O CONTADOR LEU: O COLECIONADOR DE LÁGRIMAS, DE AUGUSTO CURY

POR AIRIS VITAL

Quando fui conduzida a lê mais um livro desse nomeado escritor, já presumia os inúmeros questionamentos que se instalaria em minha mente. O curioso foi saber que em meio a um romance ele nos aproxima do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial, descrevendo minuciosamente detalhes da vida de Adolf Hitler.

Fui agarrada, dilacerada pelos personagens no quadro fictício descrito por Cury. Júlio Verne (professor de História) e Katherine (Professora de Psicologia), são os personagens principais dessa ficção. Imagine um romance que luta pelo presente, passado e futuro da humanidade?! Isso mesmo h-u-m-a-n-i-d-a-d-e, não se trata da realidade apenas dos dois apaixonados e sim da humanidade, pela qual ambos possuem grade apreço e zelo.

Poucas pessoas têm o conhecimento completo das lutas que foram travadas para obtermos os direitos que temos hoje. E esse fato é declarado nas praças, nas salas, nas rodas de conversas informais… que já se tornou comum. Encontramos leis, regimentos e etc, que não conhecemos o que aconteceu para que elas existissem. Deveríamos ser conscientes que, o poder da informação e do conhecimento é o avanço para enxergar as consequências, das nossas escolhas.

Dentre as características que me ganharam neste livro foi, os fatos e ambientes que transmite ao leitor a capacidade de se transportar, para dentro de determinados personagens da história. Um dos relatos que me ganhou nos primeiros capítulos foi um pesadelo de Júlio:

“Durante os minutos que estive presente naquele cenário horrendo, vi famílias inteiras tirarem as roupas passivamente, sem nenhum pedido de clemência. E assim eram fuziladas e atiradas nas valas. […] O pai não se importando com os fuzis dos soldados da SS, abraçou suas duas filhas ao mesmo tempo. Em seguida, beijou a testa da esposa, posteriormente fixou seus olhos no bebê e beijou sua cabeça. Depois beijou e abraçou seu filho de 7 anos, que não sabia o que estava acontecendo por fim, pegou as mãos do garoto de 10 anos e dialogou com ele, um menino que não compreendia as causas, mais sabia que iria ser assassinado. Ele chorava passava suas duas mãos no rosto sem parar”. – Página 39(40)

Às vezes me questiono sobre como as ficções nos atrai, dedicamos horas assistindo filmes, series, livros… conhecendo fatos que sabemos, que não são reais. Mais e as que são? Que tiveram realmente um significado e que ficam esquecidos nos livros de história? Eu entendo que ‘O colecionador de lágrimas’ é o nome dado para aquele que consegue sentir a dor do outro, se sensibiliza e questiona como escreve sua vida e muda, muda para tornar o mundo melhor. Será que somos ou estamos próximo de ser colecionadores de lágrimas?

Uma das descrições de Cury, que se eu pudesse notificava a humanidade, sobre quem era Hitler é a seguinte:

“Nunca pise na cabeça de um derrotado; um dia ele se recupera e se torna uma serpente para envenena-lo. A dor da humilhação é mais penetrante que a física: está se alivia com o tempo, aquela se torna inesquecível”. – Página 192

A capacidade de aderir crianças, líderes políticos e religiosos a favor de suas atrocidades me deu calafrios. E ainda, através do conhecimento das técnicas sofisticadíssimas de manipulação da emoção de uma sociedade que ele não pertencia (era da Áustria e não da Alemanha), devorou sem piedade a alma dos alemães, um dos povos mais cultos do seu tempo, talvez portadores da melhor educação clássica na época.

Indico essa leitura para qualquer pessoa que esteja disposta a conhecer sobre esse terrível holocausto, que queira mergulhar em uma aventura experimental no subconsciente, em busca de está atento a “forjados” representantes políticos . Já que um dos terceiros motivos de Cury em escrever essa história, é fazer o leitor entender que:

“a história pode se repetir de múltiplas formas e com múltiplas roupagens”

Agora é aguardar com ansiedade, o próximo volume. Boa leitura!!!

O contador, Indica 😉 .

Livro: O Colecionador de Lágrimas Editora: PLANETA DO BRASIL  Ano de Publicação: 2013 Edição: 1ª Edição Registro no ISBN: 978-85-422-0008-9 Páginas: 366

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