UMA MENTIRA E UMA RIXA AMOROSA LEVARAM À PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

POR FELIPE VAN DEURSEN
DA SUPERINTERESSANTE

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Marechal Deodoro da Fonseca.

A Guerra do Paraguai (1864-1870) matou cerca de 480 mil pessoas entre 1864 e 1870. O Paraguai foi devastado. Quase um quarto do território foi perdido para os inimigos, a chamada Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai). Cerca de 300 mil mortos, em um universo de até 1,3 milhão de habitantes, o que faz do país o Estado moderno com a maior perda de população causada por um conflito internacional. A poligamia informal se tornou comum. Com tantas viúvas, órfãs e solteiras, o país ficou conhecido como a Terra das Mulheres.

Desde então, a política no Paraguai é um pântano. Somente em 1916, após seis golpes de Estado, um presidente conseguiu cumprir o mandato até o fim. Houve oito revoluções fracassadas. Eleições democráticas, só em 1993. Em 1999, o presidente Raúl Cubas Grau foi acusado de envolvimento no assassinato de seu vice e renunciou. Em 2012, um processo de impeachment que durou menos de 48 horas destituiu Fernando Lugo do cargo.

Se a guerra moldou toda a história do Paraguai, para o Brasil não foi diferente. A vitória transformou o Exército brasileiro em algo que ele nunca tinha sido: uma força política, capaz de bater de frente com a aristocracia do império, caso fosse necessário. O que não demorou a acontecer. Em 1884, o tenente-coronel Sena Madureira, veterano da guerra e comandante da Escola de Tiro Campo Grande, no Rio de Janeiro, recebeu com festa o jangadeiro cearense Francisco José do Nascimento, um dos líderes abolicionistas do país. O governo considerou um ato de indisciplina, já que a escravidão ainda era lei no país e cabia ao Exército ajudar na captura de escravos que fugiam. Sena Madureira acabou demitido, e trocou farpas na imprensa com o ministro da guerra, o civil Franco de Sá.

A atitude de Sena Madureira foi questionada, mas ele foi defendido por outro veterano do conflito no Paraguai, onde teve uma série de promoções por atos de bravura. O marechal Deodoro da Fonseca argumentou que apenas a discussão pública entre militares era proibida pela legislação. Como o tenente-coronel fora atacado por uma autoridade civil, ele poderia responder à altura. Porém, antes que o ofício com a defesa de Deodoro, que então era presidente em exercício da província do Rio Grande do Sul, chegasse ao Rio de Janeiro, o novo ministro da guerra, Alfredo Chaves, puniu Sena Madureira. Isso uniu o Exército em solidariedade, e a chamada Questão Militar ficava mais forte. Na época, os militares reclamavam do soldo, congelado por anos, da redução dos efetivos depois da guerra e da falta de modernização de equipamentos, entre outros assuntos. Era demais para uma classe que se via como a salvadora do país.

Em 1889, os republicanos convenceram Deodoro de que o então Presidente do Conselho de Ministros de Pedro II, o Visconde de Ouro Preto, havia expedido uma ordem de prisão contra ele. Não era verdade, mas bastou para que Deodoro juntasse um pequeno batalhão e marchasse pelo Rio de Janeiro exigindo a deposição de todo o ministério. Deodoro, então, soube que o novo Ministro-Chefe seria Gaspar Silveira Martins, seu desafeto – os dois tinham disputado o amor da mesma mulher na juventude, e viraram rivais para o resto da vida. “Aí já é demais”, Deodoro talvez tenha pensado. O fato é que isso levou Deodoro, que até então não via o Brasil sem a monarquia, a derrubar Pedro II e instituir um governo provisório. Estava proclamada a República. Graças a uma rivalidade romântica. E, principalmente, graças à Guerra do Paraguai. Dois anos depois, a República se consolidaria sob o punho de ferro do sucessor de Deodoro: o marechal Floriano Peixoto, outro que ganhou destaque no Exército quando combateu as forças de Solano López.

A história do Brasil República começou ali, e ainda hoje há ecos da maior guerra da América Latina: em 2014, 150 anos após o início do conflito, o Paraguai pediu a devolução de um importante canhão. Mas ele permanece no Museu Histórico Nacional, no Rio.

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Este conteúdo foi originalmente publicado no livro 3 Mil Anos de Guerra, à venda em bancas, livrarias e lojas online.

ORIGINAL: https://super.abril.com.br/blog/contaoutra/uma-mentira-e-uma-rixa-amorosa-levaram-a-proclamacao-da-republica/

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O CONTADOR VIU: LIGA DA JUSTIÇA.

POR IASLAN NASCIMENTO

Olá amigos, LIGA DA JUSTIÇA está entre nós. E hoje vamos falar um pouco desse filme que reuni a equipe de heróis do universo da DC Comics.

 

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          Permeado por polêmicas que vão desde um histórico manchado pelas críticas (Batman vs Superman e Esquadrão Suicida) até a troca de diretores (saiu o Zack Snayder por motivos pessoais e entrou Joss Weadon conhecido por ter dirigido: Vingadores, Vingadores 2 a era de ultron, Toy Store), Liga da justiça seguia como uma incógnita na cabeça tanto dos fãs de quadrinhos quanto dos críticos de cinema.

            Mas a verdade é que desde o fim de outubro o mundo do cinema respirava a liga, muitos vão “dizer isso não é verdade, estamos respirando é Star Wars” e eu digo também, estou ansioso para ver o universo de Star Wars, mas novembro é o mês da liga, e tanto é que todas as salas da grande Natal e claro de todo o Brasil estavam lotadas, de fãs, cosplayers, “fãs da concorrência”, jovens, adultos, meninos e meninas, sozinhos ou em grandes grupos, estavam todos ali para ver o início da Liga, e o início não nos decepcionou.

           Batman (Ben Affleck), Mulher Maravilha (Gal Gadot), Flash (Erza Miller), Aquaman (Jason Mamoa), Ciborgue (Ray Fisher), está é a equipe da liga formada no filme. Liderada pelo Batman e pela Mulher Maravilha a equipe tem uma motivação praticamente igual para se juntar: Derrotar o vilão em comum. A típica motivação para heróis se juntarem, tanto nos quadrinhos, filmes, séries e afins, e por ser uma adaptação de quadrinhos essa é uma motivação totalmente aceitável.

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            Quero começar a dissecar esse filme pelos destaques positivos do filme. Entre os personagens os maiores destaques são: A Mulher Maravilha e o Flash. A Mulher Maravilha rouba os holofotes para ela em todas as cenas que ela aparece, ela é dona de tudo. Forte, rápida, destemida, a cara dessa liga. Nunca vi em filmes de heróis uma personagem feminina com tanta força e representatividade.

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          O outro destaque do filme é o Flash, assim como a Mulher Maravilha, a cena que ele está, ele é o destaque. Cheio de piadas e referências da cultura pop. Uns podem dizer que ele só faz piada, mas no caso do Flash é completamente aceitável pelo simples fato de que essa é a personalidade do Flash, brincalhão, piadista, a final nessa adaptação para cinema eles preferiram adaptar o Barry Allen divertido e cheio de piadas e um pouco menos do Barry Allen cientista forense que vemos na série de TV.

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        Os outros que compõe a equipe também tem seus momentos, todos personagens (exceto o Ciborg) estão mais leves e descontraídos o que na minha opinião não atrapalha o filme. Talvez você não goste muito do Batman tentando ser engraçado, mas ele não faz isso sempre então não se preocupe. O Aquaman é meio “vida loca” e as vezes parece que ele não liga muito para nada. O Ciborg é o menos “alegre” da liga, afinal ele passou pelo trauma de ter seu corpo refeito a partir de “peças mecânicas”.

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          Agora que você já tem um resuminho do filme, aconselho você ir ver o filme no cinema, pois agora eu vou “soltar” alguns Spoilers.  Super recomendo o filme, E se você não vai seguir bom filme e depois voltar aqui para continuar lendo essa crítica vlw, até mais!

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Pra você que ficou vamos seguir com os spoilers agora rsrs

                O Tom do filme está mais para o de Mulher Maravilha, o que é bom, pois é um tom que deu certo. Ainda temos algumas cenas escuras e muitas cenas em câmera lenta afinal não dá pra refazer um filme todo, o filme ainda tem muito a cara do Zack Snyder. As cenas com câmera lenta são uma das poucas coisas que me incomodaram no filme, parece que sempre que o herói vai fazer um movimento bacana ele tem que usar a câmera lenta para você ver como aquele personagem se mexe bem e o quanto aquele movimento é foda, mas quando usado muito esse recurso fica chato.

               A trilha sonora ela tá lá, não tão impactante quanto a de Batman Vs Superman e Mulher Maravilha, mas está lá. Confesso que em alguns momentos do filme, ela passou despercebida, mas ouvindo-a nesse exato momento enquanto escrevo esse texto consigo lembrar exatamente das cenas onde elas apareceram. O tema da Mulher Maravilha sofreu alterações e na minha opinião ficou menos impactante. No filme também temos a trilha sonora clássica do Superman  repaginada e está muito bem-feita.

Trilha sonora da Liga da justiça completa.

             O vilão. Uma coisa eu percebi assistindo esses filmes de heróis, é que está realmente muito difícil fazer bons vilões, mas no caso da liga da justiça isso pode até ser explicado, pelo simples motivo de que nesse filme os diretores/roteiristas tiveram que introduzir e apresentar 3 heróis: Flash, Aquaman e Ciborgue (Cyborg) e isso leva demasiado tempo, tempo esse que falta para desenvolver o vilão a ponto prejudica-lo. Acho que olhando por todos os ângulos do filme, o todo “poderoso” Lobo da estepe não passou de um vilão coadjuvante para juntar a liga para possíveis grandes vilões. E sim fora as várias câmeras lentas do filme, eu também não gostei da forma como o vilão foi ”derrotado”.

             Esse filme é cheio de referências, seja ao próprio universo como Lanterna Verde e o Zeus, sim o deus grego aparecendo em uma batalha, ou do nosso universo como um dos monitores do Flash exibindo Rick and Morty. E como já foi dito o Flash é o cara das referências ele chega a citar o filme o Cemitério Maldito, filme baseado no livro homônimo do Stephen King.

       O Batman. Nesse filme o morcegão mais uma vez foi mostrado de uma forma diferente no filme. Parece que tanto o Batman Vs Superman quanto Liga da justiça fazem o Batman parecer muito frágil ao enfrentar os vilões com poderes sobre humanos, o que pode ser um problema, pois nas grandes lutas já que não pode infringir dano a esses seres ele vai apenas assistir?

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             E agora vamos falar sobre o Superman (Henry Cavil) todo mundo quer saber dele. E sim amigos o Clark Kent voltou, e a cena que ele volta meu amigo é fantástica, pra falar a verdade o Superman dá mais trabalho pra liga que o próprio vilão do filme, afinal o Superman é invencível a menos que você saiba sua fraqueza ;). O artificio para fazer o Superman voltar ao controle de sua consciência e para de lutar contra os membros da liga me lembrou um pouco a artificio que foi usado em Batman Vs Superman, a Louis Lane e fala com ele e de repente a raiva dele some e foi isso. O Superman na luta final contra o Lobo da estepe mostra o quanto o herói é forte, antes dele chegar os cinco quase não conseguiam derrotar o Lobo e quanto o Clark chega o vilão é “derrotado” em minutos.

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         Cenas pós-créditos. Temos duas. Uma pura brincadeira e outra muito importante para a trama mas não quero me demorar muito por aqui. Tô aqui só pra dizer que podemos ter uma liga de vilões para bater de frente com a liga da justiça e que o exterminador (possível vilão do filme solo do Batman) tá animal.

    Amigos obrigado por acompanhar o texto até aqui. Já assistiu o filme comenta aqui o que você achou. Ainda não assistiu!? Tá esperando o que vai lá conferir esse filmaço. É isso até mais pessoal, vou deixar pra vocês um vídeo dos bastidores do filme, mas cuidado se você não assistiu tem SPOILERS!. Até mais Galera.

 

 

O RELACIONAMENTO IDEAL

POR FÁBIO CHAP

Namorar, noivar, casar é pra gente estar com um aliado na vida. A maior furada do mundo é se relacionar com alguém que mais te empata do que te incentiva. Brigar, todo mundo briga. A gente discute, fica meio pá. Mas outra coisa é humilhar. Outra coisa é botar a pessoa pra baixo ‘pois assim se tem mais poder’.

Se perguntam o meu ideal de relacionamento, pra mim é tudo muito claro: uma aliada. Alguém que se encante com meus objetivos e que eu me encante com os dela. Uma mina que queira a cada dia, tornar a própria vida melhor; e por buscar ser melhor a cada instante, me deixa num constante estado de admiração e paixão.

É muito gostoso imaginar a mina mais parceira, a viagem mais gostosa, o sexo mais sem limites, a vontade que um tem do outro. A vontade de conhecer o mundo, viver muito dentre tudo que é possível.

Me fala: o que você tá fazendo nesse relacionamento sem parceria? Sem admiração? Sem tesão? Pra quê seguir a vida assim? A gente tem que ficar junto pra vida ficar menos pesada, menos difícil. Se é pra piorar tudo, melhor cada um pro seu lado.

 Poucas coisas no mundo são mais poderosas que uma dupla que se ajuda em tudo, que se admira em muito, que se completa, se distingue, se chupa e se ama.

 Não deixe um inimigo deitar na sua cama. Essa vida é curta demais pra gente gastar ao lado de quem não compreende o poder da parceria. 

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CURTAS DA MOSTRA COMPETITIVA TRAZEM BONS DOCUMENTÁRIOS E OBRAS POTIGUARES

Documentários e ficções nordestinas marcam curtas metragens selecionados para a Mostra Competitiva deste ano da Mostra de Cinema de Gostoso.

POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Os curtas da Mostra Competitiva que serão exibidos na Mostra de Cinema de Gostoso terão histórias bastante interessantes e trazem dois curtas potiguares que estão sendo elogiados pelos críticos.

A grande marca destas obras são os documentários que estarão em peso nesta edição e alguns deles trazem temas polêmicos, veja nossa seleção das sinopses e curiosidades dos filmes:

BORÁ (2017)

Direção: Ângelo Defanti / 14 min / Livre

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Cena de Borá

Ironicamente incensada há 30 anos como a menor cidade do Brasil, Borá, no interior de São Paulo, perdeu seu posto em 2014 por ter crescido em 13 habitantes. O progresso que anima parte da população com sua chegada é o mesmo que preocupa outra parcela com a possibilidade de perda de tranquilidade. Em meio às fachadas de uma cidade que parece fantasma, os moradores percebem que falar sobre sua nova situação é falar sobre a passagem do tempo.

CARNEIRO DE OURO (2017)

Direção: Dácia Ibiapina / 25 min / 10 anos

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Making Off de Carneiro de Ouro

Documentário sobre Dedé Rodrigues, realizador que produz com poucos recursos no sertão do Piauí. Seus filmes atraem multidões, em especial, a trilogia “Cangaceiros Fora de Tempo”.

Dácia é professora de Audiovisual da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília – UnB e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação na mesma instituição. Diretora e roteirista dos filmes Palestina do Norte: o Araguaia passa por aqui (1998), O chiclete e a rosa(2001), Vladimir Carvalho: conterrâneo velho de guerra(2004), Cinema Engenho (2007), Entorno da beleza (2012), O gigante nunca dorme (2013) e Ressurgentes: um filme de ação direta (2014).

Trailer de Carneiro de Ouro:

CHICO (2016)

Direção: Irmãos Carvalho / 22 min / 10 anos

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Cena de Chico

2029. Treze anos depois de um golpe de Estado no Brasil, crianças pobres, negras e faveladas são marcadas em seu nascimento com uma tornozeleira e têm suas vidas rastreadas por pressupõe-se que elas irão, mais cedo ou mais tarde, entrar para o crime. Chico é mais uma dessas crianças. No aniversário dele é aprovada a lei de ressocialização preventiva, que autoriza a prisão desses menores. O clima de festa dará espaço a uma separação dolorosa entre Chico e sua mãe, Nazaré.

Roteiristas, diretores e produtores, Marcos e Eduardo Carvalho são irmãos gêmeos e se formaram no curso de cinema da PUC-Rio, com bolsa de estudos. Moradores do Morro do Salgueiro, Rio de Janeiro, em seus filmes, eles abordam, principalmente, a vida negra nas favelas cariocas no contexto de políticas públicas de despejos, violência policial e guerras. Dentre suas obras estão Boa noite, Charles (2015) e Alegoria da Terra (2015). Pelo curta Chico receberam o Troféu Margarida de Prata 2017 da CNBB.

LENINGRADO (2017)

Direção: Dênia Cruz / 20 min / Livre

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Capa de Leningrado

A comunidade, localizada entre dois bairros da periferia de Natal (Planalto e Guarapes) surgiu como ocupação num terreno público e, como o nome sugere, possui motivações políticas alinhadas às reivindicações por uma moradia digna, acesso aos meios de transporte público (como indica o título do filme) e a busca ativa pela igualdade social.

MAMATA (2017)

Direção: Marcus Curvelo / 29 min / 12 anos

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Cena de Mamata

Aliando criatividade e senso de urgência, este curta-metragem brinca de formas muito perspicazes com as questões relativas ao golpe disferido contra a democracia no Brasil. O cineasta Marcus Curvelo, também protagonista, interpretando Joder, jovem constantemente angustiado com a situação do país, realiza um filme essencialmente engraçado, irônico, que se debruça de maneira jocosa sobre questões como a televisão, o comportamento dos endinheirados, a desilusão de quem ainda tateia o mundo tentando encontrar o seu lugar, entre outras coisas.

A habilidade narrativa é tamanha que nos pegamos rindo do sujeito reclamando da falta de dinheiro com a namorada que estuda nos Estados Unidos. No mais das vezes, é apenas Joder em cena – a exceção é a breve conversa com um colega no bar. Apropriando-se com bastante inteligência de signos pop, de materiais que acabaram viralizando na internet, Marcus faz uma reflexão sócio-política em chave cômica, bem ao gosto da nossa tradição no gênero.

Ele consegue, por exemplo, brincar com o Pato da Fiesp, e tudo de nefasto que ele representa, primeiro, mostrando sua aparição “involuntária” no programa do Luciano Huck, segundo, embalando suas “peripécias” com o hino nacional sendo entoado pela cantora Vanusa, num dos momentos apoteóticos do curta. O jogador David Luiz, o sertanejo ostentação, tudo entra nesse molho delicioso, com um timing que faz os quase 30 minutos de duração passar voando. Joder é um símbolo do Brasil, pois afrontado pelo ridículo que nos cerca cotidianamente.

MENINAS FORMICIDA (2017)

Direção: João Paulo Miranda Maria / 13 min / 14 anos

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Cena de Meninas Formicida

Em uma pequena cidade brasileira, uma adolescente trabalha todos os dias em uma floresta de eucalipto, onde ela persegue formigas com pesticidas. No entanto, sua luta interior acaba por ser a verdadeira luta.

Teaser de Meninas Formicida:

NADA (2017)

Direção: Gabriel Martins / 27 min / Livre

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Cena de Nada

Bia acaba de completar a maioridade. O final do ano se aproxima e junto dele o Enem. A escola e os pais de Bia a pressionam para que ela decida em qual curso vai se inscrever. Bia não quer fazer nada.

Diretor, roteirista, câmera e diretor de fotografia, Gabriel Martins assina filmes premiados e que foram exibidos em diversos festivais no Brasil e no exterior, como ContagemDona Sônia pediu uma arma para seu vizinho AlcidesMeu amigo mineiro e Rapsódia para o Homem Negro. Atualmente, finaliza o longa-metragem No coração do mundo, codirigido por Maurílio Martins. Seu curta Nada estreou este ano na Quinzena dos Realizadores de Cannes.

NO FIM DE TUDO (2017)

Direção: Victor Ciriaco / 15 min / 10 anos

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Cena de No Fim de Tudo.

O curta-metragem “No fim de Tudo” conta a história de uma mãe e um filho LGBT, e como uma doença degenerativa ajudou no estreitamento dos laços entre os dois.

Veja trailer de No Fim de Tudo:

O Contador continua de olho na Mostra de Cinema de Gostoso. Até qualquer hora e acompanhe nossa cobertura.

REFERÊNCIAS

http://www.setcenas.com.br/entrevistas/documentario-leningrado-linha-41-aborda-luta-pela-moradia-digna/

http://www.festivaldebrasilia.com.br/chico/

https://www.papodecinema.com.br/especiais/50-festival-de-brasilia-mostra-competitiva-de-curtas/mamata/

http://lesvalseurs.com/portfolio/meninasformicida/

http://www.festivaldebrasilia.com.br/nada/

 

PAULO

POR FÁBIO CHAP

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Paulo desistiu de acreditar em si mesmo. Ele não corre atrás. Ele nem tenta mais. Paulo sente que tá tudo difícil demais. Ele mal tira o lixo de casa. Suas asas foram podadas. De uma timidez bruta, o desemprego lhe perturba. Dorme mais horas do que deveria. Dorme mal. Sente o corpo ceder e doer.

Paulo queria não lembrar da infância. Ali foi onde tudo começou. Seu pai, enquanto descia a cintada no seu corpo costumava dizer:

“Você é um merda, moleque. Cê não vai ser nada nessa vida porque você não presta pra nada.”

Pra nada. A dor marcada por essa frase, Paulo carrega sempre. A mãe não via quando a pele do filho doía. Maria geralmente estava no trabalho, enquanto Carlos, o marido sempre desempregado, bebia e agredia o então ‘Paulinho’. Era num cantinho do quarto que ele chorava. Não conseguia fazer algo pra reagir, parar de apanhar. Que criança consegue evitar isso, não é?

Quando trabalhou, Paulo nunca chegou atrasado. Sempre foi o funcionário mais pontual. Muito embora sua boca sempre cheirou mau. As pessoas simplesmente se afastavam sem nada dizer.

Hoje Paulo tem 37 anos. Está morando na casa da avó. Dali não consegue sair. Ela, inclusive, lhe compra o cigarro. Ela paga caro. Tá R$9,00 o maço. Com os pais não falou nunca mais. Há 5 anos não se comunica com ninguém da família, fora a avó de 79 anos.

Na única vez em que teve um relacionamento amoroso, durou 1 ano e nunca mais. Sua insegurança sempre corroeu tudo que tocou. Todos que conheceu. Paulo sente que já morreu, ao menos na alma.

A solidão dentro daquela mente transformou-se em ódio. Pela internet Paulo destila toda a sua raiva do mundo. Pra Paulo, mulheres são vagabundas. Negros, vitimistas. Gays, a escória.

Ontem mesmo Paulo riu quando ouviu Willian Waack cometer um crime. Na verdade, Paulo não criou um mundo pra si. Ele descobriu a qual mundo agora ele pertence. Escolheu o mundo dos grupos de Facebook e Whatsapp. Nesses grupos, sob um perfil verdadeiro, Paulo escreve coisas como ‘Melhor Jair se acostumando’, ‘Coisa de preto’, ‘Feminazi vagabunda!’

Nesse mundo virtual que Paulo adotou pra si, o humor e a tragédia se casam com o ódio. Ali o rancor encontra abrigo. E Paulo está decidido a ajudar a mudar o Brasil; quem sabe um dia, o mundo.

Seus traumas, seus medos, suas certezas e rancores se esquentavam no mesmo chá. Sua vida veio a se transformar numa timeline. Uma linha do tempo digital programada pra ser seu fetichizado campo de batalha.

Paulo quer mudar o mundo. Mas não põe o lixo pra fora. Paulo quer consertar a moralidade de ‘tudo que taí’, mas faz 3 meses que não arruma a própria cama.

O drama de Paulo é não ter ciência do quão pouco pode mudar o fluxo do universo e o quão gravemente pode machucar os sentimentos de outra pessoa. Assim como os seus também foram machucados por todos esses anos.

Paulo não tem ciência, mas tem raiva e ele vai cuspi-la na sua cara. Ou melhor, na sua foto de perfil.

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EDUCAÇÃO DE SÃO MIGUEL DO GOSTOSO VIVE SEU PIOR MOMENTO

Atraso de salários, falta de merenda, transporte e materiais de apoio são a realidade da educação em São Miguel do Gostoso.

RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL D GOSTOSO/RN

A educação pública de São Miguel do Gostoso vive seu pior momento, em todos os sentidos. A principal causa de interrupção dos dias letivos em 2017 foi o próprio governo que com uma combinação de falta de merenda, paralisação de transporte e trocas constantes de professores foi podando os dias letivos. Quem tinha dúvida de que  administração do prefeito Renato de Doquinha (PSD) e do Secretário de Educação, Nivaldo Batista – seu cunhado – não tem a Educação como prioridade, agora não tem mais. Falta de compromisso e descaso com a pasta se tornaram, em menos de um ano, principal calo da atual gestão.

A última sexta (03) a Secretaria Municipal de Educação e Cultura comunicou aos diretores a “estratégia” de final de ano que consiste na: 1) demissão dos contratos em 30/11; 2) os efetivos deveram de 04 a 08/12 aplicar trabalhos finais e recuperação. Quem imaginaria esse desastre na educação gostosense? Na Creche Municipal O Mundo da Criança e para mais da metade das turmas das duas principais escolas da sede do município, as aulas vão simplesmente parar.

Coroação da crise

Como tudo sempre pode piorar, a crise na educação gostosense foi coroada por um sistemático atraso de salário, que tem empurrado os pagamentos cada vez mais para próximo do dia 10 do mês seguinte, comprometendo a situação fiscal do município.

Até hoje (08) os servidores da educação não haviam recebido. A administração do prefeito Renato de Doquinha (PSD) não argumenta sobre o pagamento do 13º, enquanto protela uma reunião com o sindicato local. Além disso, a base política do prefeito, afirma que o salário NÃO esta atrasado, e encara a falta de aulas e atraso nos pagamentos com total normalidade.

São Miguel do Gostoso que já teve os melhores índices de educação da região do Mato Grande, merecia ser mais bem cuidada.

Nossa equipe entrou em contato com o Secretário Municipal de Educação, Nivaldo Batista que não quis dar declarações sobre os temas tratados.

 

EDITAIS MILIONÁRIOS, FÓRUM, ARTE: NOITE DO 10º PRÊMIO BRASIL DE CINEMA INFANTIL

Evento ficou marcado pelo anúncio de  quatro editais milionários para a produção audiovisual infanto-juvenil.

POR AILTON RODRIGUES
MIDWAY MALL, NATAL/RN.

Evento no Cinemark
Evento aconteceu no Cinemark Natal.

Uma noite mágica para o audiovisual infanto-juvenil! Nesta última segunda-feira (06) no Cinemark durante o Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI) foi entregue a 10ª edição do Prêmio Brasil de Cinema Infantil e simultaneamente a abertura do fórum Pensar a Infância com parceria da UFRN.

O Contador acompanhou o evento e conta para você os detalhes, confira:

EDITAIS MILIONÁRIOS

Jo_o Batista do MINC anunicado o edital
Anúncio do secretário João Batista da Silva animou os presentes.

Durante a cerimônia do Prêmio Brasil de Cinema Infantil, o secretário da área de audiovisual do Ministério da Cultura, João Batista da Silva, anunciou que serão abertos um conjunto de quatro editais focados nas produções infanto-juvenis com investimento na casa dos 33 milhões de reais!

Esta novidade foi comemorada pela organizadora do FICI, Carla Camurati, que foi a apresentadora oficial do evento:

“Foi muito emocionante. O que a gente tem como resultado que o MINC vai dedicar a infância um edital de R$ 33 milhões é um momento muito especial pra nós, que durante esses anos todos pedimos, brigamos, conversamos, e agora conseguimos. Estou muito feliz”, declarou a cineasta.

Ainda segundo o secretário, estes editais estão previstos para abrirem as inscrições a partir de dezembro deste ano, portanto quem se interessar é bom ficar de olhos abertos!

FÓRUM PENSAR A INFÂNCIA

Carla Camurati, idealizadora do FICI
Carla Camurati, apresentadora oficial do evento e idealizadora do FICI.

Este fórum acontecerá pela primeira vez no Nordeste e com programação vasta dos dias 06 a 10 de novembro. O local escolhido para ser sede das palestras e rodas de conversa foi a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e conta com a parceria do Ministério da Cultura.

Com o tema “Linguagens, Narrativas e Políticas do Audiovisual Infantil no Brasil”, o fórum trará grandes nomes do audiovisual voltado para os pequenos como o chileno Andrés Waissbluth e Lilia Levy.

10º PRÊMIO BRASIL DE CINEMA INFANTIL

Carla Camurati, com Jo_o Batista do MINC, premiados e produç_o do FICI
Personagens e vencedores do 10º Prêmio Brasil de Cinema Infantil.

A premiação da noite contou com presença de astros ilustres para a criançada como os personagens das séries animadas “Meu Amigãozão” e “Peixonauta”, além da atriz Maitê Padilha que interpretou a personagem Gaby Estrela na TV e no cinema.

Mas, como a noite não foi só de tietagem, tivemos a entrega dos troféus. Foram três categorias premiadas e reconhecidas pelo júri que eram crianças de escolas públicas. Os vencedores foram:

  • MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO:

CAMINHO DOS GIGANTES (direção: Alois de Leo).

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Cena de Caminho dos Gigantes.

O filme é uma busca poética pela razão e propósito que conta a história de Oquirá, uma menina indígena de seis anos, que enfrenta o ciclo da vida e o conceito de destino. O filme explora as forças da natureza e a nossa conexão com a terra e os seus elementos.

  • MELHOR FILME HISTÓRIAS CURTAS:

LÁ DO ALTO (Direção: Luciano Vidigal).

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Cena de Lá do Alto.

“Lá do alto” conta a história de um menino (Thawan) que sofre com a dor da perda da avó e tenta convencer o pai (interpretado pelo ator Sandro Mattos) a se aventurar no alto de uma pedra que ele acredita ficar perto do céu. Como não consegue levá-lo, o pequeno procura um amigo para acompanhá-lo.

  • MELHOR FILME DA MOSTRA TEEN:

O ESPÍRITO DO BOSQUE (Direção: Carla Saavedra Brychcy).

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Cena de O Espírito do Bosque.

Tentando provar sua coragem, a pequena Joana aceita o desafio de entrar no bosque, supostamente vigiado por um antigo espírito.

O Contador continua de olho e segue na contagem regressiva para nossa maior cobertura da Mostra de Cinema de Gostoso! Até qualquer hora!

O canal onde os escritores de São Miguel do Gostoso tem vez e voz.