O CONTADOR LEU: CUJO DE STEPHEN KING

POR AIRIS VITAL

Foi um dos livros com estrutura mais surpreendente que li. São tantos detalhes a serem partilhados, que tenho receio dos spoolers, rsrsrs. Mas vou começar ressaltando alguns detalhes que torna este livro tão diferente dos demais: não possui prefácio; começa e termina com uma música (como trilha sonora, será?); e ausência de capítulos. Eu não fazia ideia que um dia, iria deparar com um suspense fictício nesta estrutura.

Meu caro, foi então que me agarrei as páginas com afinco, chegando a conclusão mais óbvia. A escolha do livro possuía de fato a função de me surpreender. Obrigada Iaslan Nascimento, pelo presente 😉 . O objetivo foi alcançado com sucesso, desde o momento da concepção do livro, até a leitura da última palavra escrita nele. Mas continuando…

É comum termos medos. E ter que enfrenta-los, é a pergunta que nos permeia ao longo da nossa existência. Se vamos paralisar ou reagir?! Bem, só as circunstâncias vão dizer. E é deste modo que as coisas acontecem na narrativa realizada por King. De forma lenta e comum ao nosso cotidiano ele narra a situação de duas famílias distintas que tende a superar os problemas que permeia os seus âmbitos. Até o momento que o cachorro de criação de uma das famílias passa por uma transformação do pior pesadelo de Tad Trenton, integrante da outra família. Não bastava a narrativa nós seduzir nas primeiras páginas na terceira pessoa, ela nos atinge sensitivamente de forma eletrizante no desfecho, quando descreve o processo do cachorro “amigo do homem” para um “mostro do sonho”.

Então a leitura torna-se envolvente e fria, atingindo brutalmente a psique do leitor. As alternâncias sobre os acontecimentos na vida dos personagens, tornam-no complexo e simples em meio a tantas coincidências. Houve momentos que eu tive que Inspirar e Respirar, porque eu realmente temia o que vinha adiante, mesmo consciente que eu precisava saber. O impressionante é que ao termino, os questionamentos pairam dentro de você… como largar o que é prazeroso, mais não é o certo? O que eu faria, se meu pesadelo saísse mesmo, debaixo de minha cama? Como começar uma nova vida, com perdas que deixaram cicatrizes tão profundas? As sensações são transmitidas de forma tão real que gera incomodo, pois não dá tempo de você criar um possível desfecho para os fatos, eles simplesmente acontecem e antes que você se conforme é o fim.king_a

O escritor americano Stephen King é o nono autor mais traduzido no mundo. Uma das suas obras que foram adaptadas para o cinema, que eu assisti foi Carrie, a estranha, porém grande parte de suas obras, foram também. E um dos seus últimos trabalhos foi a trilogia Bill Hodges.

Enfim, espero que apreciem a leitura. E fazendo uso das palavras do escritor, espero que seja como foi comigo:

“[…] sempre achei que o tipo de livro que eu escrevo – e meu ego é grande o bastante para pensar que todo escritor devia fazer isso – devia ser uma espécie de agressão pessoal. Devia ser alguém pulando por cima da mesa, devia agarrar e intimidar o leitor. Devia provoca-lo. Devia incomoda-lo, perturba-lo. E não só por que ele ficou com nojo[…]”.

 Livro: Cujo Editora: SCHWARCZ S.A. Ano de Publicação: 2016 Edição: 1ª Edição Registro no ISBN: 78-85-5651-025-9 Páginas: 373

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