O BUNDA-MOLE 2016

POR FÁBIO CHAP

geoffskate

Já conhece o bunda-mole 2016? Pois deixe-me apresentá-lo a vocês.

O bunda-mole 2016 nunca tomou um enquadro, quanto mais um esculacho da Polícia, mas defende com unhas e dentes as agressões e homicídios da Corporação Militar porque ‘a gente não pode dar mole pra vagabundo’.

O bunda-mole 2016 teve uma infância recheada de PlayLand, Playmobil e Playstation, mas quando alguém diz pra ele: ‘então desce pro Play’, ele fala que vivência é papo de esquerdista.

O bunda-mole 2016 nunca foi nem nunca irá numa Manifestação Popular, porque se tiver bomba de efeito imoral e gás lacrimogêneo, é capaz dele traumatizar no primeiro estouro. Se um polícia olhar torto pra ele, então; nem dorme a noite.

O bunda-mole 2016 nunca conversou com uma mulher violentada, nem nunca viu bem de perto a mãe apanhar do pai, mas acha que a Violência Doméstica e a Cultura do Estupro não existem. Pra ele o que existe é um indivíduo isolado que pratica crimes. Que o feminismo é uma criação pra fazer a mulher dominar o homem.

O bunda-mole 2016 diz:

“Você deve lutar pelos direitos humanos! Mulheres são humanos? Negros são humanos? Homossexuais são humanos? Então ponto: você engloba uma classe toda! Não há por que segregar.”

Certamente esse bunda-mole pulou boas páginas de livros de história. Não leu nada sobre as Sufragistas, pouco (ou nada) do Movimento dos Direitos Civis dos Negros. Pra ele basta ser humano pra ser respeitado. Mas, adivinhe? O bunda mole é homem, branco e hétero. Ou seja, sabe tudo sobre ser desrespeitado apenas por existir, né?

O bunda-mole 2016 diz que o sobrenome italiano dele veio do Bisavô. ‘Vô Calligari que veio da Itália com uma mão na frente e a outra atrás e suou muito pra chegar onde chegou’. O bunda-mole nem desconfia que o Governo Brasileiro pagava a viagem de navio dos Imigrantes italianos. Nem desconfia que os imigrantes italianos, espanhois, alemães e japoneses tinham até um pequeno auxílio moradia enquanto os negros recém abolidos e desempregados por gerações se espalhavam pelos morros de terra infértil.

O bunda-mole 2016 sujou a mão de graxa só naquele dia que fez uma visita à fábrica do tio do interior, mas acha um absurdo essa coisa de CLT. Ele acha que o empregador tem sofrido muito no Brasil com essa enormidade de direitos trabalhistas.

O bunda-mole 2016 estudou numa escola pré particular, fundamental particular, ginásio particular, ensino médio particular e na hora da faculdade foi pra Universidade Pública, mas acha um absuuuurdo se um negro de escola pública estiver na sala dele por conta de cotas raciais reparatórias.

Mas hoje, finalmente hoje, o bunda-mole 2016 desistiu de ser bunda-mole. Decidiu que vai se matricular numa academia lá no Jardins e agora vai ficar com a bunda dura.

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