O CONTADOR LEU: A DITADURA DA BELEZA e a evolução das mulheres, de Augusto Cury

por AIRIS VITAL

                Organizando meus livros me envolvi com a incisão do título ‘A DITADURA DA BELEZA’. Vindo de Cury só podia ser um daqueles conteúdos de alimentar minha identidade social, ainda mais tive um pouco de resistência, pois não se enquadrava tanto ao meu estado de espirito lê algo sobre ‘beleza’, tolamente pensei. Mas como se tratava de um empréstimo, resolvi folheá-lo e então os próximos quatro dias foram o suficiente para conhecer todo o romance.

A narrativa começa em um quadro muito delicado da jovem Sarah de 16 anos que tentou contra a própria vida e sua mãe Elizabeth, gerente editorial de uma revista feminina aos 42 e divorciada a três, busca o psiquiatra Marco Polo para salvar a filha. Já que ela não sabe mais qual estratégia usar para ajudar a filha. É quando ambas deparam com a síndrome PIB – Padrão Inatingível de Beleza, que não só tinha massacrado as duas, como era frequente e intensa na humanidade.

S.I.M. o convite é certo, que tal se apaixonar por si mesmo?!

Uma verdadeira revolução dentro de mim se instalou, até agora estou me questionando tanta coisa, inclusive feridas instaladas em mim… busco urgentemente uma visão multifocal do mundo por mais difícil que seja! Até por que a preocupação de Augusto Cury é exatamente se opor a ditadura massacrante que as mulheres vivem em silêncio, apresentando a realidade do século XXI de forma transparente e da melhor maneira possível. Inclusive de que é possível sim, contornar o quadro catastrófico da prisão que permitimos ficar.

Quantas vezes não somos rejeitadas pelo o tipo de cabelo, sorriso, nossas curvas, cor de pele, um padrão inatingível de beleza?! Desta forma somos excluídas e aceitamos com um aperto no coração e na existência, por não ter o perfil. E maltratamos a nós mesmo, ressaltando pouco nossas qualidades, transferindo toda atenção para nossos defeitos e muitas vezes isso é, um incentivo a criar um verdadeiro ‘horror’ dentro de nós e um momento outro, precisamos externar e isso tem consequências.

“Hitler queria ser um artista plástico e procurou a Escola de Belas-Artes de Berlim, mais foi rejeitado. Se o professor dessa escola tivesse acolhido, talvez o mundo tivesse tido mais um pintor medíocre, mas certamente não um dos maiores psicopatas da história”. – Página 137

Precisamos valorizar nossas qualidades e de quem nós amamos. A nossa beleza está além do nosso corpo está em nosso ser. Elogiar nossos pré-adolescentes/adolescente já é um passo, pois é nessa fase onde a estipulação de perfeição é maior.

Assim diz o personagem Falcão que tenta alertar executivos sobre essa a instalação dessa problemática. Para quem acompanha as obras singularidades de Cury, percebe as conexões entre elas e essa não é diferente, o personagem pertence o livro ‘O futuro da humanidade’, assim como Marco.

Uma das citações que mais me incentivou a conhecer a cultura e os problemas psicológicos da sociedade em relação ao padrão imposto de beleza em sua diversidade cultural, foi a colocação de uma das personagens, jornalista Chen:

“Estou preocupadíssima com a china. O câncer da ditadura da beleza esta atingindo frontalmente meu povo. Sempre valorizamos nosso passado e nossa características físicas, mas o inacreditável está ocorrendo. As mulheres chinesas estão rejeitando seus traços, querem ter a silhueta das atrizes de Hollywood e das modelos ocidentais. Elas querem ser “Barbies”. ” Página – 154

Então sim, indico esse livro para homens e mulheres, revendedoras de cosmético e roupas, consumidoras, a toda adolescente que queira se apaixonar por si mesma, o ser humano que queira ser livre dos padrões inatingíveis.  Até por que, nos agradecimentos Cury parabeniza algumas empresas que se levantaram quanto essa causa, entre elas está o grupo Unilever (marca Dove), Natura e Avon. A mensagem que para mim foi perfume para o ego, foi o relato de Marco Polo e com ela encerro minha opinião:

“Não há relatos na história de mulheres torturando homens, mas há inúmeros relatos de homens torturando mulheres. Não há relatos na história de mulheres controlando, silenciando, apedrejando, queimando e mutilando homens, mas há milhares de relatos de homens cometendo as maiores atrocidades contra as mulheres em quase todas as sociedades. Os homens é que são sexo frágil, pois só os fracos controlam e ferem os outros. A biografia masculina tem uma dadiva incalculável com as mulheres.

[…]

Queridas mulheres, vocês honraram muito mais a espécie humana do que os homens. Eles falharam historicamente em lidera-la. Se vocês dominassem o mundo, a humanidade seria mais feliz. Se vocês fossem generais, não haveria guerras, pois vocês não teriam coragem de enviar seus filhos para campos de batalhas. Mas o homem por muito pouco, os enviam”. – Página 204

O Contador indica!

Livro: A DITADURA DA BELEZA e a revolução das mulheres Editora: Sextante Ano de Publicação: 2005 Edição: 2ª Edição Registro no ISBN: 85-7542-198-0 Páginas: 208

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios