos estudantes, logo, ao conectar a eles, os professores têm novas formas de conectar com o mundo de seus alunos;
  • Ensino mais personalizado: hoje em dia, os professores já podem contar com diversas ferramentas de avaliação e análise do desempenho dos seus alunos, softwares e técnicas capazes de analisar o desempenho escolar de cada estudante, assim como apontar dificuldades e sugerir soluções para cada um deles. Utilizando-se dessas ferramentas, os professores podem ter uma visão individual e mais precisa dos seus alunos, compreendendo suas habilidades, tendências de aprendizagem e dificuldades – assuntos que melhor precisam ser trabalhados. Logo, ele tem maiores possibilidades para avaliar o próprio desempenho, de seus estudantes e personalizar o modo de ensino tanto no âmbito geral, como individual, promovendo uma aprendizagem mais focada nas reais necessidades educacionais dos alunos.

Boas aulas e até a próxima!

Fonte: Canal do Ensino

MORDIDAS NA CRECHE

Conheça medidas para evitar o problema e como reagir quando ele acontece.

POR RAPHAELA DE CAMPOS MELO

Nada mais corriqueiro no cotidiano das creches do que uma criança tascar uma mordida em outra. “Essas ocorrências são naturais na Educação Infantil. O que não exime a escola de fazer de tudo para que não se repitam”, defende Ana Paula Yazbek, coordenadora do Espaço da Vila, em São Paulo, e formadora de professores.

Ainda que desprovida de má intenção, a mordida é uma agressão, provoca dor e deixa marca. Por isso, precisa ser combatida. O primeiro passo é identificar as situações em que acontece. “Ela pode significar muitas coisas: demonstração de carinho – por vezes, aprendida em casa, com os pais – ou de interesse pelo colega, disputa por brinquedo, irritabilidade, tédio e até um meio de chamar a atenção”, lista Ana Paula. “Não podemos esquecer que nessa faixa etária os pequenos estão desbravando o mundo por meio da via oral”, acrescenta Cisele Ortiz, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá.

Cientes desses diferentes aspectos, as educadoras do CEIM Cristo Rei, em Chapecó, a 545 quilômetros de Florianópolis, inseriram o tema no projeto político-pedagógico (PPP) e no planejamento dos 21 docentes do berçário e 20 do maternal.

“O ponto de partida foi conversar com as famílias para explicar o porquê das mordidas, mostrar a normalidade delas no desenvolvimento infantil e assegurar que seriam feitas intervenções pedagógicas para evitá-las”, conta a coordenadora pedagógica Juliana Sive Pommerening. Pais e responsáveis foram chamados a uma palestra na escola, organizada com base no texto Mordidas: Agressividade ou Aprendizagem?, do livro Os Fazeres na Educação Infantil (Maria Clotilde Rossetti- Ferreira, Telma Vitória, Ana Maria Mello, Adriano Gosuen e Ana Cecília Chaguri, 208 págs., Ed. Cortez, tel. 11/3611-9616, 52,20 reais).

As educadoras esclareceram que praticamente todas as crianças, entre 1 e 3 anos, em algum momento, usaram ou usarão tal conduta. Disseram também que esse recurso praticamente desaparece quando a linguagem está mais desenvolvida e enfatizaram que ficariam atentas. “Quando a mordida ocorre, é comum as famílias acharem que o filho não está sendo devidamente cuidado. Daí a importância do engajamento e da transparência por parte da instituição”, diz Ana Paula.

Além da parceria com os pais, o CEIM incluiu o tema na rotina e passou a ter um trabalho minucioso tanto para tentar evitar as mordidas quanto para fazer as intervenções necessárias quando ela acontece. A atenção com relação ao problema permeou as diversas atividades realizadas, desde os momentos de leitura até as brincadeiras. Como explica Ana Paula, as ações nesse sentido devem ser parte do dia a dia escolar.

Olhar atento dia após diaGravura de crianças mordendo objetos e até a página

“No início do ano letivo, ocorreram vários casos motivados por disputa de brinquedos e questões afetivas”, exemplifica Tatiana Bonato, que leciona para duas turmas de berçário. Sempre que episódios assim ocorriam, a educadora acalmava a vítima e, na sequência, conversava com quem tinha mordido. Em geral, o agredido não entende o porquê daquilo. E o autor do gesto não o vê necessariamente como uma violência. “Orientamos as professoras a confortar a criança ferida e mostrar ao colega o que ele fez. É importante que ele perceba a consequência da ação, mesmo sem ter tido intenção de machucar”, diz a coordenadora. Olhar para os meninos e meninas e dizer frases como “Não pode. Dói”, sem gritar, é uma boa opção. Com isso, espera-se que eles vão compreendendo que morder não pode ser a melhor forma de se comunicar.

Vale, também, mapear o primeiro evento, fazendo uma análise detalhada. Como a mordida se deu? A dupla estava brincando? Havia mais gente junto? Um deles estava ansioso para pegar o brinquedo? Ou animado, gargalhando? Havia indícios de irritabilidade? Assim, a educadora vai levantando pistas que auxiliam na compreensão do caso e ajudam a rever a organização das atividades em sala. Como diz o texto Mordidas: Agressividade ou Aprendizagem?, “para acabar com o problema, é preciso pensar sobre a rotina, o espaço, a quantidade e a variedade de brinquedos. Estar atento aos detalhes. Muitas vezes, são eles os fatores desencadeadores de mordidas”.

Quando o problema se repete

Mesmo com esses cuidados, casos de mordidas sistemáticas podem se dar e demandam uma atenção redobrada dos educadores. “Este ano, tivemos vários, protagonizados pelas mesmas crianças”, relata Tatiana. Em vez de recriminar os pequenos, a professora deixou que brincassem normalmente com a turma, mas passou a sentar próxima e ficar de olho para evitar novos episódios. Na visão de Ana Paula, este é o procedimento ideal: evitar colocar a criança de castigo e se manter por perto. A docente deve ainda se antecipar para oferecer algum brinquedo ou sugerir uma atividade, como pegar cada um pelas mãos para que, juntos, partilharem um livro, uma dança, uma bola etc. “Quem antes ia morder para obter o brinquedo percebe a presença do adulto observando e intervindo. Com isso, reduz-se a probabilidade de um novo incidente.”

Outra preocupação de Tatiana foi cuidar para que os que mordem mais não fossem rotulados. “Estereotipar é muito perigoso porque desde cedo a turma percebe comportamentos e características marcantes dos colegas e os que já são um pouco mais velhos comentam entre si”, esclarece a docente. Passar o sermão clássico de “bom menino não morde os outros” tampouco é uma postura aceitável.

A educadora e a coordenadora optaram ainda por conversar com as famílias dos que mais mordiam e colocá-las a par do que estava acontecendo. “Chamamos os pais e falamos sobre as ocasiões das abocanhadas, orientando-os a respeito do trabalho desenvolvido na escola e trocando ideias sobre as possibilidades para evitá-las”, relata a docente. O mesmo procedimento costuma ser adotado com relação aos que são mordidos. A escola conta com uma agenda de comunicação com os pais e faz reuniões com os responsáveis, por turmas, para explicar esses e outros fatos rotineiros. Quando o ataque é mais forte e deixa marcas, a coordenadora ou a educadora responsável pela turma liga para a família e explica o que houve, dizendo que pode vir buscar a criança um pouco antes do horário de saída e que estarão disponíveis para atendê-la. “Evitamos, assim, a surpresa da mãe que vai pegar o filho e o encontra machucado”, esclarece Juliana.

Ao longo do ano, com essas intervenções diárias, as educadoras do CEIM notaram não só uma drástica redução dos incidentes como também uma maior compreensão dos pais sobre o problema e o empenho deles em ajudar. “Grande parte passou a entender que a mordida não é uma agressão nem fruto do descuido das professoras da creche”, frisa Juliana.

O que fazer:

  1. Conversas iniciais Chame as famílias, diga que as mordidas são comuns na creche, mas que a escola está comprometida em evitá-las. Explique as intervenções feitas nesse sentido.
  2. Acudindo os pequenos Quando a mordida ocorre, acalme a vítima e, em seguida, explique para o colega dela que seu ato resultou em dor e choro, mesmo sem a intenção de machucar. Assim, todos vão compreendendo que morder não é uma boa forma de se expressar.
  3. De olho na repetição Quem morde deve seguir brincando com os demais. Para tanto, fique próximo, redobrando a atenção e propondo novas formas de brincar. Jamais coloque a criança de castigo.

ORIGINAL: http://novaescola.org.br/conteudo/11/mordidas-na-creche