“O GIGANTE ACORDOU (?)”

Reunimos quatro Contadores para debater sobre as manifestações que agitaram São Miguel do Gostoso nas ruas e nas redes sociais.

POR AIRIS VITAL, AUXILIADORA RIBEIRO, AILTON RODRIGUES E VALMIRO ZUNO
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

4Contadores
Valmiro Zuno, Airis Vital, Ailton Rodrigues e Auxiliadora Ribeiro

Você imaginou ser sempre o último? Ou simplesmente não ter a preferência dentro de sua própria casa?
Sabe aqueles grandes momentos anuais em que você recebe a visita de familiares e amigos, e a
s casas da nossa rua estão todas cheias? Já imaginou ter que simplesmente mudar a programação? Ou não saber se aqueles momentos realmente vão acontecer?
Já imaginou voltar mais cedo para casa na festa de padroeiro ou no carnaval, só por que a banda não pode tocar mais?
Já imaginou passar por isso e ainda escutar que isso é bom? Ou ainda que isso é o desenvolvimento?
Bem… Ultimamente para população de São Miguel do Gostoso, não é difícil imaginar essas coisas.

Inconformados com o descaso do poder público, os moradores de Gostoso resolveram iniciar um movimento de emancipação política 23 anos atrás, mas hoje a luta é outra: é pela emancipação do povo.

O POVO TAMBÉM TEM VOZ é um movimento de muita coragem de quem quer dar um grito de liberdade! Essa manifestação não surgiu do nada. Há anos o senhor Emanuel Neri vem tentando acabar com a cultura que tanto caracteriza o nosso São Miguel do Gostoso, que antes era uma pequena vila de pescadores e hoje é “a menina dos olhos de ouro do turismo”. Gostoso tem sido vendido lá fora como um lugar que não corresponde a sua realidade, mas que por cima de pau, pedra, areia, praia e nativos ele vem tentando construir essa imagem por ele e por outros vendida.

Por que apontar tal pessoa como pivô dos atuais conflitos? Isso é resultado de muitos anos de massacre, de tentativas de acabar aos poucos com nossa cultura, por um indivíduo que quer exercer um controle pessoal sobre questões públicas usando da sua influência familiar para balizar as decisões importantes em nossa cidade.

Conhecido popularmente por ser contra as festas, contra as festividades (arraias) de rua, contra manifestações religiosas, contra as cavalgadas e mais recentemente contra vaquejadas, e parece também que contra o evento de MMA é um personagem a qual se atribui grande rejeição. Tanto ele quanto a família dão total apoio a eventos externos, com ampla divulgação e valorização dos mesmos ao mesmo tempo em que mostram uma clara intenção de riscar manifestações culturais que são próprias da cidade e já ocorrem há muitos anos.

Usa a bandeira do diálogo e da imparcialidade, quando na verdade primeiro constrange quem diverge da sua opinião através de textos em sua página pessoal. Suas publicações para muitos gostosenses é certeza de uma azia, capitalizada pela profunda irresponsabilidade de autorizar comentários anônimos, que denigre sem nenhuma piedade a imagem de servidores e cidadãos. Essa conduta tem estimulado a violência virtual através de comentários e rebates maldosos em seu blog, ao mesmo tempo em que decide sistematicamente quais comentários publicar, influenciando a opinião dos seus leitores.

Quando é do seu gosto trata como civilizado e de bom gosto, quando não, trata como atrasado, baderna, ou mesmo ato de intolerância. Se coloca como “o neutro”, “o avaliador”, “a pessoa de bom senso”. Infelizmente invoca para si tudo o que é incapaz de oferecer. Nos seus textos se coloca como porta voz de uma maioria ou mesmo da comunidade, quando na verdade não tem respaldo nem representatividade para isso.

O movimento O POVO TAMBÉM TEM VOZ, não é um ato contra as pessoas de fora (e acerca disso, o cidadão também já fez uma matéria afirmando que os nativos são contra as pessoas de fora que escolhem São Miguel para viver), mas sim um movimento contra as pessoas de fora que tem usado de autoritarismo, influência e tantas outras ferramentas para acabar com tudo que é do povo. Se você é de fora e veio para somar seja bem vindo, hospitalidade é o que não falta!

O que não dá para compreender é o seguinte: “as pessoas de fora” que escolheram São Miguel do Gostoso para viver, para investir, escolheram justamente pela sua beleza, pelo seu povo hospitaleiro, pela nossa cultura, que são razões que fazem alguém fincar raízes, então, se nada disso agrada a um certo cidadão, aí o problema é complexo. Mas temos uma dica: ao invés de tentar mudar todo um povo, toda uma cultura por que não muda a si mesmo?

Hoje podemos atribuir a tal pessoa o indesejável clima de segregação e intolerância que tomou conta desse aniversário de emancipação. Não são apenas jovens insatisfeitos. Um copo não se enche apenas com uma gota.

JAMAIS SEREMOS XENÓFOBOS

Durante uma matéria publicada no dia 04 de dezembro de 2012 (que já foi citada acima), o jornalista fez uma série de insinuações pesadas contra a população do município, chegando a chamar a “minoria” dos nativos que reivindicam seus direitos de xenófobos, um termo absolutamente duro.

Podemos perguntar as pessoas “externas” que escolheram esse município para viver se elas são vítimas de ódio da população, ou melhor, podemos perguntar, por exemplo, as dezenas de pessoas que vêm para cá durante a Mostra de Cinema se nosso povo os agride simplesmente por serem de outros lugares. Eles vão responder com certeza que NÃO!

Convenhamos que a pessoa deve se adaptar ao lugar que escolheu para visitar ou morar e não o contrário, e por isso caro leitor, não se engane. Claro que a cultura não é estática, que  sempre ocorrerá mudanças no convívio entre culturas diferentes, mas  não dessa forma tão bruta e ao mesmo tempo silenciosa.  Os nativos não querem expulsar ninguém do município, e sim deseja que eles encontrem um lugar cada vez mais gostoso de visitar, além disso, que voltem com o pensamento de que aqui é um município com características próprias.

Agora vejam se somos obrigados a tolerar que limitemos nossos horários de festas tradicionais ao bel-prazer de alguns pousadeiros que insistem em afirmar (de maneira indireta e até sofisticada) que isso os incomoda e incomoda seus hóspedes. Ou então que nos impeçam de realizar nossas manifestações culturais. O Auto de Natal, por exemplo, teve uma edição que quase foi cancelada porque um desses pousadeiros que insistiu que um palco não deveria ser montado na praia porque atrapalharia a visão que seus hóspedes teriam da paisagem.

Definitivamente não podemos simplesmente engolir essas coisas e o senhor Emanuel Neri retrata em suas matérias “imparciais” que os nativos simplesmente odeiam e discriminam as “pessoas de fora”. Pior, ele demonstra que os nativos não fazem eventos que prestam.

Contudo não estamos generalizando, merecem aplausos os tantos outros pousadeiros e/ou empresários que entendem que a causa é maior, e ajudam sempre no que podem para ver o município crescer de forma saudável.

O que sabemos é que ainda vamos falar muito sobre esses assuntos que abordamos nesse artigo e as expressões: “Não seremos Pipa!”, “O gigante acordou”, dentre outras precisam ser encaradas com um novo olhar daqui para adiante.

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Uma consideração sobre ““O GIGANTE ACORDOU (?)””

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