O AMOR NÃO MORRE

POR FÁBIO CHAP

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Qual a última vez que você sentiu a paixão e o desejo arrepiar seu corpo todo? Imagino eu que não esteja te propondo pensar sobre algo inédito. Eu sei que você já amou, eu sei que você já se perdeu e já se achou nesse sentimento desgraçado chamado amor.

Lembra aquele dia em que você beijou aquela pessoa pela primeira – ou pela décima – vez e pensou:

‘Meu Deus! É isso! Eu passaria horas, talvez vidas nesse colo, nesse abraço, nesse laço.’ – Lembra?

Sabe aquela boca que te enlouquece? Sabe aquela voz que te estremece? Sabe aquele prece que você fez pra que a vida nunca te separasse daquela metade rara que um dia se apresentou a ti?

Éééé, minha cara amiga, meu caro amigo. É meio dolorido lembrar disso tudo. Eu sei. Aliás, por onde te dói? Pelo estômago? Pelo sexo? Pelos pulmões que te sufocam em lembranças que jamais voltarão a se materializar?

E te digo: naquela vez que você amou, aposto que ali, naquele segundo, naquela eternidade que durou sabe-se lá quanto tempo, você entendeu porque vale a pena viver. Ali você sentiu o corpo gelar e esquentar. Sentiu o corpo gritar e silenciar. Sentiu mais que o corpo, sentiu a alma e, naquele mundo dentro de um corpo, você acreditou no poder do universo e no poder dos poros.

Foi aquela paixão em que você arriscou escrever um verso; mandar flores pela primeira vez; respirar fundo e contar até 3 pra ver se aquilo era mesmo de verdade. E era. E foi. Foi tanto e foi longe. Até que num dia meio estranho, entrou num labirinto e hoje já não é mais. Hoje já não dói mais, nem faz sorrir.

Sabe aquela última vez que você ardeu, sofreu, amou, se entregou? Um dia, ela foi a primeira vez. E choques no coração podem -e irão – acontecer até aquele fatídico dia em que a gente fecha os olhos pra sempre.

Porque o amor não morre. O que morre é nossa capacidade de dar licença à uma outra primeira vez (…) daí então, sufocados de vazio, morremos nós.

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