O CONTADOR LEU: A HARMONIA DO MUNDO, de Marcelo Gleiser

por AÍRIS VITAL

Li meu primeiro livro cientifico, legal né?! O mais interessante é que sempre tive uma paixão fanática por constelações e a imensidão do céu em toda sua extensão, inspirado pelo Grande Criador. A edição deste livro trouxe-me muita dificuldade na leitura, por possuir diálogos em meio a aspas e não travessões, ou seja, o narrador descreve tudo até mesmo os diálogos recorrentes. Mesmo assim é indescritível, tele transportar para obra de Gleiser, que despertou e ensinou a buscar esse tipo de literatura.

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O grande desafio do protagonista deste livro é ter vivido em uma época onde não havia distinção entre astronomia (ciência que trata do universo sideral e dos corpos celestes) e astrologia (doutrina, estudo, cujo objetivo é decifrar a influência dos astros no curso dos acontecimentos terrestres e na vida das pessoas). Ele inventou uma versão melhorada do telescópio refrator (telescópio de Kepler) e ajudou legitimar as descobertas telescópicas de seu contemporâneo Galileu Galilei. E outras obras literárias que forneceram bases para teoria da gravitação universal de Isaac Newton.

Kepler é um estudante pobre de teologia e matemática, que ganha respeito pelo seu trabalho e reconhece todo o seu sucesso ao mentor, pela qual guarda muita gratidão. Sua história é retratada através de pesquisa de documentos e manuscritos originais, do seu mestre Machael Maestlin que apesar de manterem mutualmente uma relação de admiração e gratidão, passa a ser atormentado pelas lembranças do pupilo que o superou, em conhecimento cientifico e coragem pessoal.

A narrativa do livro é contextualizada a partir dos dias de Mastlin que se tornaram cinza e sem propósito, com dificuldades até de manter um diálogo com seu único filho (Ludwig), que sempre se finaliza em discursão. Mesmo este sendo um nomeado médico, sente-se rejeitado, mantém ciúmes e ressentimento do pai desde a infância, devido o pupilo Kepler. Que mesmo estando ausente, sempre sentiu que tomava o (seu) lugar no coração do pai.

Ludwig tem um filho chamado Christian, o único que se importa com os interesses profissionais do avô e desta forma começa a se aproximar dele ao atender o seu pedido para lê o diário com anotações das descobertas da vida Kepler. Este é entregue pelo filho de Kepler, e seu aprendizado sobre a astronomia e a trajetória sentimental e profissional do avô, só evolui.

Um romance transcrito através de grandes descobertas cientificas e de enorme sacrifício e tragédia pessoal, descreve um retrato humano da relação de mestre e aluno caracterizada a um só tempo pela disputa e pelo orgulho ferido, como diz a própria descrição do livro. E assim, termino com a oração do grande protagonista Kepler:

“Que a unidade revelada nestas páginas, expressão da perfeição divina, ilumine o espirito enfraquecido dos homens, alimentando o amor ao próximo e restaurando a paz entre todos os credos. Que a harmonia que rege o mundo conforte nossos corações e desperte os homens para uma nova era, baseada na liberdade e no respeito a vida.”

O contador, Indica! Boa Leitura.

😉

 

Livro: A Harmonia do Mundo Editora: Companhia das Letras, SCHWARCZ  LTDA Ano de Publicação: 2006 Edição: 1ª Edição ISBN: 85-359-0889-7 Páginas: 327.

 

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