NOSSOS FUROS DE ALMA NÃO SE TAPAM COM LENÇOL; NEM COM SKOL

POR FÁBIO CHAP

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A pizza de tomate seco tá gelada. Um livro – com 1/3 lido – molhado de cerveja. Duas latinhas na sala; 22 na cozinha. O controle da TV sem a tampa da pilha. Azeite. A gente no limite. Você dormindo no meu colchão cujos furos eu tapo com lençol. Me sinto ansioso. A noite foi de passos pra trás. Brigamos. Você estava bêbada e não partiu. Aliás, até partiu. Foi até a porta do elevador e eu fui atrás de cueca. Podia ter começado aí um roteiro de pornozão, mas não foi nada sexy. Foi tudo dolorido. Foi repetido. O porteiro ligou. Disse que ia registrar outra multa se os xingamentos não parassem.

Aí você entrou. Disse pra eu não olhar na sua cara e me trancar no meu quarto que seria mais seguro pra mim. E que te deixasse na sala com a pizza. Com a Netflix. A tantas da madruga você acordou. Saiu no breu e foi na cozinha buscar azeite. Eu não consegui dormir direito. Fiquei tentando consertar a gente, mas parece que nossos furos de alma não se tapam com lençol; nem com Skol. Tá foda. Preciso me livrar dos anos; desapegar dos planos. Só que minha mente está péssima de foco. Agora mesmo estou pensando qual nome teria um filho nosso. Gosta de Gabriel?

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