LETÍCIA E RAFAEL

POR FÁBIO CHAP

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Letícia é racista. Dia desses um homem negro chegou nela na pista da balada. Rafael perguntou se ela estava acompanhada.

Letícia não respondeu nada. Só fez cara de desprezo. Rafael não pediu beijo, não invadiu o espaço dela.

– Não rela em mim, cara.

– Mas não encostei em você, moça. Só tô querendo saber seu nome mesmo.

– Sai daqui, macaco, antes que eu faça uma gritaria.

– Como é que é? Do que você me chamou?

– Olha, tô sem banana na bolsa. Já disse pra você sumir daqui ou eu faço um escândalo.

Rafael não suportou o papel de humilhado. Olhou pro lado, ninguém olhava.

– Vadia! É isso que você é. Uma branquela puta que vem aqui só pra chupar Playboy no camarote.

Letícia se chocou. Note o ciclo que se forma. Note a norma da agressão como funciona. A roda começou no racismo e pouco a pouco ambos estavam num abismo de misoginia.

Rafael deu um puta soco no estômago de Letícia que caiu ajoelhada na pista. As amigas correram na direção dela pra ver o que tinha acontecido. Ver o perigo que ela corria. Rafael sabia que seria punido, optou em correr pra pagar a conta e sumir daquela balada.

Letícia, ainda ajoelhada, apontava pra Rafael e dizia:

– Pega esse filho da puta. Ele me bateu. Pegaaaa esse preto desgraçado, pelo amor de Deus!

As pessoas ao redor estavam chocadas. Um soco no estômago literal e outro figurado. O racismo foi que começou o ciclo e esse seguiu descontrolado rumo à violência contra uma mulher.

No meio da pista as pessoas começaram a fazer vídeos da mulher agredida e ajoelhada proferindo xingamentos racistas, gritando: ‘Filma mesmoo, macacada!’

Dias depois caíram os vídeos na internet; que foram parar na TV. Rafael foi preso uma lanchonete enquanto assistia sua agressão no Datena. A garçonete não teve pena e chamou logo a polícia. Os outros clientes seguraram Rafael, que tentou fugir. Em vão.

Letícia levantou do chão. Havia semanas que aconteceu tudo isso. Mas Letícia, mais que nunca, estava à beira do precipício. Uma amiga indignada disse que a história inteira tava errada. Não só a violência de Rafael, mas também a violência de Letícia que chamou um homem de macaco e o ofereceu banana na pista.

Letícia foi trucidada na internet. Caíram vídeos dela fazendo piadas racistas em festas da faculdade. Se liga só no papo da garota:

– Sabe, o saquinho de supermercado? É branco! O de lixo? É preto!

E se tem uma verdade, uma moral nessa história toda é que vez ou outra a vida é clara em nos mostrar como funciona o ciclo de ódio. Mais desenhado que isso, impossível. Mais perturbador que isso, difícil.

Rafael pegou 4 anos de prisão. Letícia 6 meses e 15 dias. A internet entrou numa catarse comemorando a decisão. Bradavam que, às vezes, a justiça funciona, mas só quando vem à tona a história completa.

Uma coisa é certa: Rafael e Letícia são exemplos da torta visão de que devolver ódio com ódio dá em mais ódio. Essa é a pior equação.

Sabe os racistas? Sabe os agressores? Já é século 21 e eles não passarão.

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PROJETO DA AMJUS ESTÁ SELECIONANDO OFICINEIROS, VEJA COMO PARTICIPAR

POR PORTAL DA AMJUS
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

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A AMJUS está fazendo uma chamada pública voluntária e simplificada para ocupação de três vagas para oficineiros no Projeto Social Ventos de Asa Branca, um projeto a ser realizado pela AMJUS com o patrocínio da Empresa ContourGlobal, nos municípios de João Câmara e Parazinho, microrregião do Mato Grande, no Estado do RN. As vagas são para oficineiros ou instrutores nas atividades Arte Sustentável, Música e Esporte Educacional Inclusivo. Veja abaixo o edital de seleção!

PROJETO SOCIAL VENTOS DE ASA BRANCA

EDITAL DE PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO PARA CONTRATAÇÃO DE INSTRUTORES

A ASSOCIAÇÃO DE MEIO AMBIENTE, CULTURA E JUSTIÇA SOCIAL – AMJUS, torna pública a abertura das inscrições do processo seletivo para Oficineiros nas áreas de Arte Sustentável, Música e Esportes no Projeto Social Ventos de Asa Branca que será realizado nas cidades de Parazinho (um polo) e João Câmara (dois polos, sendo um na sede e um na comunidade do campo de Queimadas), Estado do Rio Grande do Norte.

1 – Das Áreas de Atuação e Vagas

1.1 – Independentemente da área, os oficineiros (instrutores) devem possuir habilidade didática; disponibilidade de horários (serão programados), serem maiores de 18 anos e, preferencialmente, mas não exclusivos, moradores dos municípios de João Câmara e Parazinho.

 

2. Das vagas

 

2.1 – Oficineiro de Arte Sustentável – 1 vaga

Trabalhar atividades relativas ao tema sustentabilidade, colocando o meio ambiente e a sociedade de consumo na pauta corrente.

Criar espaços de vivências aliando a arte do teatro ou do movimento à criatividade priorizando a educação para o reaproveitamento de materiais.

Desenvolver produtos artísticos a partir da temática “elementos da natureza e materiais residuais”, reflexão sobre o meio em que vivemos e o nosso papel diante de tantos desafios ambientais.

 

2.1.1 – Carga Horária:

24 horas semanais – 8h em Parazinho e 16 horas em João Câmara.

2.1.2 – Perfil:

• Ser graduado, ou estudante de cursos nas áreas pedagógicas, das ciências, ecologia, ambientais ou de tecnologias.

• Capacidade para planejamento e avaliação das atividades propostas;

• Noções Básicas de Informática (Office).

 

2.2 – Oficineiro de Esporte Educacional Inclusivo (Capoeira, Judô ou Karatê) – 1 vaga

Trabalhar com crianças, jovens e adolescentes, desenvolvendo atividades de Capoeira, Judô ou Karatê nos três polos do projeto (Dois polos em João Câmara e um polo em Parazinho).

Participar da elaboração e execução da proposta pedagógica, bem como desenvolver projetos e atividades em sua área específica de conhecimento. Colaborar nas ações do Projeto Ventos de Asa Branca e sua integração junto à escola, às famílias e às comunidades.

2.2.1 – Carga Horária:

24 horas semanais – 8h em Parazinho e 16 em João Câmara

2.2.2 – Perfil:

• Graduado ou estudante de Educação Física;

• Ser registrado na Federação de Capoeira, Judô ou Karatê do Estado do Rio Grande do Norte;

• Noções Básicas de Informática (Office).

 

Observação: Só será selecionado um instrutor para uma única das três modalidades esportivas.

 

2.3 – Oficineiro de Música (Violão e Flauta) – 1 vaga

Trabalhar com crianças, jovens e adolescentes na área de música/musicalização, mais especificamente no ensino de violão e flauta.

Proporcionar aos grupos um conhecimento amplo da área, desenvolvendo uma formação abrangente que contemple universos distintos do ensino da música.

Valer-se tanto de oportunidades pedagógicas em sala de aula quanto de manifestações culturais presentes na comunidade a fim de promover um trabalho de conscientização e desenvolvimento de potencialidades humanas.

Colaborar nas ações do Projeto Ventos de Asa Branca e sua integração junto à escola, às famílias e às comunidades.

2.3.1 – Carga Horária:

24 horas semanais – 8h em Parazinho e 16 horas em João Câmara.

2.3.2 – Perfil:

• Possuir domínio dos fundamentos da música, tendo um conhecimento amplo de sua história e de suas principais manifestações em diversas culturas;

• Ter conhecimento avançado do ensino de violão e flauta;

• Elaborar, implantar e dirigir projetos de formação de grupos musicais;

• Coordenar apresentações musicais para grupos diversos.

• Noções Básicas de Informática (Office).

 

Observação: o candidato selecionado deverá ter domínios das duas formas musicais.

 

3 – Das Inscrições

3.1 – As inscrições serão realizadas entre os dias 09 e 15/08/2017.

3.2 – Ao participar do processo seletivo o candidato deverá ter a completa ciência das condições estabelecidas neste Edital, sobre as quais não poderá alegar qualquer espécie de desconhecimento;

3.3 – Para inscrever-se, o candidato deverá:

Enviar Curriculum Vitae para amjus@amjus.org.br.

3.4 – A inscrição ocorrerá mediante o envio do Curriculum Vitae pelo e-mail indicado na cláusula

3.3 (Destacar, se houver, experiências em trabalhos voluntários ou remunerados em projetos e ações sociais, principalmente experiência em atividades com crianças e/ou adolescentes).

3.4 – Não será aceita entrega de Curriculum Vitae ou outra forma de inscrição que não seja por e-mail indicado na cláusula 3.3 deste edital.

4 – Das Contratações

4.1 – O candidato selecionado será devidamente informado (por email), até às 15h do dia 15 de agosto de 2017, para comparecer à entrevista que será no dia 18 de agosto de 2017 (horário e local será confirmado no contato), onde tomará ciência dos procedimentos necessários para a sua contratação.

4.1.1 – A contratação terá o tempo de duração do projeto, previsto para 08 (oito) meses, com remuneração de R$ 1.600,00 (hum mil e seiscentos reais), devendo o candidato ter disponibilidade para atividades nos dois turnos nas segundas, quartas e sextas-feiras, um dia em cada polo, e para os encontros de formação e planejamento.

4.1.2 – Os candidatos que não forem devidamente informados até a data e horário previsto na cláusula 4.1, será por não terem sido selecionados

Quaisquer dúvidas podem ser tiradas pelo e-mail amjus@amjus.org.br.

João Câmara – Parazinho/RN, 09 de agosto de 2017.

Comissão de Avaliação e Seleção

Projeto Ventos de Asa Branca

POR QUE RECÉM-NASCIDOS TÊM UM CHEIRO TÃO GOSTOSO?

POR ANA CAROLINA LEONARDI
EM SUPERINTERESSANTE

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Foto: FamVeld/iStock

É só chegar em uma maternidade para se deparar com dezenas de visitas ansiosas para cheirar os mais novos humanos. Não é só tradição, tipo nunca admitir que um bebê é feio: o cheiro de um recém-nascido existe e seu encanto já foi comprovado cientificamente.

Um estudo internacional, que envolveu pesquisadores da Suécia, dos EUA e da Alemanha, mostrou que mulheres, quando expostas ao cheiro de um bebê nascido a dois dias ou menos, têm uma reação cerebral similar a de usar drogas ou comer algo muito gostoso. O sistema de recompensa no cérebro se ativava com o cheiro até de recém-nascidos desconhecidos, independentemente da mulher ter filhos ou não.

Por que o cheiro gera uma reação tão forte?

O olfato é um dos sentidos mais ricos que possuímos: seu nariz tem até 25 milhões de receptores olfativos únicos, que se combinam para criar uma grande diversidade de cheiros. Mas essas informações podem passar batidas para você – não ficam tão claras quanto a visão e o tato. Por isso mesmo, elas são fortes gatilhos de memória. Um cheiro que você não sabe nem quando sentiu pode, de repente, transportar você a uma lembrança específica ou gerar fortes sensações