FESTIVAL DE GRAMADO: ‘BARATA RIBEIRO, 716’ GANHA O PRÊMIO DE MELHOR FILME

Favorito, Elis fica com o prêmio do júri popular.

POR RODRIGO FONSECA
DO OMELETE.

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Num gesto de ousadia capaz de referendar o mais popular dos gêneros do cinema nacional, a comédia, o júri do 44º Festival de Gramado rompeu com toda e qualquer expectativa – a começar pelo favoritismo em prol do musical de tintas trágicas Elis – ao conceder o troféu Kikito de melhor filme e o de melhor direção a um mestre do humor: Domingos Oliveira venceu a disputa com Barata Ribeiro, 716. Láureas de melhor trilha sonora e melhor atriz coadjuvante (para Glauce Guima) coroaram ainda mais esta trama sobre álcool, amigos e amores ambientada nos anos 1960, com base nas memórias do cineasta de um apartamento que teve na Zona Sul do Rio de Janeiro, em Copacabana. Caio Blat encarna um alter ego do cineasta, já premiado na Serra Gaúcha antes com Infância (2014), Juventude (2008), Separações (2002) eAmores (1998).

Caio foi meu ego neste filme e eu fui o outro“, brinca Domingos, único diretor com status de mestre em concurso este ano, em que a toada cômica conquistou o júri também em O Roubo da Taça.

Defenestrado pela ala mais velha da crítica, por seu tom de chanchada avesso à correção política, o longa de Caíto Ortiz, sobre o sumiço da Jules Rimet, em 1983, ganhou Kikitos de roteiro, direção de arte, fotografia e ator, coroando a genial atuação de Paulo Tiefenthaler. De Elis, do qual muito se esperava, veio o prêmio de júri popular, o de montagem e o merecidíssimo troféu de melhor atriz para Andréia Horta, por uma genial recriação da vida da cantora Elis Regina.

Falado em espanhol e todo rodado no Uruguai, mas com verba brasileira, O Silêncio do Céu, de Marco Dutra, papou o Prêmio Especial do Juri e o prêmio da crítica, além de um Kikito de som. O melhor longa hispânico foi o paraguaio Guaraní. O melhor curta foi Rosinha.

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS

Melhor Filme: “Barata Ribeiro, 716”, de Domingos Oliveira

Melhor Direção: Domingos Oliveira (“Barata Ribeiro, 716”)

Melhor Atriz: Andréia Horta (“Elis”)

Melhor Ator: Paulo Tiefenthaler (“O Roubo da Taça”)

Melhor Atriz Coadjuvante: Glauce Guima (“Barata Ribeiro, 716”)

Melhor Ator Coadjuvante: Bruno Kott (“El Mate”)

Melhor Roteiro: Lucas Silvestre e Caíto Ortiz (“O Roubo da Taça”)

Melhor Fotografia: Ralph Strelow (“O Roubo da Taça”)

Melhor Montagem: Tiago Feliciano (“Elis”)

Melhor Trilha Musical: Domingos Oliveira (“Barata Ribeiro, 716”)

Melhor Direção de Arte: Fábio Goldfarb (“O Roubo da Taça”)

Melhor Desenho de Som: Daniel Turini, Fernando Henna, Armando Torres Jr. e Fernando Oliver (“O Silêncio do Céu”)

Melhor Filme – Júri Popular: “Elis”, de Hugo Prata

Melhor Filme – Júri da Crítica: “O Silêncio do Céu”, de Marco Dutra

Prêmio Especial do Júri: “O Silêncio do Céu”, pelo domínio da construção narrativa e da linguagem cinematográfica.

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